Em delação premiada, Palocci diz que PT gastou R$ 1,4 bilhão em campanhas de Dilma

Imprensa teve acesso as informações do ex-ministro da Casa Civil depois que o juiz Sérgio Moro retirou parte do sigilo sobre o processo nesta segunda-feira (1º). Confira

Antonio Palocci | Foto: reprodução

Depois que o juiz Sergio Moro retirou o sigilo de parte do acordo de delação do ex-ministro petista Antonio Palocci no processo da Operação Lava Jato, nesta segunda-feira (1º/10), em acordo firmado com a Polícia Federal no fim de abril deste ano, foi divulgado à imprensa nacional que nas duas últimas campanhas presidenciais do PT para eleger Dilma Rousseff, teriam sido investidos R$ 1,4 bilhão. O valor representa mais do que o dobro do que havia sido declarado oficialmente à Justiça Eleitoral.

Em parte do depoimento que teve sigilo retirado divulgado pelo jornal O Globo, Palocci, que atuou nas campanhas petistas como interlocutor do setor empresarial para a arrecadação financeira, afirmou que as campanhas de Dilma foram amplamente abastecidas com caixa dois e que empresários contribuíam esperando benefícios em troca. “Mesmo nas doações oficiais, a origem da maior parte do dinheiro vinha de acertos ilícitos de propina”, consta.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acusado de receber propina da Odebrecht, segundo o ex-ministro da Casa Civil, esteve sempre ciente de tudo, assim como Dilma, chegando a indicar o engenheiro Paulo Roberto Costa à Diretoria de Abastecimento da Petrobras para facilitar ações ilícitas.

Sobre as duas campanhas de Dilma, Palocci alegou que elas custaram, em 2010 e 2014, “aproximadamente, 600 e 800 milhões de reais, respectivamente”. Porém, nas prestações de contas oficiais, os valores oficialmente declarados de custo dessas campanhas foram de R$ 153 milhões e R$ 350 milhões, respectivamente.

Também envolvendo o Congresso Nacional, o ex-ministro declarou sem muitos detalhes que havia um esquema de venda de medidas provisórias durante o governo dos petistas envolvendo tanto o Poder Executivo como o Legislativo.

No depoimento, ele afirmou que “a prática de venda de emendas se tornou corriqueira, particularmente na venda de emendas parlamentares para medidas provisórias vindas dos governos, casos em que algumas MPs já contam com algum tipo de vício destinado a atender financiadores específicos e saem do Congresso Nacional com a extensão do benefício ilícito a diversos outros grupos privados”. Palocci estimou que das mil medidas provisórias editadas nos quatro governos do PT, em pelo menos novecentas houve propina.

Em uma das últimas falas de Palocci em sua delação com sigilo retirado, ele assinalou que “os partidos se corrompem quando passam a integrar o governo” e “quanto maior o tempo de governo, maior é o nível de corrupção; que mesmo após deixarem o governo e passarem a compor oposição, o partidos continuam com práticas corruptas”.

Histórico

Antonio Palocci está preso desde setembro de 2016. Condenado a 12 anos e dois meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, o ex-ministro está detido na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba e teve 2/3 da sua pena perdoados com a possibilidade de “perdão judicial”.

Outras informações sobre o depoimento da delação de Palocci, assinada com a Polícia Federal e homologada em junho pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, permanecem sob sigilo.

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