Deputada do PT vê “injustiça” com o partido em Goiás

Adriana Accorsi diz que goianos envolvidos em escândalos de corrupção não são petistas

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Deputada Adriana Accorsi e presidente Dilma | Foto: reprodução

A deputada estadual Adriana Accorsi reconheceu, em entrevista ao Jornal Opção, a fase difícil pela qual passa seu partido, o PT. Com a popularidade da presidente Dilma Rousseff em baixa e denúncias de corrupção na “sala de estar” do governo federal, é inegável que há um grande desgaste com a sigla em todo o Brasil.

No entanto, a também delegada sugere haver uma “injustiça” com o PT em Goiás. “É preciso reconhecer que na maioria dos escândalos nacionais, quando surgem nomes de goianos envolvidos, nenhum deles é do Partido dos Trabalhadores”, destacou.

Segundo Adriana Accorsi, não se pode “cristalizar” que seu partido inventou a corrupção. “Desde cedo participei do movimento estudantil, andei com meu pai por todo o Estado, na época de Fernado Collor e FHC [Fernando Henrique Cardoso] e posso dizer com certeza: não foi o PT que inventou a corrupção, porque infelizmente temos pessoas corruptas em todas as instituições e todos os partidos”, defendeu.

Quinta deputada estadual mais bem votada em Goiás no ano passado, ela é cotada para concorrer à Prefeitura de Goiânia nas eleições de 2016. O prefeito Paulo Garcia, também do PT, teria simpatia a sua candidatura, por acreditar que é combativa, honesta e trabalhadora.

Questionada sobre o tema, ela desconversa e diz que está cedo — mas, se for consenso no partido, aceita o desafio.

Uma prova de que sabe bem defender seus posicionamentos? A alfinetada sutil que deu no senador Ronaldo Caiado (DEM-GO), principal crítico do PT em Goiás. “Existe um ranking de corrupção e não é o PT o primeiro da lista. Me parece, inclusive, que é o DEM. Então, acredito que a população saberá diferenciar quem desenvolve um trabalho sério e em prol da sociedade”, arrematou.

 

Uma resposta para “Deputada do PT vê “injustiça” com o partido em Goiás”

  1. Caio Maior disse:

    O último parágrafo revela a “força” e a “fraqueza” de Adriana Accorsi e do PT goiano. Ronaldo Caiado elegeu-se sucessivas vezes deputado federal e senador firmado na sua principal arma de ataque e de defesa: o individualismo exacerbado – mas sem perder a sintonia com ampla parcela da sociedade. Faz isso com inegável mestria desde os tempos inacreditáveis da extinta UDR – quando ía contra a corrente da maioria urbana surfando na onda firme da maré ruralista. Nem mesmo a trajetória sinistra daquele “ente” – por ele criado e presidido – conseguiu macular sua imagem pública. Logo, está provado e comprovado: é impossível colar nele virtudes ou defeitos de um “partido” – especialmente do DEM que é a própria encarnação do “partido de cada um por si”. Nem a escandalosa cassação de Demostenes Torres afetou sua performance eleitoral. Já com o PT – partido que reafirmou a identidade coletiva como patrimônio comum perdas e danos sempre são compartilhados. A falta de percepção do petismo goiano é a principal responsável pela incapacidade de alcançar protagonismo. Só o amadorismo simplório justifica a limitação da análise que supõe ser possível culpar um individualista ferrenho pelos erros de outros agentes também individualistas. A incompetência para aglutinar as múltiplas correntes deformadas pelo “esquerdismo” e historicamente empenhadas no autofagismo impediu a ascensão regional – por exemplo – das lideranças que conquistaram a prefeitura de Goiânia. Perdido no interminável emaranhado de “lutas” entre “tendências” o PT “vetou” – e até “torpedeou” – o crescimento de Darci Accorsi e Pedro Wilson; e se auto-condenou a um interminável papel secundário na política goiana. Turbado pela vaidade “pequeno-burguesa” e ignorando fundamento político essencial (quem supõe que sabe, nada sabe) o petismo goiano há décadas patina na inexpressividade, Nem mesmo Lula em seu tempo de “imbatível” conseguiu votação expressiva em Goiás – graças à ineficácia regional das lideranças petistas comprovadamente incapazes de ultrapassar as fronteiras municipais até para forjar alianças ou apenas repercutir além do si mesmo. Enquanto o petismo “nacional” se consolidou sob a disciplina do interesse mesquinho mal-disfarçado o manto do “coletivismo” petista no cerrado escondeu funesto egoismo. Parece incrível mas os petistas goianos aparentam ignorar que a causa principal da sua debilidade é a deficiente compreensão da política como a arte da negociação. Não sabem eles que toda “família” desunida tende a desaparecer?

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