Em entrevista, Kátia Abreu anuncia que vai acabar com o monopólio das exportações de carnes

Nova ministra da Agricultura garantiu à Folha que uma das prioridades será tirar a hegemonia dos grandes frigoríficos do Brasil: ” Vamos ampliar as possibilidades” 

Ministra Kátia Abreu durante posse nesta segunda-feira (5/1) | Valter Campanato/Agência Brasil

Ministra Kátia Abreu durante posse nesta segunda-feira (5/1) | Valter Campanato/Agência Brasil

A recém-empossada ministra da Agricultura, Kátia Abreu, concedeu nesta segunda-feira (5/1) uma entrevista ao jornal Folha de São Paulo, na qual garantiu que vai aumentar o leque de indústrias exportadoras brasileiras — principalmente no bilionário mercado de carnes. De acordo com a goiana, que foi reeleita senadora pelo PMDB do Tocantins nas eleições do ano passado, a missão é “ampliar as possibilidades” dos importadores.

Uma das principais reclamações apontadas por ela ao jornal é justamente a insatisfação de grandes países, como China e Rússia, que “não querem ficar na mão de JBS, Marfrig e Minerva [os maiores frigoríficos do país]”. No entanto, reconhece que tal medida desagradaria os gigantes: “Eu não posso focar o privilégio de alguns em detrimento dos demais”.

Aparentemente tranquila, Kátia Abreu garantiu à Folha que não está preocupada com 2015. Segundo ela, as commodities de alimentos podem até ter uma queda de preços, mas não acredita em uma alteração no volume das exportações.

“As pessoas têm que comer”, resumiu ela. Além disso, descartou qualquer atrito com Joaquim Levy (ministro da Fazenda). “O setor do agronegócio é tão consolidado e dá respostas tão rápidas que é perigoso até ele me dar mais do que peço”, explicou.

A nova ministra endureceu o discurso quando o assunto foi o Movimento Sem Terra, sustentando que vai buscar o diálogo, mas a política será “condenar invasão, sempre”. Sobre a demarcação de terras indígenas, ela confirmou que não tem problema com o tema, mas “implica” com a legalidade das mesmas.

“Se a presidenta entender que os pataxós estão com a terra pequena, arruma dinheiro da União, compra um pedaço de terra para eles e dá. Ótimo. Eu só não posso é tomar terra das pessoas para dar para outras”, arrematou.

Ainda no assunto, a reportagem questionou-a se “os índios não haviam tido suas terras tomadas também”. Em resposta, Kátia foi curta e grossa: “Então vamos tomar o Rio de Janeiro, a Bahia. Por que [o raciocínio] só vale em Mato Grosso do Sul? O Brasil inteiro era deles. Quer dizer que nós não iríamos existir”.

Uma resposta para “Em entrevista, Kátia Abreu anuncia que vai acabar com o monopólio das exportações de carnes”

  1. Avatar Neusimar Coelho disse:

    Gostei do discurso da ministra: curto, grosso e objetivo. Nós todos somos índios, latifundiários e sem terra. Portanto, ninguém é melhor do que ninguém e todos temos direitos e obrigações.

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