Esquema milionário no Sindigoiânia pagou até escola de tênis de filho do presidente

Número um da entidade, Carlos Alencar, e a tesoureira Maria do Carmo estão com tornozeleiras a pedido da Justiça. Desvios ocorridos desde 2008 somam R$ 30 milhões

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Sede do Sindigoiânia, no Setor Sul, foi alvo de operação | Google Street View

Atualizada às 11h20

Parte dos R$ 30 milhões desviados das contas do Sindicato dos Trabalhadores do Município de Goiânia (Sindigoiânia) teriam custeado matrícula na escola de tênis do filho de Carlos Antônio Ramos de Alencar, vulgo Carlão, presidente da entidade, segundo informou ao Jornal Opção o titular da Delegacia Estadual de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), Brayner Vasconcelos, nesta sexta-feira (18).

Conforme informou o delegado, Carlão é servidor da Prefeitura de Goiânia e atualmente está afastado do cargo de diretor da Procuradoria Jurídica do Município. Ele teria se beneficiado com o esquema que desviava valores para contas de terceiros desde 2008.

As informações iniciais dão conta ainda que foram adquiridos uma fazenda, um apartamento e automóveis com o dinheiro. Mais de 140 viagens internacionais foram feitas com os recursos. A reportagem entrou em contato com o sindicato, mas as ligações não foram atendidas.

Carlão integrou Comissão de Articulação e Negociação com os Trabalhadores da Educação, durante greve na Rede Municipal de Educação em 2014. Em 2003 representou a entidade no Conselho Municipal de Assistência e Previdência (CMAP). No demonstrativo da folha de pagamento de servidores referente ao mês de novembro, do Portal da Transparência do Paço Municipal, aparece como analista em organização e finanças (classe III) da extinta Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Seinfra).

Desde as 5h30 o sindicato é alvo da Operação Sinecura, deflagrada pela Draco. Agentes da Polícia Civil cumpriram 13 mandados de busca e apreensão de computadores e documentos no prédio do Sindigoiânia, na Federação das Entidades Sindicais dos Servidores Públicos Municipais do Estado de Goiás (Fesspumg), a qual é filiado, e na casa dos envolvidos.

Funcionários que chegaram até o Sindigoiânia para trabalhar não puderam entrar. Ninguém foi preso até o momento. Porém, Carlão, a tesoureira Maria do Carmo e Silva e outras cinco pessoas ligadas ao sindicato foram encaminhadas à Casa do Albergado para colocação de tornozeleiras, conforme decisão judicial.

Na casa de Maria foram encontrados cerca de R$ 106 mil e uma espingarda com registro, herança de família. Ela não soube explicar a origem do dinheiro.

Em entrevista, o delegado titular da Draco, Brayner Vasconcelos, disse que a operação visa cessar desvios milionários para contas de terceiros e que haverá nova fase de investigações.

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Epaminondas

Alguém pode me dizer qual utilidade tem mesmo sindicatos?