Na interpretação da especialista Greice Guerra, dada a insegurança, não há perspectiva de quedas em relação a moeda americana. Em paralelo, há espaços para novos cortes na Selic, mas mercado descarta

Dolares-Moeda estrangeira

O Dólar voltou a registrar novas altas essa semana. Apesar de uma tímida redução em seu valor de mercado nesta quarta-feira, 12, a moeda americana segue em um período de alta histórica. Os movimentos ainda são incertos e seguem pautados pela incertezas geradas pelo coronavírus (Covid-19), bem como seu enfrentamento.

Para a economista e analista de mercado, Greice Guerra, não há possibilidades de baixa, haja vista as projeções “ruins” do mercado. “Nosso PIB encolheu muito, sem contar que estamos vivendo uma recessão com tendência de piora”.

Na interpretação da especialista, a queda se justifica pela insegurança do investidor externo e interno. “Precisamos que nossas reformas sejam aprovadas o mais rápido possível. A ideia é que através disso possamos valorizar nossa moeda e nosso mercado e quem sabem, assim, cogitar um cenário mais otimista em um tempo mais curto”.

Economista e especialista de mercado, Greice Guerra / Foto: Reprodução

No entanto, se tudo for bem, Guerra estima que voltaremos ao patamar de 2019, nos em meados de 2023. “Por agora o dólar não cai. É uma moeda que tem lastro, uma moeda forte e aceita em todo o mundo. Não acredito que o dólar atinja o mesmo ápice de alguns meses atrás, até porquê os países já estão aprendendo a lidar com a pandemia já cogista-se fortemente a chegada de uma vacina, porém, é certo que a moeda continuará bastante valorizada”.

Selic em 2%

Em paralelo, recentemente o Banco Central anunciou a redução da taxa Selic – taxa básica de juros – para 2%, o que representa uma baixa histórica do percentual. Apesar da queda brusca, Guerra afirma que ainda há espaço para mais cortes.

“Essa diminuição foi inteligente. A pandemia acarretou em uma inflação baixa, haja vista que houve uma queda significativa da compra de produtos não essenciais. Então vejo que o Copom [Comitê de Política Monetária] agiu certo. Ainda há espaço para baixar mais um pouco, algo que fique em torno dos 1,5%, mas o mercado não acredita que deva acontecer, apesar de ainda não haver nenhuma decisão concreta nesse sentido”, disse.

Apesar dos índices da Bolsa Brasil Balcão (B3) registrarem uma recuperação considerável, Guerra explica que isso não significa necessariamente uma recuperação econômica. “O valor das ações caíram muito. Então muitas pessoas enxergam nesse momento uma oportunidade de compra e acabam somando ao volume de negociações. Outra questão é que, com a redução da Selic, parte dos investidores posicionados em investimentos conservadores, acabam migrando para a renda variável em busca de resultados mais expressivos. Então há uma razão para essa recuperação o Ibovespa sem que isso signifique necessariamente uma retomada econômica do nosso país”, pontuou.