Desigualdade de renda no Brasil aumenta por 17 trimestres consecutivos

“Nem mesmo em 1989 que constituiu o pico do nosso piso histórico de desigualdade brasileira houve um movimento de concentração de renda por tantos períodos consecutivos”, diz economista

Foto: Divulgação

De acordo com uma pesquisa divulgada na última quinta-feira, 15, pela FGV Social, a desigualdade de renda no Brasil aumentou no 2º trimestre de 2019 pelo 17º trimestre consecutivo.

Para o economista Marcelo Neri, autor do estudo “Escalada da Desigualdade”, essa alta, que dura quatro anos e três meses, bateu recordes de duração nas séries históricas brasileiras. E salienta: “Nem mesmo 1989 que constituiu o pico do nosso piso histórico de desigualdade brasileira houve um movimento de concentração de renda por tantos períodos consecutivos”.

“O índice de Gini, medida mais popular de desigualdade, apresenta tendência ascendente após o último trimestre de 2014 quando chega a 0,6003, o nível mais baixo da série. Este viés de alta persiste até o segundo semestre de 2019”, apontou a pesquisa.

Com base nos grupos de renda, o estudo demonstrou que metade da população, que constitui o grupo mais pobre, sofreu variações reais acumuladas de – 17,1%; o grupo intermediário que corresponde a cerca de 40%, e representa a classe média brasileira, sofreu perdas de – 4,16%; E por fim, os 10% mais ricos da população que apresentaram ganhos de 2,55% no período analisado. Destes, 1% chegou à marca de 10,11% em relação aos ganhos.

Em um recorte por idade, o estudo concluiu que a maior perda de renda média acumulada foi entre jovens de 20 a 24 anos, com – 3,71%. Entre a população analfabeta, – 15,09%; Entre moradores da região Norte e Nordeste, – 13,08% e – 7,55, respectivamente.; Já as pessoas de cor preta apresentaram redução de – 8,35%.

O grupo das mulheres, ao contrário do esperado, não apresentou perdas, fato explicado, segundo o estudo, pelo maior grau de escolaridade. A conclusão geral é que o aumento do desemprego foi o responsável pela queda da renda média, e o consequente aumento da desigualdade.

Ainda com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD Contínua) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a pesquisa avaliou que entre os anos de 2014 e 2017, o número de brasileiros em situação de pobreza aumentou 3,42%, valor que corresponde a 23,3 milhões de brasileiros.

Paralelo a isto, outro estudo divulgado anteriormente, mostrou que 3,347 milhões de brasileiros desempregados já buscam uma posição no mercado de trabalho há, no mínimo, dois anos.

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