A Câmara Municipal de Goiânia convocou para o próximo sábado, 10, às 9 horas, a sessão especial que vai eleger a nova Mesa Diretora do Legislativo para o segundo biênio da 20ª Legislatura, entre 1º de janeiro de 2027 e 31 de dezembro de 2028. A convocação ocorre após uma semana de intensas articulações entre os vereadores.

A eleição definirá o presidente da Câmara, quatro vice-presidentes, cinco secretários e dois vice-presidentes corregedores. A votação será aberta e realizada individualmente para cada cargo.

Também serão definidos os presidentes e integrantes das 22 Comissões Permanentes da Casa, além do Conselho de Ética e das ouvidorias de Combate a Crimes Raciais e da Mulher.

A convocação precisa respeitar o prazo mínimo de 48 horas previsto no Regimento Interno da Câmara.

Thialu concentra apoios

A eleição chega à reta final com o vereador Thialu Guiotti (Avante) em vantagem nas articulações internas. Conforme apuração do Jornal Opção, o parlamentar havia reunido 26 assinaturas até quarta-feira (7) para viabilizar sua candidatura.

No início da semana, a disputa estava concentrada entre Guiotti e Ronilson Reis (Solidariedade). O segundo reunia vereadores ligados a um grupo de oposição ao prefeito Sandro Mabel (União Brasil), enquanto Guiotti contava com o apoio do grupo do atual presidente da Câmara, Romário Policarpo (Cidadania).

A articulação para uma candidatura de consenso ganhou força após reuniões entre vereadores, Mabel e lideranças políticas. Segundo o Jornal Opção, o grupo de Guiotti passou a reunir integrantes da base do prefeito, aliados de Policarpo e nomes ligados ao presidente da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), Bruno Peixoto (União Brasil).

Na terça-feira (6), Guiotti se reuniu com 22 vereadores para discutir a composição da próxima Mesa. O vereador afirmou ter apoio de Mabel, do governador Daniel Vilela (MDB) e de Bruno Peixoto, mas destacou que a decisão final caberia aos parlamentares.

Eleição ocorre após disputa interna

As articulações para a sucessão de Policarpo começaram meses antes da votação. Em julho, o atual presidente havia orientado integrantes de seu grupo a deixar as discussões sobre a Mesa para depois das eleições de outubro. Na ocasião, pelo menos três vereadores já haviam manifestado interesse em disputar o comando da Casa.

Ao longo do ano, nomes como Thialu Guiotti, Henrique Alves e Ronilson Reis apareceram nas articulações. Geverson Abel também chegou a ser cotado, mas posteriormente deixou a disputa.

A composição da nova Mesa ganhou importância adicional depois das eleições de 2026, que alteraram a composição da Câmara a partir de 2027. Dos 37 vereadores atuais, 17 disputaram outros cargos no pleito deste ano. Sete foram eleitos: seis para a Assembleia Legislativa e um para a Câmara dos Deputados. Eles deixarão o Legislativo municipal no início do próximo ano, abrindo espaço para suplentes.

Entre os eleitos está o próprio Romário Policarpo, que assumirá o mandato de deputado estadual em 1º de fevereiro de 2027.

Comissões são parte estratégica da disputa

Além da Presidência, a definição das 22 comissões permanentes está entre os principais pontos das negociações. A Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR), a Comissão Mista e a Comissão de Finanças, Orçamento e Economia têm peso relevante na tramitação das propostas encaminhadas ao Legislativo.

A CCJR analisa a constitucionalidade e a legalidade dos projetos antes que eles avancem no processo legislativo. Já a Comissão Mista participa da análise de matérias que envolvem diferentes áreas e do Orçamento municipal.

Segundo apuração do Jornal Opção, a composição dos colegiados também é alvo das negociações entre os grupos que articulam a eleição da nova Mesa. A expectativa é que a próxima configuração tenha influência direta sobre a relação entre a Câmara e a Prefeitura na segunda metade do mandato de Mabel.

A Câmara aprovou, em julho, a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2027, que prevê receita e despesas de R$ 11,4 bilhões para Goiânia. O Legislativo também incluiu no texto previsão de recursos para o pagamento de emendas parlamentares impositivas.

Saída de Policarpo encerra ciclo de quatro mandatos

A eleição também marca a saída de Romário Policarpo do comando da Câmara após quatro mandatos consecutivos. A recondução para o atual período ocorreu em janeiro de 2025, quando sua chapa foi eleita por unanimidade.

O atual presidente deixa a Câmara para assumir uma cadeira na Assembleia Legislativa em 2027. A trajetória de quatro mandatos consecutivos à frente do Legislativo municipal é considerada inédita na história recente da Casa.

Durante sua gestão, a Câmara implantou mudanças na estrutura de comunicação e funcionamento do Legislativo, entre elas a disponibilização da TV Câmara em canal aberto, um novo sistema de votação em plenário e a integração de auditórios e salas de reuniões à estrutura da emissora.

A Casa também recebeu o Selo Ouro do Programa Nacional de Transparência Pública (PNTP), da Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon).

A nova Mesa terá pela frente os dois últimos anos do atual mandato municipal, período em que devem avançar projetos da Prefeitura e discussões relacionadas ao orçamento, obras, legislação urbana e políticas públicas para Goiânia.

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