Donald Trump não tem moral para reclamar de protecionismo do Brasil

Presidente dos Estados Unidos reclama de práticas que ele próprio adota

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump | Foto: Boris Baldinger/Fórum Econômico Mundial

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou, na segunda-feira (1º/10), as relações comerciais de seu país com o Brasil durante entrevista coletiva para falar do acordo fechado entre EUA, México e Canadá (USMCA) — o “novo Nafta”.

Para o republicano, o Brasil trata as empresas estadunidenses de maneira injusta. “Eles cobram de nós o que querem. Se você perguntar a algumas empresas, eles dizem que o Brasil está entre os mais duros do mundo, talvez o mais duro. E nós não os chamamos e dizemos ‘ei, vocês estão tratando nossas empresas injustamente, tratando nosso país injustamente”, disse.

Contudo, a postura de Donald Trump é, no mínimo, contraditória. Primeiro, porque os Estados Unidos tem superávit comercial nas relações com o Brasil — US$ 4,94 bilhões só nos sete primeiros meses de 2018 e US$ 90 bilhões nos últimos dez anos, de acordo com dados do governo estadunidense.

Mas o que deixa Donald Trump sem moral alguma para reclamar de protecionismo por parte do Brasil é o fato de que o próprio republicano adota práticas protecionistas — contrariando o liberalismo econômico, historicamente defendido por seu partido, e assustando as principais economias do mundo.

Em seus últimos dias como ministro da Fazenda, o hoje candidato a presidente Henrique Meirelles (MDB) fez duras críticas ao protecionismo estadunidense: “A política protecionista defendida pelo presidente Trump foi por ele proposta durante sua campanha. Ela é, na nossa opinião, negativa para os EUA e para o mundo”.

Para evitar problemas diplomáticos, O Itamaraty afirmou, em nota, que o Brasil está aberto ao diálogo e “à busca de soluções para a redução de entraves aos fluxos comerciais de parte a parte”.

As relações entre Brasil e Estados Unidos não devem ser de hostilidade e muito menos de protetorado, mas sim de parceria. A preocupação, agora, fica por conta da capacidade do próximo presidente brasileiro de cultivar este tipo de relação.

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