“Eu só espero justiça”: influenciadora denuncia agressões e vídeo muda rumo do caso
27 janeiro 2026 às 09h54

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A influenciadora Nayara Brito, de 23 anos, explicou em entrevista ao Jornal Opção que o relacionamento de quatro meses com o empresário Alcides Antunes sempre foi conturbado. Idas e vindas, discussões e bloqueios nas redes sociais, de ambas as partes, marcaram o namoro. Natural de Paulo Ramos, no Maranhão, e atualmente residente em Águas Lindas de Goiás, no Entorno do Distrito Federal, ela afirma esperar que a Justiça seja feita após a agressão sofrida.
“Eu espero que, de alguma forma, ele pague pelo que fez comigo, até mesmo para não fazer mais vítimas. Espero ainda que essa violência contra mulheres não se torne tão comum e tão frequente como está acontecendo”, disse Nayara, emocionada.
O episódio de violência ocorreu na madrugada do dia 21 de fevereiro de 2025, mas as imagens só vieram a público após o vídeo ser anexado ao inquérito instaurado inicialmente contra a influenciadora por calúnia e difamação. Segundo Nayara, o empresário passou a responder como réu no processo — uma reviravolta no caso motivada pelas imagens das câmeras de segurança instaladas no elevador do prédio.

O vídeo mostra o momento em que o empresário coloca Nayara à força dentro do elevador. As agressões ocorreram no ano passado, porém as imagens só foram encaminhadas à Justiça na última quinta-feira, dia 22, o que fez com que o caso ganhasse repercussão.
As imagens mostram a influenciadora sendo sufocada pelo ex-namorado até desmaiar. Em seguida, ela é arrastada pelo chão até o térreo do edifício. “Naquela noite, eu estava na casa dele e começaram as brigas e discussões. Não acho relevante entrar em detalhes sobre o motivo, porque nada justifica”, afirmou.
De acordo com Nayara, durante o relacionamento, o empresário já demonstrava comportamentos violentos. “Ele tratava a violência como se fosse brincadeira. Dava tapas na minha cara na frente dos outros e ria, dizendo que não era nada”, relatou.
Ela contou ainda que, em outra ocasião, enquanto estava na hidromassagem, foi afogada por ele, que depois passou a rir e dizer que se tratava apenas de uma brincadeira. Sobre o episódio ocorrido no elevador, Nayara afirmou que tentou se defender de todas as formas possíveis. Segundo ela, as imagens mostram que o agressor ficou com marcas de unhas.
“Eu tentei me defender da forma que pude, mordendo e arranhando. Ele usou muito mais força física. Depois disso, ele me puxou para o elevador para me colocar para fora”, disse.
No vídeo divulgado pelo empresário em suas redes sociais, aparece a influenciadora resistindo a sair do apartamento. Ela explicou que queria apenas pegar seus pertences, inclusive o celular. Segundo Nayara, ela estava a cerca de duas horas e meia de sua casa e não teria para onde ir naquele momento.

Ele mesmo ligou para a polícia e apresentou a versão dele, que era favorável a ele. Quando os policiais chegaram, eu estava completamente sem voz”, relatou. Com a reviravolta no caso, Nayara afirmou que reviveu a angústia sentida no ano passado. “É aquele sentimento horrível de novo, mas agora pelo menos estou sendo ouvida
De vítima a réu
Segundo a influenciadora, Alcides Antunes tentou se apresentar como vítima da situação. Ele acionou a polícia alegando que Nayara estaria tentando invadir o apartamento, quebrando objetos e o agredindo. Quando os policiais chegaram, ela afirmou ter ficado sem condições de se defender.
Após o amanhecer, Nayara registrou ocorrência na Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), em Goiânia. A delegada Priscila de Souza Silva Ribeiro concedeu medidas protetivas em favor da vítima e iniciou a investigação do caso. O inquérito policial foi concluído e encaminhado à Justiça.
O empresário não foi preso à época, mas se tornou réu na semana passada. O processo tramita sob segredo de Justiça no 4º Juizado de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher de Goiânia.
Alcides também ingressou com uma ação judicial contra Nayara por calúnia, injúria e difamação, após a influenciadora relatar as agressões em seu perfil no Instagram, onde possui mais de 105 mil seguidores.
O empresário atua nos ramos de estética, marketing e veículos automotivos. Natural do Rio Grande do Sul, ele se mudou para Goiás e acumula quase 300 mil seguidores nas redes sociais.
O Jornal Opção entrou em contato com Alcides Antunes, mas até o fechamento desta reportagem não obteve retorno. O espaço permanece aberto para manifestações.
O que diz a defesa
A Defesa Técnica do Sr. ALCIDES BORTOLI ANTUNES esclarece que a divulgação pela imprensa apresenta apenas uma versão dos fatos, ignorando elementos fundamentais para a compreensão do caso.
Existem dois processos judiciais distintos decorrentes do mesmo episódio. No processo nº 5233725-52.2025.8.09.0051, o Sr. Alcides apresentou Representação Criminal contra a Sra. Nayara da Conceição Brito por lesão corporal, ameaça e dano qualificado. A Sra. Nayara, por sua vez, solicitou a instauração de inquérito policial contra o Sr. Alcides. Ambos os processos referem-se aos mesmos fatos ocorridos em 21 de fevereiro de 2025, porém com versões contrapostas.
No processo em que o Sr. Alcides é vítima, constam provas documentais e testemunhais: relatório da Polícia Militar (RAI nº 40383516) confirmando que ele apresentava lesões e que a Sra. Nayara não possuía marcas de agressão; Exame de Corpo de Delito (RAI nº 40391434) comprovando lesões em Alcides; e declarações da própria Sra. Nayara admitindo ter destruído objetos do apartamento do Sr. Alcides por ciúmes. A Polícia Militar foi acionada pelo próprio Sr. Alcides para que a Sra. Nayara deixasse sua residência após destruir seu patrimônio e agredi-lo.
O suposto vídeo divulgado representa apenas um fragmento isolado, sem contexto completo e sem a devida análise de todos os elementos probatórios. Ambos os processos estão em fase inicial de investigação.
A Constituição Federal assegura a presunção de inocência (art. 5º, LVII), o contraditório e a ampla defesa (art. 5º, LV). O julgamento antecipado pela mídia viola direitos fundamentais e impede a apuração completa dos fatos.
Em caso de violência, denuncie
Ao presenciar ou sofrer qualquer episódio de violência contra a mulher, ligue 190 e denuncie.
Também é possível registrar denúncias pelo número 180 — Central de Atendimento à Mulher — ou pelo Disque 100, que recebe relatos de violações de direitos humanos.
Casos de violência doméstica são, na maioria das vezes, cometidos por parceiros ou ex-companheiros, mas a Lei Maria da Penha também se aplica a agressões praticadas por familiares.
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