Entenda o projeto que visa facilitar o acesso do transporte público de pessoas com deficiência em Goiânia

A ideia do projeto surgiu depois de uma amizade entre o vereador Lucas Kitão com o jornalista Rafael Campos.

No começo do ano foi anunciado que os ônibus do transporte público de Goiânia teriam uma nova tecnologia de reconhecimento facial nas catracas. De primeira, a novidade foi bem recebida, afinal é um avanço para o transporte coletivo em relação a tecnologia e segurança. Contudo, essa mudança pode não ser tão benéfica para todo cidadão goiano que utiliza esse meio de locomoção. Como é que ficam as pessoas com deficiência ou de baixa estatura? Será que essa mudança também foi um avanço para elas?

Para o jornalista e pessoa com nanismo, Rafael Campos, 24, a resposta é não. Para ele, claramente, essa atualização foi feita sem pensar em condições especiais, como a dele. “Agora que foi feito as catracas com reconhecimento facial ficou praticamente impossível da gente colocar nossos passaportes nos validadores destes ônibus coletivos”, contou. Não só pessoas com deficiência terão essa dificuldade, mas também pessoas de baixa estatura. Infelizmente, a cidade de Goiânia ainda pensa muito pouco na questão de acessibilidade quando o assunto é espaço/locomoção pública. Rafael conta que sua dificuldade de pegar um ônibus começa ao entrar nele “desde de quando a gente entra no ônibus, com as escadas, porque muitas vezes o ônibus para fora do acostamento ou longe da calçada, e isso acaba agravando mais ainda o acesso aos ônibus”, conta.

Foi há pouco tempo que o nanismo foi considerado deficiência física no Brasil, em 2004. Por conta disso, a comunidade de nanismo ainda está em um processo para conseguir dar mais voz as suas pautas e conseguir respeito. Rafael Campos, que também faz parte da Associação de Nanismo Brasil, conta que ainda hoje a pessoa com nanismo ainda é vista “como comicidade, com um lado mais pejorativo” e que só agora, com a visibilidade, eles estão conseguindo seus direitos. Por isso, Rafael sempre tentou levar os desafios de sua comunidade para quem pudesse ajudar nessa luta. Nessa sua caminhada, ele conseguiu chegar até o vereador Lucas Kitão (PSL).

Em 2018, Rafael foi estagiar como jornalista na Câmara Municipal de Goiânia no gabinete do vereador Kitão e já no início de seu estágio teve que lidar com preconceitos, contudo foi acolhido pelo vereador. “Eu passei por uma situação de preconceito dentro do estágio e o Lucas Kitão foi quem me acolheu, me mostrando que ele queria entender mais sobre o nanismo, entender mais sobre a minha deficiência física, entender mais sobre os meus anseios dentro da Câmara Municipal”, conta o jornalista. Para Rafael foi muito importante a forma como o vereador o ouviu desde o inicio, mostrando que “ele conseguiu ver além da deficiência física”.

Com a proximidade profissional e de amizade que surgiu nos dias de trabalho com o vereador, Rafael decidiu contatá-lo sobre o problema do transporte público. “Quando eu vi que ele queria me apoiar em pautas muito benéficas eu contatei o Lucas e falei ‘olha Lucas a gente tem um probleminha aqui no transporte coletivo e o que você acha de a gente dar visibilidade a isso?'”, lembra Rafael. Foi assim que surgiu o projeto de lei que visa adaptar esses veículos coletivos com catracas e validadores acessíveis para pessoas com nanismo, de baixa estatura, idosos e outros tipos de deficiência.

O projeto de lei, que se aprovado será chamado Lei Rafael Campos, foi apresentado no dia 10 de Junho na Câmara Municipal pelo vereador. “É uma coisa que precisa ser adequado, é uma coisa simples, mas que faz uma diferença. Muitos (cidadãos com deficiência) acabam se afastando do transporte coletivo, acabam se isolando em casa, justamente por passar essas dificuldades, essas inconveniências” declarou o vereador. Lucas Kitão ainda disse que sabe que é “uma corrida difícil porque o transporte é para região metropolitana como um todo, mas é o início, a gente quer que a discussão seja iniciada”.

Esse projeto foi uma ação muito importante para pessoas com nanismo. Como mesmo disse Rafael, “deu visibilidade a tantas pessoas, a uma comunidade e também deu visibilidade a outras cidades, outros Estados, para também darem o seu pontapé, para que possa ser criada outras leis em prol da comunidade com nanismo”. O projeto agora seguirá sua tramitação na Casa.

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