Especialista alerta para riscos do PrEP: “Camisinha ainda é melhor prevenção contra HIV”

Segundo a infectologista Cristiane Cobal, já existem casos de infecção mesmo em pessoas que usam a pílula e medicamento tem que ser utilizado de forma complementar

O Ministério da Saúde anunciou, em maio, que ainda em 2017, o Sistema Único de Saúde (SUS) vai disponibilizar o antirretroviral Truvada como profilaxia pré-exposição (PrEP) para populações sob maior risco de infecção por HIV. O comprimido combina duas drogas, o tenofovir e a entricitabina, e, se usado diariamente, diminui os riscos de contração do vírus.

A infectologista Cristiane Cobal, no entanto, alerta para os cuidados que devem ser tomados por aqueles que aderirem ao novo tratamento. Isso porque, apesar de ter eficácia média de 88%, a droga só protege contra o HIV e não é capaz de inibir a infecção por outras doenças sexualmente transmissíveis (DSTs).

Além disso, pontua ela, a PrEP protege menos que a camisinha e inclusive já existem casos no mundo de transmissão de vírus HIV mesmo em quem toma a pílula. Cristiane lembrou o caso de uma “super-gonorreia” que vem preocupando autoridades de saúde na Grã-Bretanha por ter desenvolvido uma alta resistência a antibióticos — e é, em alguns casos, intratável — e acrescentou que vírus e bactérias estão em constante mutação.

“Por isso, é importante lembrar que a PrEP está sendo lançada no Brasil como complemento, porque as entidades médicas já sabem que o uso do preservativo não pode ser interrompido”, acrescentou.

Questionada sobre a possibilidade de a disponibilização do medicamento diminuir ainda mais o número de pessoas que ainda usam o preservativo, a médica afirmou que é um risco, mas que o Ministério da Saúde fará uma campanha nacional para incentivar o uso combinado das medidas profiláticas.

“Como a gente tem tratamento hoje, a infecção se banalizou. Mas nós não podemos deixar de orientar que ter HIV não é simples, que não é fácil tomar a medicação — que tem alguns efeitos colaterais –, que é preciso fazer exames periódicos a cada seis meses, tem o preconceito, enfim, uma série de outras questões envolvidas”, explicou a médica.

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