Deputado tucano nega acordão entre Temer, PSDB e Cunha: “Votaremos 100% pela cassação”

Para o goiano Fábio Sousa, bancada votará contra o ex-presidente da Câmara: “Se fizeram algum acordo, se esqueceram de combinar com os russos”

Deputado federal Fábio Sousa no Plenário | Foto: Zeca Ribeiro/ Agência Câmara

Deputado federal Fábio Sousa no Plenário | Foto: Zeca Ribeiro/ Agência Câmara

O tucano Fábio Sousa assegurou ao Jornal Opção, em entrevista na tarde desta quinta-feira (7/7), que não existe “acordão” entre o presidente interino Michel Temer (PMDB), o (agora) ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e o PSDB para salvar o mandato do deputado afastado.

De acordo com o goiano — que também é titular da Comissão de Constituição, Redação e Justiça (CCJ) –, todos os parlamentares do PSDB votarão contra o recurso interposto pela defesa de Cunha. E quando chegar ao Plenário, a expectativa do deputado federal é que, se não for 100% de votos pela cassação, será algo em torno de 95%: “Um ou dois que descumprirão a orientação da bancada”.

“Se fizeram algum acordo, só se esqueceram de combinar com os russos. Não há possibilidade de apoiarmos Cunha”, assegurou ele. De político mais poderoso do Brasil à “escória” da Câmara, o ex-presidente Eduardo Cunha não deve escapar do processo movido pelo Conselho de Ética.

Fábio Sousa diz que a renúncia anunciada nesta quinta-feira (7/7) “passou de hora” e assegura que a tentativa de salvar o mandato não deve prosperar. “Ele tinha mais de 200 deputados, hoje, apenas 30 seguem fieis. É aquele ditado, carregam o caixão, mas não se jogam na cova”, argumenta.

Com a saída de Cunha, a Câmara se prepara para eleger um presidente tampão, que ficará até janeiro de 2017. A escolha dos sonhos do deputado goiano seria Miro Teixeira, o carioca da Rede Sustentabilidade, ou Esperidião Amim, do PP de Santa Catarina. Este último tem chances reais, mas o “centrão” deve bancar Rogério Rosso (PSD-DF) — presidente da Comissão do Impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT).

“Câmara precisa ter consciência do momento histórico que vive o País. Precisamos de um presidente ‘auto-explicativo’, que não demande justificativas. Contudo, é impossível negar que o ‘blocão’ [composto por 13 partidos, entre eles PP, PTB, PSD,PR, PRB e SD] possue 220 deputados. É eles quem vão definir”, reconhece.

Governo interino

O deputado federal Fábio Sousa fez, ainda, um balanço das primeiras semanas da administração Michel Temer. Para o goiano, o presidente interino acertou na área econômica, tendo escolhido os melhores quadros, e tem tudo para ser um governo de reconstrução do País. Contudo, ele faz algumas ressalvas:

“Houve equívocos nas outras pastas, poucos, mas ele precisava de força do Parlamento, entendo. Não é a explicação que deveria ter, eu sei, mas política é assim. O ideal é que fossem apenas técnicos, mas, se tivesse feito isso, talvez não teria condições de aprovar as medidas necessárias como ele tem hoje.”

No que depender de Fábio Sousa, o presidente terá um aliado. “O que eu puder fazer, vou fazer, não vou votar cegamente, claro. Votarei no que achar positivo e importante”, arrematou.

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