Maria Regina Costa, de 61 anos, foi estuprada e morta após ser seguida por um homem quando voltava para casa, em Nerópolis, na Região Metropolitana de Goiânia. Segundo a Polícia Civil, o suspeito, identificado como Gilberto Pessoa Limeira, abordou a mulher nas proximidades da residência dela e a levou para um terreno baldio, onde permaneceu por mais de 40 minutos. Ele foi preso horas depois e já havia sido condenado por feminicídio no Pará. O homem deve passar por audiência de custódia ainda nesta segunda-feira, 7.

O crime ocorreu na noite de sábado, 5. Maria Regina havia passado por um bar, onde, segundo a investigação, conheceu Gilberto. Por volta das 21 horas, ela deixou o estabelecimento sozinha e iniciou o caminho de volta para casa. O homem teria esperado alguns minutos antes de segui-la.

Imagens de câmeras de segurança foram fundamentais para a investigação. Os registros mostram Gilberto se aproximando da vítima quando ela já estava perto de casa. Depois de uma breve conversa, ele teria puxado Maria Regina para dentro de um terreno baldio.

Segundo o delegado André Fernandes, o suspeito permaneceu no local por mais de 40 minutos. Nesse período, conforme a investigação, a mulher sofreu violência física e sexual e acabou morrendo. O corpo foi encontrado na manhã de domingo, 6, seminu.

“Ela lutou muito pela vida. Ele está todo lesionado, ferido, arranhado. São cenas muito impactantes”, afirmou o delegado ao Jornal Opção.

As marcas no corpo do suspeito ajudaram a polícia a compreender a dinâmica do crime. Gilberto apresentava diversos arranhões, principalmente na região do pescoço. Para os investigadores, os ferimentos teriam sido provocados por Maria Regina enquanto ela tentava se defender.

Suspeito foi encontrado bebendo

A identificação de Gilberto ocorreu após uma força-tarefa envolvendo as polícias Civil e Militar. Assim que o corpo foi encontrado, os investigadores passaram a analisar imagens de câmeras de segurança e a levantar informações sobre os locais frequentados pelo suspeito.

Uma equipe da Polícia Militar conseguiu localizá-lo em uma distribuidora de bebidas da cidade, na manhã de domingo. Segundo a polícia, ele estava consumindo álcool e apresentava as marcas de arranhões.

Durante a abordagem, Gilberto teria tentado se passar pelo próprio irmão. Mesmo fornecendo a identidade de outra pessoa, ele foi reconhecido e teve a prisão efetuada. Segundo André Fernandes, o suspeito confessou o crime durante o interrogatório. Ele teria afirmado que havia ingerido muita bebida alcoólica e que havia feito uma “besteira”.

A Polícia Civil, porém, encontrou outros elementos que podem ser utilizados na investigação. Um documento pertencente a Gilberto foi localizado no terreno onde Maria Regina morreu. A roupa que ele usava no momento do crime também foi apreendida e será submetida a perícia.

Condenado por feminicídio no Pará

A investigação ganhou um elemento ainda mais grave após a Polícia Civil descobrir que Gilberto já havia sido condenado por feminicídio no Pará. De acordo com o delegado, o crime anterior ocorreu em São Félix do Xingu e teria circunstâncias semelhantes ao caso de Nerópolis.

“Ele tem um histórico de feminicídio na cidade de São Félix do Xingu, no Pará”, afirmou André Fernandes.

Segundo a Polícia Civil, Gilberto estava em liberdade provisória. A nova prisão deverá ter consequências também no processo relacionado ao crime anterior.

Até o momento, não foram identificadas outras vítimas que possam estar relacionadas ao suspeito. A polícia também não encontrou registros de desaparecimentos em Nerópolis que indiquem uma possível ligação com ele.

A investigação continua com a realização de perícias e análise dos materiais apreendidos. O delegado afirmou que a Polícia Civil ainda trabalha para concluir o inquérito e encaminhar todas as provas à Justiça.

Maria Regina era conhecida na cidade

Maria Regina era conhecida pelos moradores de Nerópolis e, segundo a Polícia Civil, era descrita como uma mulher trabalhadora e de boa convivência. A morte provocou comoção entre moradores da cidade.

Para André Fernandes, a prisão do suspeito representa uma resposta à família da vítima. O delegado destacou que a investigação conseguiu esclarecer rapidamente a dinâmica do crime e identificar o responsável.

“O importante é que a polícia conseguiu dar essa resposta para a família. É o mínimo que a gente pode fazer: esclarecer o que ocorreu, prender o autor e deixá-lo à disposição da Justiça”, disse.

Gilberto foi autuado por feminicídio e estupro e recolhido ao sistema prisional de Anápolis. Em nota, a Defensoria Pública do Estado de Goiás (DPE-GO) afirmou que não comentará o caso.

Nota da DPE:

A Defensoria Pública do Estado de Goiás informa que, caso o acusado não constitua advogado, o representará durante a audiência de custódia, cumprindo seu dever legal e constitucional de garantir a defesa de pessoas que não tenham condições de pagar por um profissional particular. A Instituição ressalta que não comentará sobre o caso.

A partir disso, por se tratar de comarca onde a DPE-GO não está instalada de forma permanente, ocorre sua desabilitação no processo. Assim, será oportunizado prazo para o acusado constituir sua defesa ou para que haja nomeação pelo juízo.

Leia também

Rota do Pequi: edital aprovado pela ANTT prevê construção de Anel Viário e possível aumento de pedágio; veja o que muda