Discursos pró-impeachment e anti-PT marcam convenção nacional do PMDB

Gritos de “Fora Dilma”, ataques ao governo e prazo de 30 dias para definição oficial dominaram encontro em Brasília

Presidente Michel Temer discursa durante evento que irá reconduzi-lo | Foto: PMDB

Presidente Michel Temer discursa durante evento que irá reconduzi-lo | Foto: PMDB

A presidente Dilma Rousseff (PT) ganhou uma preocupação a mais neste fim de semana de protestos pelo País. Durante a convenção nacional do PMDB, principal aliado do governo federal, ficou claro o desejo de grande parte do partido de deixar a base aliada.

Na manhã deste sábado (12/3), lideranças peemedebistas se reuniram na capital federal para a eleição da nova executiva — que deve reconduzir Michel Temer à presidência. Embora o atual vice-presidente da República tenha sido contido quanto às críticas, o mesmo não ocorreu com seus correligionários.

De fato, uma grande ala pede uma definição imediata  sobre o rompimento com o PT. O ex-ministro e presidente do PMDB da Bahia, Geddel Vieira Lima, fez um dos discursos mais inflamados, acusando a presidente Dilma de ter “roubado a esperança do povo brasileiro” e clamou a executiva para que dê uma definição em até 30 dias sobre o afastamento. “Nós peemedebistas temos que estar não nas ruas, mas com as ruas”, discursou.

O vice-presidente da legenda, senador Valdir Raupp (RO), defendeu que o partido adote uma posição de independência em relação ao governo Dilma, inclusive abrindo mão dos cargos que ocupa no Executivo. “Eu defendo a independência em relação ao governo e a entrega dos cargos. Sempre defendi que o PMDB não pode ficar simplesmente ocupando cargos no governo se tem uma candidatura própria à Presidência da República em 2018.”

Ex-petista, a senadora Marta Suplicy (SP) PMDB, também endossou o coro do rompimento total do partido com o governo Dilma Rousseff e sustentou que o impeachment “vem tarde”. “O PMDB leva o Brasil a dizer não a um governo corrupto e incompetente. Uma presidente que não dá conta do recado, uma presidente isolada e que não consegue governar o País”, atacou a senadora — que é pré-candidata à Prefeitura de São Paulo.

Ex-PT, Marta Suplicy discursa durante o evento | Foto: PMDB

Ex-PT, Marta Suplicy discursa durante o evento | Foto: PMDB

Cada vez que um orador defendia o rompimento e atacava o PT a plateia ia a loucura. Palmas, palavras de ordem e “Fora Dilma” puderam ser ouvidos a todo instante.

Na Câmara Federal, o distanciamento entre PMDB e PT é claro. Tal afirmação pode ser comprovada também durante o encontro. Deputado gaúcho, Darcísio Perondi fez questão de atacar diretamente o partido e puxou um coro “Fora Dilma”.

“Se nós, peemedebistas, não tivermos a noção de que temos de desembarcar do governo e dizer não à maior facção criminosa que assalta o país há mais de 12 anos, o PMDB, como organização partidária, vai ser arrasado.”, alertou.

Goiás

Deputado federal Daniel Vilela durante entrevista ao Jornal Opção | Foto: Alexandre Parrode/ Jornal Opção

Deputado federal Daniel Vilela durante entrevista ao Jornal Opção | Foto: Alexandre Parrode/ Jornal Opção

O presidente do diretório estadual do PMDB de Goiás, deputado federal Daniel Vilela, esteve rapidamente no evento, mais cedo, para votar. Ao Jornal Opção, ele afirmou que o encontro foi aos moldes dos que já haviam ocorrido anteriormente. Não há novidades quanto à posição do diretório goiano no que diz respeito à rompimento com o PT.

Daniel Vilela não ficou até o final da convenção, pois está na Cidade de Goiás para reuniões com lideranças locais.

Prazo

O senador Romero Jucá (RR) afirmou, na chegada à convenção nacional do PMDB, que o partido decidiu que, em até 30 dias, o Diretório Nacional vai anunciar se mantém apoio ao governo da presidenta Dilma Rousseff.

“Vamos tirar hoje aqui um posicionamento de unidade e consistência de pensamento perante a crise que o Brasil vive. Todas as propostas de rompimento e afastamento serão recebidas e levadas em conta. Mas também estamos hoje tomando a decisão de que, em até 30 dias o Diretório Nacional vai analisar todas essas propostas e aí sim, com respaldo da unidade, tomar uma decisão que será implementada e cobrada de todos os membros do partido. Antecipar o rompimento seria quebrar o posicionamento que firmamos de não antecipar hoje aqui qualquer decisão”, explicou Jucá.

Segundo o senador, o PMDB está preparado para ajudar a reconstruir o Brasil “com outras forças políticas, com outros partidos, porque, sozinho, o PMDB não pode fazer isso”. “Vamos estar atentos às manifestações de amanhã. Muitos peemedebistas estarão participando nos seus estados. Amanhã é um dia importante de cidadania. Não haverá mudança no Brasil sem a participação popular”, acrescentou. (Com informações da Agência Brasil)

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Antonio Alves

Isso é uma comédia: o PMDB ajudou a corromper o PT, agora quer dar uma de imaculado. Quanta hipocrisia! Todo mundo sabe que a maior parte dos ladrões do governo faz parte do PMDB, ou é oriunda dele. O PMDB deve está querendo é dinheiro para investir nas campanhas a prefeito. Quem não se lembra de 2014, quando eles balançaram moita o tempo todo, depois continuaram com o governo.