Dinheiro de ajustes irá para programas sociais, garante Dilma

Presidente voltou a afirmar que não vai retirar direitos dos trabalhadores, mas sim de ineficiências do setor público

Foto: Eraldo Peres/AP

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A presidente Dilma Rousseff (PT) voltou a reconhecer nesta terça-feira (24/3) a importância dos ajustes feitos pelo governo, que segundo ela não serão retirados dos direitos dos trabalhadores e sim de ineficiências no setor público. Ao fazer um retrospecto das medidas adotadas pelo governo nos últimos anos para conter a crise, que agora sofrem alterações de modo a manter investimentos nos programas sociais, Dilma disse que não pretende “embolsar” o dinheiro.

“Nós vamos manter todas as políticas sociais. Agora, para fazer isso eu quero reconhecer que o governo federal vai fazer profundos cortes no seu gasto, vai buscar ineficiência em todos os ministérios. Nós queremos embolsar o dinheiro? Não. Nós queremos que esse dinheiro seja aquele que vá sustentar os programas sociais”, disse, citando o Minha Casa Minha Vida e o Bolsa Família.

Ao citar as mudanças em desonerações que o governo pretende promover, Dilma citou que o governo não alterou a desoneração da cesta básica. Ela defendeu também as alterações no Programa de Sustentação do Investimento, que ocorreram no limite do que o governo poderia arcar.

“Hoje, os juros são maiores. Porque se ele se mantivesse em 2,5% 4%, o governo federal tinha de aguentar a diferença entre 2,5% e 12,5%, mais um spread [diferença entre a taxa de captação paga pelos bancos e a taxa cobrada dos clientes]. Nós não vamos, nós não temos dinheiro para aguentar isso. Temos dinheiro para aguentar uma variação disso. Qual é a variação disso? 6% a 8%, 6% a 9%. É isso que nós temos recursos”.

De acordo com a presidente, os ajustes têm o objetivo de “se adaptar às circunstâncias” atuais, mantendo políticas como, por exemplo, a valorização do salário-mínimo. Nesta terça-feira (24), Dilma enviou uma medida provisória ao Congresso Nacional prorrogando até 2019 o cálculo atual de reajuste do salário-mínimo.

“É importante o Brasil continuar com a política de valorização do salário-mínimo. Porque é o reconhecimento que o crescimento econômico, ele não se dá em detrimento do trabalhador”, declarou.

Após a cerimônia, o líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), disse que a medida não se estende aos aposentados que ganham mais do que um salário-mínimo, e que a proposta foi construída entre governo, Congresso e centrais sindicais. “A discussão que estava havendo lá [na Câmara] estava interditada pelas sucessivas obstruções, e nós preferimos esse caminho [de editar uma MP]”, disse.

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