Djalma Araújo avalia expulsão de Tayrone e Felisberto: “equivocada, autoritária e puro capricho do prefeito”

Vereador e ex-militante do PT questiona incoerências do partido, garantindo que decisão do Diretório Metropolitano foi retaliação de Paulo Garcia

Djalma Araújo (SD) critica expulsão de Tayrone e Felisberto | Foto: Francisco Cardoso / Câmara

Djalma Araújo (SD) critica expulsão de Tayrone e Felisberto | Foto: Francisco Cardoso / Câmara

O vereador Djalma Araújo (SD) classificou a expulsão dos vereadores Tayrone di Martino e Felisberto Tavares na noite da última sexta-feira (30/1) como “um retrocesso na construção do PT” em Goiânia. Para ele, a decisão é autoritária, com ranço de ódio e “puro capricho” do prefeito Paulo Garcia (PT).

Ex-militante do partido, o atual Solidariedade garante que 70% dos membros do Diretório Metropolitano do Partido dos Trabalhadores são funcionários da prefeitura. “Não houve um julgamento correto. Quem votou pela expulsão não foram os militantes do PT e, sim, cargos comissionados”, lamentou em entrevista ao Jornal Opção.

Djalma cita a Comissão de Ética do diretório, que, de acordo com ele, dos cinco integrantes, três trabalham em órgãos da administração municipal. “Um deles é Hélio Antônio, chefe da assessoria jurídica na Secretaria Municipal de Habitação”, exemplifica. O que aconteceu, resume, foi uma decisão autoritária de retaliaçao vinda do prefeito, quem votasse contra a expulsão estaria exonerado na segunda-feira.

Tayrone di Martino e Fesliberto Tavares foram acusados de infidelidade partidária: o primeiro por ter retirado a candidatura a vice-governador na chapa de Antônio Gomide (PT) nas eleições de 2014; o segundo, por ter apoiado a reeleição do governador Marconi Perillo (PSDB) no segundo turno do mesmo pleito. Os dois também foram cobrados pelos votos contrários a projetos do Executivo goianiense, sendo o mais emblemático deles a votação do reajuste do IPTU/ITU.

No entanto, o vereador explica que, além de injusta, a expulsão terá reflexos negativos para a gestão de Paulo Garcia. “O PT deveria ter mantido os dois. O prefeito tem, hoje, uma maioria bem apertada na Câmara e agora só tem um vereador de seu partido”, lembra.

Em defesa dos colegas, Djalma Araújo acredita que a saída do partido foi um “livramento”. “Será melhor assim… Agora eles vão ter liberdade para defender a população sem estarem obrigados aos desmandos do prefeito”, confirma. No que diz respeito à nova filiação, o vereador sugere parcimônia: “Há tempo suficiente para reflexão. À essa altura, qualquer ação poderá ser usada contra eles”.

“Quando decidi sair do PT [no final de 2013], eu já estava suspenso e eles iam me expulsar. O PT é especialista em destruir reputações. Principalmente nas redes socais”, alerta ele.

Problema nacional

O vereador Djalma critica não somente a posição do PT em Goiânia, mas afirma que é um problema nacional: “se aliou com a direita reacionária mais conservadora que existe, além de compor com tudo de pior que lutava em suas origens, como Sarney e Collor”. Ele sustenta, ainda, que o partido foi desconstruido por inteiro.

Ao defender a liberdade de Tayrone e Felisberto, Djalma lembra que Lula era inimigo e crítico ferrenho de Sarney, mas, presidente, foi ao Maranhão pedir voto para a filha dele. “E um vereador não tem o direito de discordar do prefeito? Zé Dirceu está aí, dando consultoria a empresas e é motivo de orgulho para o partido. Estão massacrando os peixinhos enquanto os ‘graúdos’ continuam nos quadros do PT”, questiona.

“Será que Marta Suplicy está mesmo errada?”, concluí ele ao citar a senadora por São Paulo que recentemente teceu duras críticas ao partido e à presidente Dilma Rousseff. “O PT precisa se reinventar. Precisa abrir os olhos e ver o que está, realmente, errado”, explica.

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