Pelo menos sete políticos citados ou relacionados a episódios investigados no âmbito da Operação Compliance Zero e do caso Banco Master conseguiram garantir vagas no Congresso Nacional nas eleições de 2026.

Entre eles está Nikolas Ferreira (PL), reeleito deputado federal por Minas Gerais com 3.119.318 votos, a maior votação para a Câmara no estado. O parlamentar foi citado em apurações envolvendo contatos com o banqueiro Daniel Vorcaro relacionados à negociação de ativos minerários.

Outro nome é o senador Jaques Wagner (PT), reeleito pela Bahia com 3.907.885 votos, considerando a apuração de 98,4% das urnas divulgada pela Agência Senado. Wagner foi alvo da Operação Compliance Zero e é investigado pela Polícia Federal por supostos pagamentos relacionados ao Banco Master. O parlamentar nega irregularidades e afirma que provará sua inocência na Justiça.

Também garantiu uma cadeira no Congresso o presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda. Ele foi eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro com 146.992 votos, em sua primeira disputa por uma vaga no Legislativo. Rueda admitiu ter prestado serviços jurídicos ao Banco Master e ao empresário Daniel Vorcaro entre 2023 e 2024, juntamente com a irmã, Maria Emília de Rueda.

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), também conseguiu renovar o mandato pela Paraíba, com 124.336 votos. Mensagens atribuídas a Motta e Vorcaro divulgadas durante as investigações indicaram proximidade entre os dois. Entre os episódios revelados estão encontros em viagens internacionais e um empréstimo de pelo menos R$ 22 milhões concedido pelo Banco Master a Bianca Medeiros, cunhada do parlamentar.

Elmar Nascimento (União Brasil) foi outro parlamentar reeleito. O deputado conquistou mais um mandato pela Bahia com 134.235 votos. Ele foi citado nas investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF) sobre as relações entre políticos e o Banco Master. Segundo as apurações, o parlamentar teria atuado na viabilização de empréstimos da instituição financeira a nomes ligados ao Centrão.

Em São Paulo, Mário Frias (PL) foi reeleito deputado federal com 91.403 votos. O parlamentar aparece nas apurações relacionadas às articulações para obtenção de empréstimos destinados à produção do filme sobre Jair Bolsonaro, Dark Horse. Frias também destinou R$ 2 milhões em emendas parlamentares ao Instituto Conhecer Brasil, entidade envolvida no projeto do filme.

Por fim, o ex-ministro da Casa Civil Rui Costa (PT) foi eleito senador pela Bahia. Com 98,4% das urnas apuradas, ele somava 4.252.226 votos, equivalentes a 30% dos votos válidos, liderando a disputa pelas duas vagas do estado.

As apurações relacionadas a Rui Costa se concentram em negócios realizados durante seu período como governador da Bahia, incluindo a privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal) e operações envolvendo o Credcesta. As transações passaram a ser analisadas devido às relações de seus compradores com Daniel Vorcaro e com a estrutura empresarial que posteriormente deu origem ao Banco Master.

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