Goiás atravessa o período de estiagem, marcado pela escassez de chuvas, baixa umidade e temperaturas elevadas. Apesar da previsão de precipitações em algumas cidades nos próximos dias, a expectativa é de episódios isolados e passageiros, insuficientes para encerrar o período seco ou provocar uma recuperação significativa dos mananciais.

Segundo Camila Roncato, superintendente de Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Saneago, a companhia adotou medidas ao longo do ano para manter a regularidade do abastecimento durante os meses de estiagem.

“Nós estamos nesse momento atravessando o nosso período de estiagem, que é muito conhecido aqui dos goianos por ser um período longo sem chuvas. Mas a Saneago se preparou durante o ano todo para que a gente consiga atravessar esse período sem faltar água para ninguém”, afirmou.

Entre as medidas adotadas estão manutenções nos sistemas de abastecimento, perfuração de poços e implantação de novas captações.

“Nós fizemos manutenções em nossos sistemas, reforçamos as nossas fontes de água perfurando mais poços, fazendo novas captações. Então, dessa forma, a gente está garantindo que os sistemas continuem funcionando com normalidade”, disse.

Até o momento, segundo Camila, os sistemas operam normalmente. A manutenção da regularidade do abastecimento, porém, também depende da redução do desperdício pelos consumidores. “Para que isso continue acontecendo, a gente precisa da colaboração de todos”, ressaltou.

Entre as recomendações estão reduzir o tempo de banho, fechar a torneira enquanto se ensaboa a louça ou escova os dentes e verificar possíveis vazamentos nas instalações internas. A orientação é evitar ainda a lavagem de carros e calçadas com mangueira.

Para a irrigação de plantas, a recomendação é utilizar aspersores no início da manhã ou no fim do dia, períodos em que a perda de água por evaporação é menor.

Reaproveitamento pode economizar mais de 100 litros

Outra medida destacada pela superintendente é o reaproveitamento da água utilizada pela máquina de lavar roupas. Segundo ela, um único ciclo pode consumir pelo menos 100 litros.

“A gente usa pelo menos 100 litros em cada ciclo de limpeza. Você pode usar para lavar o quintal, para lavar o chão. É bastante importante essa dica”, afirmou.

A recomendação é utilizar a máquina, sempre que possível, com quantidade suficiente de roupas para evitar ciclos desnecessários.

A Saneago também afirma investir na redução da quantidade de água tratada perdida antes de chegar aos consumidores. Segundo Camila, o índice médio de perdas da companhia em Goiás está atualmente em 21%.

“Nós temos um grande orgulho de um trabalho que nós temos, que é de redução de perdas de água tratada. […] Aqui em Goiás hoje a gente tem uma perda de 21%, sendo que o Marco Regulatório do Saneamento fala de ter abaixo de 25% em 2033, então muito antes a Saneago já cumpriu essa meta”, afirmou.

Segundo a superintendente, o índice indica maior eficiência na distribuição. “Isso mostra que a gente está sendo muito eficiente para não perder essa água nessa distribuição e para que tenha mais água na torneira de todos os goianos”, disse.

De acordo com a companhia, Goiânia apresenta o menor índice de perdas de água entre as capitais brasileiras.

Sistemas integrados reforçam abastecimento de Goiânia

Na capital, o abastecimento depende principalmente do Rio Meia Ponte e do Sistema João Leite. Segundo Camila, a captação no Meia Ponte responde por cerca de 36% da água que abastece Goiânia. O restante é fornecido pelo sistema que utiliza a água acumulada no reservatório do João Leite.

“É muito importante vocês terem o conhecimento que esses sistemas são integrados. Então, quando a gente tem uma baixa vazão no Rio Meia Ponte, a gente consegue avançar com a água da barragem em áreas que são atendidas pelo sistema Meia Ponte”, explicou.

A integração ocorre por meio de uma adutora que permite reforçar áreas normalmente atendidas pelo Meia Ponte com água proveniente do João Leite. A estrutura amplia a flexibilidade operacional durante períodos em que a vazão do rio diminui.

A Estação de Tratamento de Água (ETA) Meia Ponte possui capacidade para tratar 2 mil litros por segundo. Já a ETA Mauro Borges pode chegar a 4 mil litros por segundo, enquanto a ETA Jaime Câmara tem capacidade de 2 mil litros por segundo.

Segundo a Saneago, a vazão atual do Rio Meia Ponte é suficiente para manter o sistema em funcionamento e, até o momento, o abastecimento de Goiânia segue normalmente.

Chuvas isoladas não recuperam mananciais

Mesmo com a possibilidade de chuva nos próximos dias, precipitações pontuais não são suficientes para recompor os mananciais. Para uma recuperação mais significativa, são necessárias chuvas regulares e em volume capaz de aumentar a umidade do solo, elevar a vazão dos rios e contribuir para os níveis dos reservatórios.

Para o segundo semestre de 2026, órgãos de meteorologia citados pela Saneago apontam a possibilidade de formação de um El Niño de forte intensidade. O fenômeno pode favorecer temperaturas mais elevadas no Centro-Oeste e provocar alterações no regime de chuvas. A evolução das condições climáticas, no entanto, ainda pode modificar esse cenário.

Enquanto as chuvas não se regularizam, a orientação é manter os cuidados com o consumo de água.

“A Saneago está fazendo a parte dela e nós esperamos também que vocês façam a parte de vocês nessa consciência, nesse uso consciente da água para a gente atravessar o período de estiagem sem faltar água para ninguém”, concluiu Camila.

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