Em véspera de feriado, goianienses sofrem com falta de pediatras nos Cais

Nesta sexta-feira (29/12), apenas dois profissionais trabalhavam, na única unidade que faz atendimento pediátrico

Recepção do Cais de Campinas. Pacientes esperavam há mais de cinco horas por uma consulta com pediatra | Foto: Mayara Carvalho

Na antevéspera de feriado, a falta de pediatras em Goiânia voltou a causar preocupação em muitos pais que procuraram atendimento médico para seus filhos. Em toda a cidade, apenas dois médicos trabalhavam no Cais de Campinas, fazendo o atendimento a crianças.

Em busca de uma consulta para o neto, Marlene Leão, que mora no Jardim Novo, buscou primeiro atendimento no Cais Amendoeiras. No entanto, a unidade não tem pediatras e ela foi encaminhada para o Cais de Campinas.

Chegou à unidade de saúde às 11 horas da manhã e depois de mais de cinco horas de espera ainda não tinha previsão de quando seria atendida.

Emocionada, ela desabafou: “Nem sei explicar como eu me sinto vendo meu neto de 3 anos passando mal e não conseguir uma consulta sequer. E o medo de ser alguma doença mais grave? Amanhã é sábado, aí vem feriado, Eu não tenho plano de saúde, como que meu neto fica?”

Outra goianiense, Letícia Santos também esperava há mais de 5 horas por uma consulta para a filha Elisa Vitória, de apenas um ano, que sofria com vômitos e febre alta.

“Estamos aqui esperando mas nem sabemos se vamos ser atendidos. A gente pergunta quantas pessoas tem na frente e eles falam que não podem passar essa informação. Eu vim pra cá porque me falaram que aqui era o Cais que estava sendo melhor. Se esse aqui é o melhor, eu não quero nem imaginar como estão os outros”, denuncia.

Fabiana e a filha Kállita, de 1 ano e 9 meses, chegaram à unidade de saúde às 12 horas e até as 16h30  ainda não tinham previsão de quando seriam atendidas “Eles passam outros pacientes na nossa frente, não dão informação, nos fazem de bobo mesmo”, desabafa.

Kellen Lúcia e a filha Antônia Helena aguardavam há quase cinco horas por uma consulta com pediatra no Cais de Campinas | Foto: Mayara Carvalho

Preocupada com o estado de saúde da filha,  Antônia Helena, Kellen Lúcia foi ao Hospital Materno Infantil, mas foi informada de que a unidade só atende casos gravíssimos e acabou sendo encaminhada para o Cais.

“Eu cheguei aqui às 13 horas e já me falaram que não tinha previsão de atendimento mesmo com uma criança com febre alta e vomitando sem parar. Eu tenho que aguardar, não tenho outra opção, lamentou”.

A mãe da paciente denunciou à reportagem que os profissionais do local tratam os pacientes mal. “É uma falta de educação sem tamanho. Eu me sinto frustrada, saber que a gente paga tantos impostos e na hora que a gente mais precisa ser tratado assim, arrematou”.

Jornal Opção entrou em contato com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) para obter mais informações sobre a falta de médicos pediatras na rede, mas até a publicação desta matéria, a SMS não enviou respostas.

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