Em defesa da união dos estados, Marconi ganha força política nacional

Em tempos de crise, agenda positiva empunhada pelo tucano de Goiás tem se tornado referência para outros governadores 

Marconi participa de reunião com governadores e o presidente Michel Temer: dívida dos estados em pauta | Foto: André Broges/ Agência Brasília

Marconi participa de reunião com governadores e o presidente Michel Temer: dívida dos estados em pauta | Foto: André Broges/ Agência Brasília

Desde a reeleição da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), em 2014, o Brasil viveu um ano e meio em uma espécie de limbo político-administrativo. Com o aprofundamento da crise econômica, uma gestão inviabilizada e sucessivos escândalos de corrupção envolvendo toda a classe política, a petista acabou se tornando inimiga número um do Congresso Nacional.

O descrédito de todas as esferas acabou deixando os cidadãos brasileiros órfãos de um representante político em âmbito nacional, não foi diferente para os chefes das unidades federativas do país. Enfrentando localmente o declínio financeiro do Brasil, como nunca antes vivenciado na história , governadores se depararam com uma nova realidade: a de lidar com a ausência quase completa de investimentos da União nos estados e o ascendente abandono político potencializado pelo processo de impeachment.

Foi em meio a esse cenário que a figura do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), ganhou destaque e projeção nacional.

Diante da estagnação que assolou o país, o tucano goiano decidiu realizar uma verdadeira cruzada para reagrupar os governadores e defender suas causas. Foi vanguardista ao promover a maior reforma administrativa — reconhecida por todos os grandes veículos de comunicação –, com redução de cargos, secretarias e despesas.

Além disso, a criação do Consórcio Interestadual de Desenvolvimento do Brasil Central (BrC), em 2015, foi um marco para a região. O Fórum de Governadores reúne representantes dos Estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Tocantins e Distrito Federal. E são crescentes as conversações para adesão de outras unidades federativas ao bloco.

No fim deste ano, o BrC se consolidou como instituição de referência para o país em áreas prioritárias de desenvolvimento conjunto entre os estados brasileiros. Temas importantes, como a renegociação das dívidas e um novo Pacto Federativo, foram inseridos na pauta do bloco de governadores — presidido por Marconi Perillo — e levados para discussão com a Presidência da República.

Grande acontecimento do fim de 2016, em 22 de novembro, 23 governadores estiveram no Palácio do Planalto para um encontro de mais de duas horas com o presidente Michel Temer (PMDB) e sua equipe econômica. Em uma iniciativa inédita, o goiano foi um dos líderes do grupo na audiência.

Em seus discursos, Marconi tem sido enfático ao defender que os estados não podem ficar presos apenas aos problemas conjunturais. De acordo com ele, é necessária a preocupação com medidas estruturantes, de longo prazo, que vão perpassar os atuais governos, garantindo sustentabilidade financeira aos próximos gestores para que estes possam pagar os benefícios de aposentadoria, os salários em dia, as despesas correntes e, principalmente, terem garantia de recursos para investimentos.

Marconi discursa durante Ceal | Foto: Marco Monteiro

Marconi discursa durante Ceal | Foto: Marco Monteiro

Em novembro, o governador de Goiás participou de evento realizado pelo Conselho Empresarial da América Latina (Ceal), em São Paulo, que reuniu as principais lideranças empresarias do país, além de autoridades políticas, como o ex-presidente da Repú­blica Fernando Henrique Cardoso e o ministro das Cidades, Bruno Araújo (ambos do PSDB). Na ocasião, além de apresentar o Programa de Ajuste Fiscal (PSF) implementado em Goiás como medida de enfrentamento à crise econômica nacional, informou à plateia que todos os 27 governadores brasileiros decidiram criar um fórum dos governadores à semelhança do Brasil Central.

Marconi tem cavado espaço político nacional e encabeça rotineiramente reuniões políticas e administrativas com chefes dos Executivos estaduais. Em tempos de crise, a agenda proposta pelo tucano tem sido vista como referência. Enquanto outros amargam desprestígio, com “pautas-bomba” e radicalismos, a parcimônia tem sido a garantia do sucesso goiano.

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