Escritório de Flávio Bolsonaro emitiu notas de R$ 1 milhão para empresa ligada ao caso Banco Master
23 julho 2026 às 09h33

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O escritório de advocacia do senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) emitiu duas notas fiscais que somam R$ 1 milhão para uma empresa que recebeu repasses do Banco Master e é citada nas investigações sobre supostas fraudes financeiras envolvendo a instituição. Os documentos, no entanto, foram cancelados no mesmo dia em que foram emitidos.
As notas fiscais, de R$ 500 mil cada, foram emitidas em 7 de abril de 2025 para a Copenhagen Assessoria e Consultoria, empresa que recebeu R$ 57,9 milhões do Banco Master entre 2024 e 2025, segundo documentos da Receita Federal obtidos pela CPI do Crime Organizado.
A Copenhagen tinha como diretor, à época, Artur Figueiredo, gestor da administradora de fundos Trustee DTVM. Tanto a empresa quanto Figueiredo aparecem nas investigações relacionadas ao Banco Master por suspeita de participação em operações financeiras consideradas irregulares.
Dois dias após cancelar as notas destinadas à Copenhagen, o escritório de Flávio Bolsonaro emitiu outra nota fiscal, também no valor de R$ 500 mil, desta vez para a empresa Contábil Correa, referente à prestação de serviços de assessoria jurídica.
Segundo registros da Junta Comercial de São Paulo, a Contábil Correa está registrada em nome de Rogério Novo, que, cinco meses depois, assumiu a direção da Copenhagen no lugar de Artur Figueiredo.
Flávio diz que recusou contrato
Em publicação nas redes sociais, Flávio Bolsonaro afirmou que nunca recebeu recursos da Copenhagen e explicou que as notas fiscais foram canceladas porque decidiu não prestar serviços à empresa.
“Fiz um trabalho para uma empresa. Fui contratado para isso e prestei serviços advocatícios. Relação completamente legal e privada. Em outra oportunidade, eu não aceitei trabalhar para essa empresa chamada Copenhagen (…). Estou tendo que explicar porque eu não recebi o dinheiro dessa empresa. Cancelei duas notas fiscais”, declarou.
O senador afirmou que a única contratação efetivamente realizada foi com a Contábil Correa.
Trustee nega participação
Em nota enviada ao g1, a Trustee DTVM afirmou que apenas administrava o fundo Estônia Multiestratégia, investidor da Copenhagen, e que não tinha ingerência sobre as relações comerciais da empresa nem sobre eventuais negociações com o Banco Master.
A administradora também declarou que Artur Figueiredo atuava apenas como representante do fundo e não participava da gestão cotidiana da Copenhagen nem da celebração de contratos comerciais.
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