EUA suspendem importação de carne fresca do Brasil

Embargo é precaução após a operação que revelou esquema de venda de certificados sanitários por fiscais do Ministério da Agricultura

Frigoríficos brasileiros: de fora da lista dos EUA | Foto: ABr

Depois do desastre provocado pela JBS, mais uma péssima notícia para os produtores de carne brasileiros. Os Estados Unidos anunciaram nessa quinta-feira (22/6) que estão suspensas todas as importações de carne bovina in natura (fresca) do Brasil, devido a recorrentes problemas sanitários dos produtos brasileiros, afirmou o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) em comunicado.

O embargo da carne brasileira vai continuar até que o Ministério da Agricultura do Brasil tome medidas “satisfatórias” para corrigir processos de qualidade, de acordo com comunicado. A decisão dos EUA tem maior importância porque os critérios dos países da América do Norte costumam ser observados por outros países.

Maior exportador de carne bovina do mundo, o Brasil havia conseguido acordo para exportar o produto in natura para os norte-americanos há menos de um ano. A entrada nos EUA foi grande esperança para os produtores brasileiros ganharem outros mercados importantes, como Japão e Coreia do Sul.

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) contabiliza que as exportações de carne fresca para os EUA somaram US$ 18,95 bilhões de janeiro a maio, ou 28,5% do total de carne bovina exportada para o país. A maior parte das exportações é de carne industrializada, que representam 69,44% (US$ 46,17 bilhões) do total exportado nos cinco primeiros meses de 2017.

Outros tipos, como miúdos e carne salgada, equivalem a 2,06% (US$ 1,37 bilhão) de todas as exportações até maio, segundo a Abiec.

Desde março, os EUA endureceram a realização de testes para a carne fresca e produtos prontos de carne do Brasil, como precaução após a operação Carne Fraca, que revelou um esquema de venda de certificados sanitários por fiscais do Ministério da Agricultura.

Um número elevado de embarques não foi aprovado nas checagens realizadas pelo governo dos EUA nos produtos brasileiros. A agência do governo dos EUA já tinha rejeitado 11% dos produtos de carne fresca do Brasil, acima da taxa de rejeição de 1% para embarques do restante do mundo.

No total, a agência rejeitou a entrada de 1,9 milhão de libras-peso de carne bovina do Brasil, devido a preocupações de saúde, sanitárias e questões relacionadas à saúde animal. O USDA acrescentou que nenhum dos lotes rejeitados entrou no mercado dos EUA.

O embargo das importações de carne fresca por parte dos EUA ocorre logo após o Ministério da Agricultura brasileiro suspender as exportações de cinco frigoríficos para os norte-americanos, depois de as autoridades sanitárias de lá identificarem irregularidades provocadas pela reação à vacina contra a febre aftosa.

As exportações que já estavam suspensas são de três plantas da Marfrig, localizadas em São Gabriel (RS), Promissão (SP) e Paranatinga (MT); uma da JBS, localizada em Campo Grande (MS); e uma da Minerva, em Palmeiras de Goiás (GO).

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