Em crise, PT lança um terço dos candidatos que tinha na última eleição em Goiás

Levantamento mostra que partido da presidente afastada Dilma Rousseff só terá candidatura própria em quatro das 30 maiores cidades do Estado. Em 2012, eram 11

Petistas que disputam maiores cidades de Goiás: João Gomes, em Anápolis; Adriana Accorsi, em Goiânia; e Roberto Martins, em Valparaíso

Petistas que disputam maiores cidades de Goiás: João Gomes, em Anápolis; Adriana Accorsi, em Goiânia; e Roberto Martins, em Valparaíso

Com o iminente impeachment da presidente eleita Dilma Rousseff e as sucessivas denúncias que ligam o Partido dos Trabalhadores a escândalos de corrupção, as candidaturas próprias do PT diminuíram consideravelmente em todo o País.

De acordo com levantamento, a legenda que comanda o Brasil desde 2003 terá 1.135 candidatos a prefeito nas eleições de outubro — 35,5% a menos que no último pleito, quando eram 1.759 candidatos petistas. O número é, inclusive, o menor em 20 anos.

Em Goiás, dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que, nas 30 maiores cidades, apenas quatro candidatos petistas disputarão prefeituras. O número é 63% menor que o de 2012, quando o PT registrou 11 prefeitáveis naqueles municípios.

Em Goiânia (capital do Estado e mais populoso município), a deputada estadual Adriana Accorsi foi a escolhida para disputar a sucessão do atual prefeito petista, Paulo Garcia. Ela aparece em quarto lugar nas recentes pesquisas divulgadas, com um dígito de intenções de voto.

Na segunda maior cidade, Aparecida de Goiânia, o PT desistiu de candidatura própria e preferiu caminhar com o PMDB do vereador Gustavo Mendanha.

Em Anápolis, o atual prefeito, João Gomes, luta para se reeleger, em uma disputa contra duas “pedreiras” da oposição: o tucano Carlos Antônio e o democrata Pedro Canedo. Em Formosa, onde o Professor Mirim tentará superar o favoritismo do candidato peemedebista, deputado Ernesto Roller. O quarto candidato é também do Entorno: Roberto Martins, de Valparaíso de Goiás.

De lá para cá

Atual prefeito da capital e a presidente Dilma Rousseff na entrega do aeroporto de Goiânia | Foto: Renan Accioly/Jornal Opção

Atual prefeito da capital e a presidente Dilma Rousseff na entrega do aeroporto de Goiânia | Foto: Renan Accioly/Jornal Opção

Em 2012, quando a presidente Dilma Rousseff experimentava a maior aprovação da história, o partido conseguiu eleger três prefeitos nas 30 maiores cidades goianas: Paulo Garcia, na capital; Antônio Gomide, em Anápolis; e Lucimar Nascimento, em Valparaíso de Goiás.

Contudo, com a crise econômica e política que tem dominado o cenário do País nos últimos dois anos, pode ser que o partido não consiga ser bem sucedido nem em Anápolis — mesmo com “a máquina nas mãos”, o atual prefeito não conseguiu herdar a popularidade de seu antecessor e aparece empatado tecnicamente com os outros dois candidatos.

Em Goiânia, apesar de ser uma parlamentar combativa, íntegra e de qualidade, além de uma candidata com conteúdo (tem propostas que vão além da segurança pública), Adriana Accorsi enfrenta a grande rejeição ao PT e também à atual administração. Ela foi a segunda deputada estadual mais bem votada na cidade em 2014, mas ainda não conseguiu ultrapassar os 10% nas pesquisas.

A prefeita Lucimar Nascimento é, talvez, a maior decepção da política do Entorno do Distrito Federal. Eleita em 2012 como uma grande revelação, a professora derrotou a então prefeita Lêda Borges, do PSDB do governador Marconi Perillo, em uma disputa acirrada. Com propostas arrojadas e o discurso do combate à corrupção, a petista não conseguiu cumprir as promessas de campanha e, de tão mal avaliada, nem sequer disputa a reeleição — colocou um aliado, Roberto Martins.

Porém, não é só decepção. O PT tem boas chances de vitória na Cidade de Goiás, por exemplo. Na primeira capital do Estado, a prefeita Selma Bastos, apesar de ter tido alguns tropeços, chega na disputa de 2016 de bem com a população e, a despeito do desgaste do partido, é apontada como favorita.

Os motivos? Primeiro porque conseguiu milhões de reais em recursos para obras na cidade — em parceria com o governo federal da presidente Dilma Rousseff, em especial por meio do PAC Cidades Históricas. Segundo porque mantém uma relação de amizade — não só republicanismo — com o governador Marconi Perillo, que também contribuiu com recursos.

PT em 2012 PT em 2016
Goiânia – Paulo Garcia
Anápolis – Antônio Gomide
Rio Verde – Karlos Cabral
Águas Lindas de Goiás – Tullio
Valparaíso de Goiás – Professora Lucimar
Catalão – Álvaro da Aducat
Planaltina de Goiás – Enilson Kuru
Caldas Novas – Evando da Cruz
Cidade Ocidental – Luiz Gonzaga Filho, o Lula
Mineiros – Dra. Ivane
Itaberaí – Carlos Orlando, Ratinho
Goiânia – Adriana Accorsi
Anápolis – João Gomes

Valparaíso de Goiás – Roberto Martins
Formosa – Professor Mirim

PT, pero no mucho

A Folha de S. Paulo publica, neste sábado (27/8), uma matéria que mostra como candidatos do PT por todo o País têm tentado “esconder” o nome, a estrela símbolo e as cores do partido em suas propagandas de campanha.

Por aqui, a candidata de Goiânia Adriana Accorsi manteve a estrela vermelha (mesmo que pequena), mas optou por usar o roxo e o branco (símbolo da paz, nome de sua coligação) nos materiais. É preciso destacar que na primeira propaganda eleitoral, ela disse que é “deputada estadual pelo Partido dos Trabalhadores”.

Em Anápolis, João Gomes manteve o vermelho, mas sem estrela, e adicionou o verde e o amarelo ao material. Não há “PT” visível, só na coligação. O mesmo aconteceu na cidade de Goiás, Selma Bastos aparece com o 13 em vermelho e branco, mas o material é roxo e amarelo.

Só mesmo em Valparaíso que Roberto Marinho levantou a bandeira do partido: o material é em vermelho e branco, com a estrela e a sigla do PT.

Veja abaixo:

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Com a palavra: o PT

Jornal Opção tentou contato durante todo o sábado com o presidente estadual do Partido dos Trabalhadores, Ceser Donisete, mas não obteve sucesso. Tentamos, ainda, o deputado estadual e presidente Metropolitano do partido, Luis César Bueno. Também sem resposta.

Vale destacar que a análise da reportagem é sobre as 30 maiores cidades do Estado e pode não refletir o quadro dos 246 municípios goianos.

 

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