Superintendente da Secima, Marcelo Safadi avalia a rede integrada como essencial para a locomoção dos cidadãos

Superintendente Executivo de Assuntos Metropolitanos da Secima, Marcelo Safadi

Rafaela Bernardes

O transporte coletivo de Goiânia é tema recorrente dos debates no âmbito político na capital. Atualmente, a Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara Municipal que investiga o sistema defende a municipalização do transporte público na capital.

A proposta também é bandeira do vereador Jorge Kajuru (PRP), que apresentou projeto de lei para que seja criada uma rede de transporte própria de Goiânia, com linhas locais e tarifas menores.

O prefeito de Goiânia, Iris Rezende (PMDB), durante recente visita à Câmara, afirmou que caso o projeto seja aprovado pelos parlamentares, não haveria dificuldade em sancionar a proposta.

No entanto, a ideia de municipalizar o transporte coletivo de Goiânia está  longe de ser consenso.

O superintendente Executivo de Assuntos Metropolitanos da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Recursos Hídricos, Infraestrutura, Cidades e Assuntos Metropolitanos (Secima), Marcelo Safadi, é um exemplo de quem é contrário à proposta. Para ele, a desconstrução da rede metropolitana de transporte coletivo é um retrocesso.

“É preciso definir primeiro o que eles entendem por municipalização do transporte coletivo. Se for algo que enfraqueça ou que desconstrua a rede metropolitana de transporte público ,que já existe, será um retrocesso. Outras cidades brasileiras apostaram nisso e tiveram o processo fracassado”, disse.

Ao Jornal Opção o superintendente defendeu um estudo sobre a tarifa diferenciada para transporte intra-municipal e o intermunicipal, e que as linhas municipais podem existir, desde que integrem a rede.

“Temos um sistema no qual o usuário usa o mesmo cartão para embarcar em qualquer plataforma da região metropolitana, com as linhas integradas. Isso deve ser mantido. O que pode ser feito imediatamente são estudos técnicos e soluções inteligentes para o trânsito na capital, o que gera impacto direto no transporte público”, argumentou.

Ainda sobre a discussão e a abordagem do assunto ‘transporte coletivo, Safadi diz que o debate não pode ser feito “com discurso populista”, pois o assunto é técnico: “A politização e o populismo têm atrapalhado as discussões e a solução do problema.”

Uma solução sugerida pelo superintendente da Secima é o subsidio do transporte feito justamente pelos que não utilizam o sistema . “O usuário do carro particular deveria contribuir e financiar de alguma forma o transporte coletivo. Destinar parte do valor pago pela gasolina consumida por esses usuários para o transporte coletivo, por exemplo, seria uma alternativa. Mas deixo claro que essa é uma opinião pessoal minha, não a do governo estadual”, arrematou.