Demóstenes Torres sobre anulação de provas: “Justiça foi feita”

Ex-senador goiano comemorou decisão unânime do STF que considerou ilegais interceptações feitas pela PF

Ex-senador Demóstenes Torres | Foto: André Corrêa

Ex-senador Demóstenes Torres, em 2011 | Foto: André Corrêa

O ex-senador goiano Demóstenes Torres comemorou, em entrevista ao Jornal Opção na noite desta terça-feira (25/10), a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de anular todas as provas que demonstravam seu suposto envolvimento com o empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

Para ele, o voto do ministro relator do processo, Dias Toffoli, que foi acompanhado por unanimidade pela Segunda Turma do Supremo, corrige uma ilegalidade cometida entre 2008 e 2012. “Fico muito feliz porque afinal de contas sempre defendi a tese que essas interceptações eram ilegais. Justiça foi feita”, destacou.

À época, o então senador, por decisão de um juiz de primeiro grau, foi gravado pela Polícia Federal por mais de 380 vezes em escutas telefônicas, que demonstravam sua suposta ação para beneficiar Cachoeira. Em vez de remeter os autos para o STF (ente competente para investigar quem tem foro privilegiado), o processo correu naquela instância. Após o conteúdo ter sido divulgado na mídia, o goiano acabou tendo o mandato cassado.

Com a decisão, todas as provas o envolvendo nas operações Vegas e Monte Carlo são consideradas nulas e, portanto, o processo deve acabar arquivado.

“A própria perícia divulgada pelo Ministério Público sugeriu que eu deveria ter um patrimônio muito maior do que tenho. Não conseguiram provar absolutamente nada. Disseram que eu tinha contas no exterior, laranjas, bens em nome de terceiros… Tive minha vida devassada e não encontraram nada, o que comprova minha lisura”, afirmou.

Cassado pelo Senado em 2012, ele garante que a ação foi arquitetada pelo Partido dos Trabalhadores, numa clara tentativa de desviar o foco do julgamento do mensalão. Afirma, também, que, por ser combativo e de oposição ao ex-presidente Lula (PT), foi vítima de uma armação para retirá-lo do processo político. “Supremo matou todas as ‘provas’ que existiam contra mim. Não conseguiram arrumar uma única testemunha em todo o Brasil, mesmo com a investigação sistemática que sofri”, completou.

Demóstenes Torres sublinhou que os próprios ministros do STF se sentem afrontados por agentes de instâncias inferiores que agem “com objetivo de constrangê-los”: “Atestaram as consequências devastadores para minha vida e para a própria justiça brasileira, promovidas por determinados agentes da primeira instância”.

Questionado sobre quais medidas pretende tomar agora, o ex-senador explicou que continuará agindo com discrição e se reunirá com os advogados para ver o que pode ser feito. “Nenhuma decisão, nem mesmo a administrativa, pode ser tomada com base ilegal, em provas ilegais. Meu mandato foi usurpado quando acredito que representava muito bem Goiás”, arrematou.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.