Do Pop/Tecnobrega ao Pachanga Folk: veja o que rolou no Bananada

Foi-se o tempo que só o Rock se apresentava no festival. Agora tem de tudo

Banda Francisco El Hombre roubou a cena da noite | Foto: Claudio Cologni

Banda Francisco El Hombre roubou a cena da noite | Foto: Claudio Cologni

Teve paleta mexicana, pista de skate e até barbearia. O primeiro dos três dias intensos de shows do final de semana no Bananada foi marcado pelas atrações, mas ainda mais pela diversidade de sons. O Pop com influência Tecnobrega do Jaloo (Pará) foi logo no início do evento, depois do Scalene (DF). Os goianos do Bang Bang Babies abriram o evento, que foi fechado pelo Boogarins, seguido de Pato Fu, com Fernanda Takai toda de branco, em sintonia com o público.

Marcante mesmo, do cenário alternativo, foi a Francisco, El Hombre. Até porque Boogarins a gente já conhece bem. O grupo de São Paulo já havia feito um show em Goiânia, no ano passado. Teve até uma sessão de “palestra de incentivos”, com direito a abraços e beijos no final do show. “Olhe para a pessoa do seu lado, conhecido ou desconhecido, e a abrace e dê um beijo. Todos somos irmãos, sem distinção.”

Coisa do baterista e um dos vocalistas, Sebastián — que, a propósito, toca numa bateria sem pratos. Ele é irmão do Mateo, e foram os dois que deram início ao grupo, com experimentações em um quarto em Campinas (SP), para onde os mexicanos — e brasileiros naturalizados — se mudaram há 12 anos, como disseram ao Jornal Opção Online. O sotaque quase que se perdeu. O som é diferente, definido por eles mesmos como Pachanga Folk. Definição, na verdade, do amigo do grupo, Javier Barría, durante um show em Santiago, Chile. Além dos dois, tem Andrei, Juliana Strassacapa (que começou o show com uma voz de arrepiar) e o goiano Rafael Gomes.

A energia de Jaloo
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Foto: Claudio Cologni

 

Há três anos em São Paulo, o paraense Jaloo — nome artístico que veio da junção do nome e sobrenome, Jaime Melo — é diferente; é até estranho. Um pouco desafinado. Mas é autêntico. E por muito tempo ele trabalhou sozinho, até a última sexta-feira (15), quando se apresentou pela primeira vez com uma banda.

Jaime Melo teve seu primeiro computador já aos 18 anos, e começou a se dedicar aos remixes, explorados intensamente no show. Ele não gosta de ser definido como “Tecnobrega”. “Tem um pouco, é claro. Mas passa disso. É mais Pop do que Tecnobrega”, disse ao Jornal Opção Online. O artista ainda diz que percebe o preconceito quando se fala no estilo. “As pessoas já ficam com um pé atrás.”

É uma viagem. Ruim para alguns e muito boa para outros. Ele faz o que se propõe a fazer. O produtor musical Miranda, que fez as apresentações das bandas nos dois palcos, incluiu o paraense agora no selo “StereoMono”. O álbum vai sair completo em junho, mas antes disso Jaloo vai para o Primavera Sound, em Barcelona, ver a recepção do seu som no local. Dependendo, já marcam uma turnê.

As músicas divertidas de Wannabe Jalva, de Porto Alegre, vieram logo depois do Francisco, El Hombre. Os gaúchos, com um som baseado no Indie Rock, já participaram do programa da Rede Globo “SuperStar”, abriram show do Pearl Jam e tocaram no Lollapalooza. Durante o show no Oscar, rolou até um crossover que o grupo faz com On’n’On de Justice e o clássico riff de “Kashmir, do Led Zeppelin.

Ah! Teve também os gringos Allah-Las, dos EUA. O quarteto é bem compassado, com um som que remete aos anos 60, meio surf music. Gostoso de ouvir.

E é isso que marca o Bananada. A mistura de sons. Foi-se o tempo que só o Rock se apresentava no festival. Agora tem de tudo. Mas tem que ter a mente aberta, para receber.

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