MPGO apura demora no socorro de homem que morreu após esperar duas horas por ambulância em Catalão
23 julho 2026 às 09h20

COMPARTILHAR
Uma apuração aberta pelo Ministério Público de Goiás (MPGO) vai investigar a demora no atendimento a Rafael Vinícius Silva de Souza, que morreu após passar cerca de duas horas aguardando por uma ambulância na porta de casa, em Catalão, no Sudeste de Goiás. O procedimento vai apurar a atuação do Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Goiás (CBMGO) e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) no caso.
Segundo o comandante em exercício do Corpo de Bombeiros em Catalão, major Aurério Martins, a corporação vai prestar todas as informações solicitadas pelo Ministério Público ao longo do procedimento.
Após o caso, o Corpo de Bombeiros também realizou, nesta quarta-feira, 22, uma vistoria em diferentes regiões de Catalão para verificar o funcionamento do número de emergência 193. As equipes percorreram bairros mais afastados e fizeram testes para identificar se as chamadas estavam sendo completadas e direcionadas à central da corporação. “Já houve situações em que a gente realmente tentou ligar nós mesmos e o telefone 193 não foi acionado, a ligação ficou muda. Se tiver acontecido alguma coisa nós tomaremos as providências necessárias”, afirmou o comandante.
Em nota enviada ao Jornal Opção, o CBMGO informou que, durante a noite do dia 20 de julho, “manteve o atendimento ininterrupto a diversas ocorrências de resgate pré-hospitalar em sua área de atuação”. Ainda de acordo com o comunicado, por volta das 22h43 daquele dia, a corporação foi acionada para atender a uma ocorrência de um homem que teria desmaiado na rua. No entanto, ao chegarem ao local, os bombeiros constataram que a vítima já estava morta.
Diante da situação, foram acionadas a Polícia Militar e o Serviço de Verificação de Óbito (SVO), responsáveis pelos procedimentos legais cabíveis. Segundo os bombeiros, Rafael não portava documentos de identificação. “O Corpo de Bombeiros Militar de Goiás lamenta profundamente o desfecho da ocorrência e reafirma seu compromisso permanente com a preservação da vida, atuando de forma técnica, responsável e ininterrupta no atendimento às emergências da população, mantendo suas equipes mobilizadas para atender as diversas demandas de socorro registradas na região”, informou a corporação.
Sobre uma possível falha no registro de chamadas destinadas ao número 193, o CBMGO esclareceu que a gestão e o funcionamento das redes de telecomunicações são atribuições das operadoras de telefonia e dos órgãos reguladores competentes. A corporação afirmou, porém, que já adotou as medidas cabíveis e que vai acompanhar as investigações conduzidas pelos órgãos responsáveis para o esclarecimento dos fatos.
Suspeita sobre causa da morte
A causa da morte de Rafael Vinícius ainda não foi confirmada. Segundo informações divulgadas pela TV Anhanguera, o Instituto Médico Legal (IML) apontou uma suspeita de overdose, mas a conclusão depende de exames laboratoriais.
A Polícia Civil informou que aguarda o resultado do laudo cadavérico para avaliar a necessidade de abertura de uma investigação sobre a morte.
O corpo de Rafael foi velado por cerca de duas horas, entre as 17h e as 19h desta quarta-feira, 22, antes de ser transportado para Belém, no Pará, cidade natal dele e onde vivem os familiares.
O MPGO deve analisar as circunstâncias do atendimento prestado ao homem e as possíveis dificuldades enfrentadas para acionar os serviços de emergência. A apuração deverá esclarecer, entre outros pontos, o funcionamento dos canais de atendimento e a atuação das equipes responsáveis pelo socorro.
Leia também: Ex-gerente do Itaú é preso suspeito de desviar R$ 5 milhões de clientes em Goiânia e DF



