Estudantes de Goiânia conquistam ouro e bronze em Olimpíada de Matemática nos Estados Unidos
03 agosto 2026 às 12h48

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Em março, Pedro de Oliveira Farias, de 9 anos, e Bernardo Martini Mendes, de 11, se preparavam para um desafio que ainda parecia distante: representar o Brasil em uma olimpíada internacional de matemática, em Nova York, nos Estados Unidos. Meses depois, os dois amigos, que estudam no Colégio Marista, em Goiânia, voltaram para casa com medalhas.
Pedro conquistou o ouro na etapa internacional da Copernicus Math, realizada no último dia 26 de julho, na Columbia University, e obteve a segunda maior nota de toda a competição. O resultado também garantiu a ele o melhor desempenho brasileiro entre participantes de todas as categorias. Já Bernardo conquistou a medalha de bronze.
A viagem, no entanto, acabou sendo maior do que o resultado registrado na premiação. Para os dois estudantes e suas famílias, a experiência envolveu desafios acadêmicos, ansiedade, novas amizades e a oportunidade de representar o país em uma competição que reuniu estudantes de diferentes partes do mundo.

A expectativa e a medalha
As mães dos dois estudantes acompanharam a competição de formas diferentes. A advogada Raquel Morais viajou com Pedro e viveu de perto a tensão da prova e da cerimônia de premiação. Já a mãe de Bernardo, a professora universitária Andressa Martini, acompanhou a cerimônia do Brasil, enquanto o marido esteve com o filho em Nova York.
Ao Jornal Opção, Raquel relatou que a emoção começou antes mesmo de Pedro entrar na sala de prova. “É claro que a gente sempre deseja o resultado, mas a gente também sabe que todo mundo que está participando é muito bom. Então já é maravilhoso você pensar que o seu filho está entre os melhores”, contou.
A prova aconteceu na Columbia University e foi aplicada em inglês. Os estudantes receberam os enunciados também em seus idiomas maternos, com traduções para oito línguas.
Pedro deixou a sala bastante confiante. Enquanto outros participantes comentavam sobre a dificuldade das questões, ele surpreendeu a mãe com a avaliação que fez da prova.
“Ele saiu superfeliz. Perguntei para ele: ‘O que você achou da prova?’. Ele disse: ‘Fácil, mamãe. Fácil demais'”, relatou Raquel.
Bernardo teve uma impressão diferente. Para ele, a prova foi difícil e exigente, mas foi justamente isso que tornou a experiência um aprendizado. À reportagem do Jornal Opção, Andressa contou que o conteúdo trabalhado na competição apresentava um nível mais avançado em relação ao cronograma brasileiro.
“Ele achou que foi uma prova bastante difícil, bastante desafiadora, mas, ao mesmo tempo, uma prova muito bem elaborada, que os motiva”, afirmou.
Apesar das percepções diferentes, os dois chegaram ao fim da competição com resultados expressivos.
O momento da premiação
No caso de Bernardo, a espera pelo resultado foi mais curta. Como seu nome começa com a letra B, ele foi anunciado logo no início da chamada dos medalhistas.
O estudante ficou surpreso ao ouvir o próprio nome. Segundo Andressa, ele havia reconhecido a dificuldade da prova e não esperava necessariamente sair de Nova York com uma medalha.
“Ele ficou muito feliz, com a sensação de dever cumprido. Foi com muito esforço, fruto da mobilização de muitas pessoas, e alcançou o que ele gostaria”, contou.
Já Pedro precisou esperar mais. A cerimônia começou com menções honrosas e passou pelas medalhas de bronze e prata. Conforme os nomes eram anunciados, a mãe começou a perceber que o filho poderia estar entre os medalhistas de ouro. A ansiedade tomou conta da delegação brasileira. Familiares que acompanhavam a cerimônia pelas redes sociais também esperavam pelo anúncio.
Quando o nome de Pedro foi chamado, a reação foi imediata.
“Quando chamou o nome dele, foi uma gritaria, uma algazarra gigantesca”, contou Raquel.
O menino ficou alguns segundos em choque, olhando para a tela onde aparecia seu nome. Depois, levantou-se para receber a medalha. Além do ouro, Pedro terminou a competição com a segunda maior nota entre todos os participantes e o melhor desempenho brasileiro considerando todas as categorias.

Para as famílias, as medalhas são consequência de um processo que começou muito antes da viagem para os Estados Unidos.
No caso de Pedro, as competições de matemática passaram a fazer parte de uma estratégia para ampliar as experiências educacionais do menino. Desde pequeno, ele apresentava conhecimentos acima do esperado para a idade e chegou a enfrentar dificuldades na escola justamente por isso. Segundo Raquel, Pedro chegou a ser excluído de atividades em sala de aula e precisou de acompanhamento psicoterapêutico. Depois de uma mudança de escola, encontrou um ambiente com maior abertura para adaptar sua formação.
Ele avançou um ano escolar e, aos 9 anos, está no quinto ano do ensino fundamental. Também participa de um projeto voltado para crianças com altas habilidades e realiza algumas atividades com alunos mais velhos. A família passou a buscar as olimpíadas como uma forma de oferecer novos desafios sem antecipar continuamente as etapas escolares.
“Não dá para você ficar avançando a criança sempre, né? A criança, mesmo que ela dê conta cognitivamente, precisa ser respeitada e vista como criança”, explicou Raquel.
Para ela, o resultado conquistado em Nova York reforçou que a estratégia adotada pela família tem funcionado.
“Esse resultado mostra para a gente que o caminho que a gente está trilhando é o caminho que funciona, que dá certo para ele.”
A experiência também teve um significado especial por causa do local da competição. No ano passado, Pedro havia contado à mãe que gostaria de estudar na Columbia University. Quando descobriu que a competição seria realizada justamente na universidade, a família se surpreendeu com a coincidência.
“Ele falou no ano passado que era onde queria estudar. Então, quando fez a etapa preliminar, que é a etapa só do Brasil, foi classificado e vimos que a prova seria lá, ainda teve isso. Nossa, que coincidência”, contou.
A medalha de bronze também despertou em Bernardo uma perspectiva de futuro que surpreendeu a própria mãe. Segundo Andressa, assim que chegou ao aeroporto em Goiânia, o menino já falava sobre a possibilidade de estudar nos Estados Unidos para, depois, retornar ao Brasil e trabalhar.
“Ele quer ir se capacitar em um dos maiores centros do mundo para voltar ao Brasil e fazer a diferença”, contou.
Para a mãe, ouvir isso de uma criança de 11 anos representa uma conquista que vai além da medalha.
“Ouvir isso de uma criança de 11 anos é motivo de muito orgulho.”
A fala também resume a maneira como Andressa enxerga a experiência. Para ela, o resultado é fruto de muito esforço e mostra o que uma boa formação pode proporcionar.
O esforço por trás das medalhas
A conquista dos estudantes também trouxe uma discussão sobre o apoio oferecido a brasileiros que participam de competições internacionais. Andressa afirma que a escola deu um apoio importante à participação de Bernardo e Pedro, mas diz que não houve auxílio do governo estadual nem da rede municipal de educação para a viagem.
Ela citou como exemplo uma delegação estrangeira que, segundo seu relato, teve a participação financiada pelo governo do próprio país.
“Nós tivemos um apoio importante da escola, mas não tivemos nenhum apoio do governo do Estado nem da educação de Goiânia. Nada, nada disso”, afirmou.
Para a professora universitária, a falta de investimento público em iniciativas desse tipo é frustrante porque a educação, na avaliação dela, deveria estar no centro das políticas de desenvolvimento.
“Quem pensa na educação dentro de um país tem um país bem educado em diversos aspectos.”
Apesar da crítica, Andressa ressalta que o resultado dos estudantes é fruto principalmente do esforço das famílias, dos próprios alunos e da escola.
“É válido reforçar que a gente conquista essas coisas na base de muito esforço”, afirmou.
Pedro e Bernardo voltaram para Goiânia com medalhas diferentes, mas com uma experiência que os colocou ao lado de estudantes de diversos países e em um dos principais ambientes universitários dos Estados Unidos.
Para Pedro, o ouro e o melhor desempenho brasileiro reforçaram uma trajetória de busca por desafios acadêmicos sem deixar de lado a infância. Para Bernardo, o bronze veio acompanhado de uma nova ambição: estudar fora e, no futuro, voltar ao Brasil para contribuir profissionalmente.
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