Em podcast nos EUA, Eduardo Bolsonaro questiona urnas e defende que Flávio deixe o Brasil em caso de derrota para Lula
23 outubro 2026 às 16h56

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O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) defendeu que o irmão, o senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL), deixe o Brasil caso seja derrotado pelo presidente Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições, marcado para domingo, 25. A declaração foi feita nesta sexta-feira, 23, durante participação no podcast norte-americano Louder with Crowder, apresentado pelo comentarista conservador Steven Crowder.
Durante a entrevista, Eduardo também questionou a segurança das urnas eletrônicas brasileiras e criticou decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) relacionadas à adoção do voto impresso. As informações foram divulgadas pelo g1.
A possibilidade de Flávio deixar o país foi mencionada após um espectador perguntar quais seriam os planos da família Bolsonaro para ajudar o ex-presidente Jair Bolsonaro caso o senador não consiga vencer a disputa presidencial.
Inicialmente, Eduardo respondeu em tom de brincadeira que a solução seria enviar fuzileiros navais. Depois, passou a defender a saída do irmão do território brasileiro, alegando que ele poderia enfrentar investigações caso perdesse a eleição.
“Se meu irmão não ganhar, eu sou a favor de que meu irmão saia do país. Com certeza. Com certeza”, declarou.
O ex-parlamentar também mencionou uma fala atribuída a Lula durante um debate presidencial. Segundo Eduardo, o petista teria ameaçado investigar Flávio após o encerramento de seu mandato no Senado, quando ele deixaria de contar com as prerrogativas associadas ao cargo.
A manifestação ocorre a dois dias da votação que definirá o próximo presidente da República. No primeiro turno, Flávio Bolsonaro recebeu 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula alcançou 45,16%.
Questionamentos sobre as urnas
Em outro momento da conversa, Eduardo voltou a colocar em dúvida a confiabilidade do sistema eletrônico de votação utilizado no Brasil. Ele afirmou que a ausência de um registro físico individual dos votos impediria uma conferência independente dos resultados.
“O problema é que nós não usamos papel, não há contagem pública dos votos, e você precisa confiar na máquina. Nós usamos máquinas e é isso. Esse é o problema”, afirmou.
O ex-deputado também argumentou que, embora não tenha provas de irregularidades, considera que não seria possível demonstrar a inexistência de fraudes. A declaração, no entanto, não foi acompanhada de evidências que sustentassem suspeitas sobre o processo eleitoral.
O sistema eletrônico de votação brasileiro é utilizado desde 1996. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), não há registro de fraude comprovada nas urnas eletrônicas. Após o encerramento da votação, os equipamentos emitem boletins com os resultados de cada seção eleitoral, que podem ser consultados publicamente e comparados com os dados divulgados pela Justiça Eleitoral.
Eduardo também criticou o STF por decisões contrárias à implementação do voto impresso. O Congresso Nacional aprovou medidas relacionadas ao tema em 2002, 2009 e 2015. A primeira foi posteriormente revogada pelo Legislativo, enquanto dispositivos das outras duas foram considerados inconstitucionais pelo Supremo, sob o entendimento de que poderiam comprometer o sigilo do voto.
Condenação e permanência nos Estados Unidos
Eduardo Bolsonaro vive nos Estados Unidos desde 2025. Em dezembro daquele ano, perdeu o mandato de deputado federal após a Mesa Diretora da Câmara reconhecer o excesso de ausências às sessões legislativas.
Em junho de 2026, o ex-parlamentar foi condenado por unanimidade pela Primeira Turma do STF pelo crime de coação no curso do processo. A pena estabelecida foi de quatro anos e dois meses de prisão, em regime inicial semiaberto.
Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), Eduardo atuou junto ao governo norte-americano para incentivar medidas de pressão contra o Brasil, incluindo tarifas comerciais e restrições de vistos a autoridades brasileiras. Para o STF, essas iniciativas tinham como objetivo interferir no julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no processo relacionado à tentativa de golpe de Estado.
A condenação transitou em julgado em 3 de outubro, encerrando a possibilidade de apresentação de novos recursos. Posteriormente, o ministro Alexandre de Moraes determinou o início do cumprimento da pena, a expedição de mandado de prisão e o cancelamento dos passaportes brasileiros do ex-deputado.
Apesar da situação judicial, Eduardo continua participando de debates políticos nos Estados Unidos e manifestando apoio à candidatura presidencial do irmão.
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