O turismo em Goiás registrou crescimento de 4,6% em agosto de 2026, em relação a julho, e alcançou a terceira maior alta entre os 17 locais pesquisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para o presidente da Goiás Turismo, Paulo Henrique Rodrigues Silva, o resultado é impulsionado pela realização de eventos nacionais e internacionais, pela diversificação dos atrativos e pela promoção do Estado como destino turístico.

Em entrevista ao Jornal Opção, Paulo Henrique afirmou que eventos esportivos e culturais ajudam a ampliar a visibilidade de Goiás no cenário nacional e internacional. Entre os exemplos citados estão o MotoGP, o Motocross e os Jogos Universitários Brasileiros (JUBs), realizados em Goiânia.

“Esse crescimento vem acontecendo por causa de tantos eventos internacionais que Goiás está tendo. Isso acaba refletindo na divulgação da cidade, das cachoeiras, de Terra Ronca, das cavernas e de outros atrativos”, afirmou. O avanço registrado em agosto superou a média nacional, de 2,5%. Na comparação com o mesmo mês de 2025, o turismo goiano cresceu 1,8%, enquanto o índice brasileiro avançou 0,9%.

Segundo o presidente da Goiás Turismo, a expectativa é de continuidade da expansão nos próximos meses, especialmente com a ampliação da oferta de voos e a realização de novos eventos. “A tendência de Goiás é aumentar os voos para cá e ampliar a capacidade turística em todos os sentidos”, declarou.

Além de destinos consolidados, como Caldas Novas, Pirenópolis e Chapada dos Veadeiros, o governo estadual busca ampliar a divulgação de regiões menos conhecidas do público. Paulo Henrique citou as formações geológicas conhecidas como chaminés de fadas, localizadas em Campos Belos, no Nordeste goiano.

Segundo ele, o local tem potencial para integrar novos roteiros turísticos, mas ainda depende de estruturação para receber visitantes. “Goiás tem vários municípios com atrativos turísticos que ainda não eram conhecidos. Estamos descobrindo novos pontos para transformar esses locais em destinos para o público brasileiro e internacional”, disse.

Outra aposta é o turismo rural. O presidente mencionou o projeto Aconchego, desenvolvido em parceria com a Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur), voltado à experiência de visitantes estrangeiros em propriedades rurais. A proposta é aproximar os turistas da rotina do campo, com atividades relacionadas à vida nas fazendas e à cultura sertaneja.

“Esse turismo rural está com uma pegada muito boa. Às vezes, o próprio pessoal da cidade quer levar o filho para ver a vaca, o porco e a galinha. É uma experiência que desperta interesse”, afirmou. O Estado também pretende ampliar a divulgação de atrativos históricos, naturais e culturais, incluindo a Cidade de Goiás, o Caminho de Cora Coralina e regiões de cachoeiras e águas termais.

Turismo e movimentação econômica

O crescimento da atividade turística também levanta questões sobre os efeitos econômicos do setor. Durante a entrevista, Paulo Henrique afirmou que a expectativa é de que o turismo gere R$ 50 milhões a mais em Goiás em 2026. Entretanto, ele não detalhou a metodologia, o período de referência ou quais atividades estão incluídas nessa estimativa.

O presidente também mencionou uma média de aproximadamente 77 mil empregos formais relacionados ao turismo. Os números precisam ser detalhados pela Goiás Turismo para permitir uma avaliação mais precisa da participação do setor na economia estadual.

A pasta mantém um observatório responsável por levantamentos sobre o comportamento dos visitantes e os resultados de eventos. Paulo Henrique citou, como exemplo, uma pesquisa realizada durante o MotoGP, que reuniu informações sobre a origem dos turistas que participaram da competição.

O levantamento pode ajudar a identificar os mercados emissores de visitantes e orientar futuras ações de promoção. Para 2027, a Goiás Turismo aposta na continuidade dos eventos esportivos e na expansão de segmentos como o turismo religioso e o de negócios.

Paulo Henrique destacou a realização de competições internacionais e a participação do Estado em feiras de promoção turística. Ele também mencionou a possibilidade de uma visita do papa a Goiânia, que, segundo sua expectativa, poderia atrair mais de 600 mil pessoas à capital. A eventual visita, contudo, não foi confirmada ainda.

O turismo religioso também envolve destinos tradicionais, como Trindade, além de iniciativas ligadas a celebrações e procissões em outras regiões do Estado. Na avaliação de Paulo Henrique, a localização central de Goiás no território brasileiro, a variedade de atrativos e a capacidade de receber grandes eventos favorecem a expansão do setor. “Goiás está com uma perspectiva muito boa para 2027”, afirmou.

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