Depressão entre crianças aumenta e preocupa pais. Saiba como evitar quadro

Especialista conta que pressão sobre menores pode estar por trás do aumento no número de adoecimentos mentais

Foto ilustrativa: Reprodução

Um artigo divulgado pelo Centro de Educação Integrada de Natal, Rio Grande do Norte, de autoria do psiquiatra Luís Rajos Marcos aponta que aumentou em 43% o número de crianças com transtorno de déficit de atenção com hiperatividade (TDAH). Também houve crescimento de 35% na taxa de depressão e 200% na taxa de suicídio entre pequenos de 10 a 14 anos. O estudo diz que uma em cada cinco crianças possuem algum tipo de problema mental.

O texto indica que as causas do aumento dessas condições passam pela “privação de conceitos básicos de uma infância saudável, pais digitalmente distraídos e permissivos demais, sono inadequado, nutrição desequilibrada, sedentarismo e gratificações instantâneas”.

Outra pesquisa, feita em 2017 pela Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, atesta os números supracitados. O instituto acessou dados de mais de 100 mil adolescentes de 12 a 17 anos e o resultado mostrou que a taxa de jovens que reportaram ter sofrido algum episódio de depressão subiu 37% se comparado a 2016.

Apesar dos números alarmantes, a médica psiquiatra da infância, Dra. Andiara de Saloma afirma observar os dados com ponderação. “Na verdade, esse aumento pode não refletir o aumento da incidência propriamente, mas sim o crescimento do reconhecimento dos diagnósticos na infância. A prevalência de transtornos mentais nessas idades acompanha as taxas nas outras fases da vida”, explica.

Andiara reforçou sua posição porque o TDAH, por exemplo, “não depende da criação, já que é uma condição que nasce com a criança”. Então, diz ela, o que cresce é o aumento de conscientização pela procura no diagnóstico e não a doença.

Já em relação à depressão e ansiedade, a psiquiatra acolhe os resultados. “O nível de exigência em cima das crianças tem sido maior. Elas entram mais cedo nas escolas e tem de se adaptar mais rápido a uma situação de mais responsabilidade, mais exigências”, diz, concordando que todo este cenário causa frustração nas crianças, o que contribuiu para as condições de doenças mentais.

Para tentar reverter o cenário preocupante, o artigo de Luís Rajos citado no início da reportagem enumera “atividades e atitudes para que uma criança tenha a infância saudável”. Pais emocionalmente disponíveis, limites claramente definidos, nutrição equilibrada, sono adequado e movimentação em geral, principalmente ao ar livre, seriam algumas das chaves para evitar o adoecimento mental.

É o que tenta fazer o casal de jornalistas Kamylla Rodrigues e Pedro Nunes, ao criar o filho Miguel Rodrigues Nunes, de 1 ano e noves meses. Apesar de não ter sido planejada a gravidez, Kamylla conta que sempre desejou ser mãe, e mesmo filho sendo ainda muito pequeno, ela já o educa pensando em como ele irá crescer. Para ela, ter paciência, conversar olho no olho e encorajar o pequeno Miguel a se desculpar e agir com afeto, quando necessário, é uma das principais formas que o fará se tornar um adolescente e, depois, um adulto mentalmente saudável.

Kamylla, Miguel e Pedro, “paciência é o principal” | Foto: Reprodução/Facebook

“É muito difícil, mas paciência é o principal. Sei que é melhor passar por esses aprendizados agora, enquanto eu formo meu filho como pessoa, do que a criança crescer e se tornar um adolescente ou adulto irresponsável, que desrespeite os pais ou, no pior dos casos, doente”, afirma a jornalista, que também assegura passar o máximo de tempo possível com o filho.

A psiquiatra Andiara, que concorda com as orientações de soluções descritas no artigo que enumerou o crescimento de crianças mentalmente doentes, também consente com a forma de criação realizada por Kamylla e Pedro. “São coisas simples que realmente devem ser seguidas para que a criança tenha uma mente sã e seja emocionalmente saudável”, conclui.

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