Entidades goianas defendem Secretaria Estadual de Turismo para ampliar investimentos e fortalecer destinos
29 setembro 2026 às 13h35

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Um grupo de entidades representativas do turismo de Goiás protocolou uma Carta Aberta endereçada ao governador Daniel Vilela (MDB). No documento, associações, empresários, pesquisadores, professores e estudantes pedem maior protagonismo institucional para a atividade e defendem a criação de uma Secretaria de Estado do Turismo, com autonomia administrativa, orçamento compatível e capacidade técnica.
A articulação reúne a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Goiás (ABIH-GO), a Associação Brasileira de Agências de Viagens de Goiás (ABAV-GO), o Goiânia Convention & Visitors Bureau, a Associação Brasileira de Turismólogos e Profissionais do Turismo (ABBTUR) e o Sindicato dos Guias de Turismo do Estado de Goiás, além de representantes de universidades e da cadeia produtiva. Juntas, essas instituições sustentam que o turismo precisa ser reconhecido como instrumento de desenvolvimento econômico, social, cultural e ambiental, e não como política secundária.
Com base nisso, está o fato que o Estado de Goiás desponta como o oitavo destino mais visitado do Brasil, com 741 mil viagens recebidas em 2024 e R$ 906 milhões em gasto direto no período, o equivalente a 3,7%, de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) do IBGE. Além disso, 33,9% dos turistas da região buscam natureza, ecoturismo ou aventura, exatamente a vocação da Chapada dos Veadeiros, Patrimônio Mundial da UNESCO, e do interior goiano.

Em entrevista ao Jornal Opção, a presidente do Goiânia Convention Bureau e vice-presidente do Conselho Empresarial de Turismo da Fecomércio Goiás (CETUR/GO), Fernanda Cury, detalha o que está em jogo. Segundo ela, a ausência de uma secretaria dedicada compromete a capacidade de planejamento de longo prazo. “A secretaria nos daria muito mais estrutura operacional e capacidade técnica para garantir esse planejamento a longo prazo, uma promoção internacional, contínua, e para ajudar na atração de investimentos para dentro do nosso Estado”, afirma.
Na sequência, a dirigente acrescenta que “hoje o que se perde muito está relacionado às feiras de divulgação em que o Estado de Goiás não participa mais ou tem baixo investimento. Precisamos chegar lá com vídeos de qualidade e demonstradores do nosso Estado para trazer mais interessados.”
“Pela primeira vez em sua história, a Goiás Turismo deixou de participar da Expo Turismo Goiás, a única feira de turismo do Centro-Oeste realizada no próprio Estado de Goiás. A ausência da instituição no evento de turismo mais importante do Estado, evidenciou o distanciamento entre o órgão oficial de turismo e o próprio setor produtivo goiano.
Na sequência, toda a equipe técnica responsável pela condução das políticas públicas foi exonerada, sendo substituída por pessoas desconhecidas pelo setor e que, com todo respeito às suas trajetórias profissionais, não possuem experiência reconhecida na formulação e execução de políticas públicas de turismo. O resultado tem sido um evidente retrocesso institucional, somado a um claro desrespeito da instituição aos profissionais e as instituições que há décadas, carregam o turismo goiano nas costas.
Desde o início deste ano, Goiás deixou de participar das principais feiras nacionais de turismo, interrompeu campanhas estruturadas de promoção dos destinos e reduziu significativamente sua presença nos espaços estratégicos de comercialização e divulgação turística.
É importante destacar que a legislação eleitoral não impede a participação institucional em feiras técnicas, ações de promoção turística ou campanhas de divulgação dos destinos, realidade demonstrada pela atuação contínua de diversos estados brasileiros durante o período eleitoral. A atual paralisação, portanto, não decorre de impedimentos legais, mas de uma escolha administrativa.
O sentimento predominante entre os profissionais é de que a Goiás Turismo tornou-se uma instituição improdutiva justamente em um momento em que o turismo brasileiro vive um dos seus melhores ciclos de crescimento”, diz a Carta Aberta.
Fernanda Cury também compara o orçamento estadual destinado ao turismo com o de outras pastas. “Nós já sabemos que outras secretarias recebem muito, em margem de R$ 150 milhões. Hoje, nós não temos um aporte desse tamanho.” Para ela, o atual modelo, subordinado a uma autarquia, limita a escala das ações.
A Carta Aberta protocolada simbolicamente em 27 de setembro (Dia Nacional do Turismo e do Turismólogo), elenca os pontos sensíveis. Entre eles, a preocupação com a redução da presença institucional de Goiás em feiras e ações de promoção turística, o direcionamento de recursos para projetos pontuais e as recentes mudanças nas equipes técnicas da Goiás Turismo. O documento cita nominalmente o enfraquecimento do Observatório do Turismo do Estado, estrutura que, por cerca de uma década, produziu pesquisas, indicadores e inteligência turística reconhecidos nacionalmente, inclusive com premiações por seis anos consecutivos. Conforme a carta, o Observatório foi desmontado, acompanhado de exoneração em massa de diversos profissionais.

Outro eixo do documento é a ampliação da representatividade feminina nos espaços de decisão. A carta ressalta que as mulheres são maioria da força de trabalho nas atividades características do turismo, sobretudo em hospedagem, alimentação, agenciamento, eventos e serviços turísticos. Apesar disso, desde a criação da Goiás Turismo, nenhuma mulher ocupou a Presidência da instituição. Para as entidades, mais do que uma questão simbólica, trata-se de reconhecer a contribuição de milhares de mulheres que sustentam e transformam a atividade em todas as regiões goianas.
O documento também cobra maior integração do turismo com áreas como tecnologia, inovação, economia criativa, cultura, artesanato, empreendedorismo e sustentabilidade. A avaliação é de que a transversalidade da atividade permite transformar potencialidades dos municípios em geração de emprego e renda, atração de investimentos e desenvolvimento regional.
A carta lembra que Goiás reúne patrimônio natural e cultural de relevância internacional, localização privilegiada, destinos consolidados e uma rede de 96 municípios integrados ao Mapa do Turismo Brasileiro, distribuídos em 13 regiões turísticas.
Ainda assim, as entidades fazem questão de reforçar o caráter propositivo da manifestação. “O texto não busca apontar culpados, mas registrar a preocupação de quem vive o turismo diariamente e reafirmar a disposição ao diálogo com o Governo de Goiás. A expectativa é que a Carta abra espaço para uma agenda de conversas entre o Executivo estadual, universidades, empresários, municípios e profissionais da cadeia produtiva, na construção de uma política moderna, participativa e permanente”, finaliza Fernanda Cury.
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