Dois novos casos de remissão sustentada do HIV foram anunciados nesta segunda-feira, 27, durante a 26ª Conferência Internacional sobre AIDS, realizada no Rio de Janeiro. Com os novos registros, sobe para 13 o número de pacientes no mundo que permanecem sem carga viral detectável após interromper o tratamento com medicamentos antirretrovirais.

Os pesquisadores destacam, porém, que ainda não é possível afirmar que os pacientes estejam curados. A comunidade científica prefere utilizar o termo remissão sustentada, já que ambos continuam sendo acompanhados para verificar se o vírus permanecerá controlado sem a necessidade de tratamento.

Transplantes foram realizados para tratar doenças hematológicas

Os dois pacientes passaram por transplantes de células-tronco para tratar doenças graves do sangue, como leucemia. O procedimento não foi indicado como terapia para o HIV, mas acabou contribuindo para o desaparecimento da carga viral.

Um dos casos envolve um jovem de 21 anos, diagnosticado com HIV e leucemia em 2018. Após receber um transplante de células-tronco de um doador compatível, ele interrompeu os antirretrovirais em fevereiro de 2025 e, passados 14 meses, exames continuam sem identificar o vírus no sangue.

O segundo paciente, que também convivia com hepatite B, deixou de utilizar os medicamentos há um ano. Desde então, não apresentou retorno da carga viral do HIV, embora a hepatite tenha voltado a se manifestar após a suspensão da medicação, uma vez que parte do tratamento também controlava essa infecção.

Em ambos os casos, os doadores apresentavam duas cópias da mutação genética CCR5-delta32, alteração rara que dificulta a entrada das variantes mais comuns do HIV nas células do sistema imunológico.

Casos reforçam pesquisas sobre uma possível cura

Segundo os pesquisadores, os resultados fortalecem as investigações sobre estratégias capazes de eliminar ou controlar o vírus sem a necessidade do uso contínuo de medicamentos. Ainda assim, eles ressaltam que os transplantes não podem ser considerados uma alternativa terapêutica para pessoas que vivem com HIV.

Isso porque o procedimento apresenta riscos elevados, incluindo rejeição, infecções graves e complicações potencialmente fatais, sendo indicado apenas para pacientes que já necessitam do transplante para tratar doenças hematológicas.

Remissão não significa cura definitiva

Embora os exames atuais não detectem o vírus, os especialistas explicam que ainda não existe tecnologia capaz de comprovar que todas as células infectadas foram eliminadas do organismo. O HIV pode permanecer em estado latente em tecidos como linfonodos, intestino e sistema nervoso por longos períodos.

Por esse motivo, os pacientes seguem em monitoramento e a interrupção do tratamento não deve ser feita fora de protocolos de pesquisa.

Até o momento, os antirretrovirais continuam sendo a principal estratégia para controlar a infecção. Quando utilizados corretamente, permitem que a pessoa mantenha carga viral indetectável, preserve a qualidade de vida e elimine o risco de transmissão sexual do vírus.

Pesquisadores também investigam alternativas menos invasivas, como terapias gênicas, anticorpos monoclonais e medicamentos capazes de fortalecer a resposta do sistema imunológico, na tentativa de alcançar uma cura acessível para a maior parte das pessoas que vivem com HIV.

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