Deputado bolsonarista divulga vídeo falso sobre limitação da atuação política de religiosos

Kennedy Nunes afirma que ex-presidente Lula vai definir papel das igrejas. No conteúdo verdadeiro, candidato a presidente se refere as Forças Armadas

Ex-presidente Lula e o deputado estadual Kennedy Nunes | Foto: Reprodução

Correligionário de Roberto Jefferson e Daniel Silveira, ambos do PTB e presos em decorrências dos inquéritos que investigam as milícias digitais, o deputado estadual Kennedy Nunes (SC) divulgou um vídeo adulterado no qual o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pré-candidato ao Palácio da Alvorada, daria a entender que, se eleito em outubro, limitaria a atuação política de padres e pastores. No conteúdo original, oriundo de uma coletiva de imprensa de lideranças do partido na cidade de Natal (RN), ele trata, na verdade, sobre a atividade política de integrantes das Forças Armadas.

Kennedy, no entanto, divulgou nas redes sociais uma versão manipulada da transmissão. Nela, a fala editada é acompanhada do título “Lula manda recado a padres e pastores”. Com base no vídeo, o deputado bolsonarista se dirigiu aos cidadãos que têm “algum tipo de liderança” em igrejas, independente da denominação, dizendo que “o ex-condenado Lula disse se ele for presidente as igrejas saberão qual é o papel delas”. A versão repercutiu nas redes. Foi compartilhada, por exemplo, pelo religioso Samuel Antônio Lemos Júnior.

A fake news, segundo Lula, tem como alvo enfraquecer a imagem dele junto à parcela religiosa da população. Nesse público, o presidente Jair Bolsonaro (PL) lidera todas as pesquisas de intenção de voto. No conteúdo original, o petista defende que Forças Armadas não participem de disputa política porque são uma instituição de Estado encarregada de garantir a soberania do Brasil e o bem estar dos brasileiros.

A partir dos 48’36’’ da transmissão, Lula diz que, se for reconduzido ao cargo de presidente, vai trabalhar pela definição clara do papel das forças de segurança. “Se eu ganhar as eleições, aí eu vou conversar com os Militares como chefe das Forças Armadas, como chefe suprem, para dizer qual é o papel deles. Não é se intrometer na política, por que isso não está certo. Nem hoje, nem de ontem e nem antes de ontem. Eles têm de entender que têm um papel importante na defesa da soberania brasileira e na defesa do bem estar do povo brasileiro”, disse.

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