Delegado desmente defesa de estudante presa: “Nunca reconheci erro de identificação”
20 julho 2026 às 16h36

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O delegado Breno da Costa Esteves, da Polícia Civil do Amapá (PCAP), negou que tenha reconhecido erro na prisão da estudante de direito Ellen Lorraine Trindade Mateus, de 27 anos, investigada por suposta participação em uma organização criminosa especializada em estelionatos.
Em entrevista exclusiva ao Jornal Opção, o investigador afirmou que as declarações atribuídas a ele pela defesa da estudante “não são verdadeiras” e esclareceu que apenas discutiu com o advogado a possibilidade de substituição da prisão preventiva por outra medida cautelar, caso a investigada colabore efetivamente com as investigações.
“Em nenhum momento eu falei que reconheci erro ou algo nesse sentido. O advogado me procurou porque ela quer fazer um novo interrogatório para cooperar com a investigação. Eu disse que, se ela colaborar, a gente pode vir a pedir uma medida cautelar diferente da prisão. Foi isso que eu falei”, afirmou.
Segundo Breno Esteves, a investigação que levou à prisão de Ellen foi submetida ao Ministério Público e ao Poder Judiciário antes do cumprimento do mandado, o que, segundo ele, demonstra que a decisão não se baseou em um único elemento de prova.
“Ela é investigada na operação. A investigação passou pelo crivo do Ministério Público e por uma decisão judicial. Não é uma coisa simples como foi dito, de que identificaram apenas um Pix. Se fosse isso, nem o Ministério Público nem o juiz teriam concordado com a prisão”, disse.
O delegado também rebateu a alegação da defesa de que teria admitido um equívoco na identificação da estudante. “Em nenhum momento a gente falou em erro de identificação ou assumiu que errou. Isso não aconteceu. O advogado pode alegar o que entender para defender a cliente, mas não pode dizer que eu falei uma coisa que eu nunca falei.”
De acordo com Breno Esteves, durante a conversa com o advogado foi discutida a possibilidade de um novo interrogatório da investigada. Caso ela forneça informações relevantes para a apuração dos fatos, a Polícia Civil poderá avaliar o pedido de substituição da prisão preventiva por medidas cautelares diversas.
“Eu falei que, se ela colaborar na investigação, explicar como funcionam as coisas e ajudar a identificar outras pessoas que ainda não conseguimos localizar, aí poderemos pedir ao juiz uma medida alternativa, como tornozeleira eletrônica ou outra restrição. Mas isso depende da efetividade da colaboração.”
O delegado ressaltou que o ordenamento jurídico prevê instrumentos como a colaboração premiada e que benefícios processuais somente podem ser analisados caso a investigada contribua concretamente para o avanço das investigações. “Dependendo da colaboração dela, existem várias medidas que podem ser requeridas. Se ela ajudar a esclarecer toda a organização criminosa, isso pode beneficiá-la. Mas eu nunca disse que iria pedir a liberdade dela simplesmente.”
Investigação continua e pode ter nova fase
Breno Esteves afirmou que a investigação sobre a organização criminosa ainda está em andamento e poderá avançar para uma terceira fase. Segundo ele, o grupo investigado teria movimentado mais de R$ 7 milhões e atuado em diferentes estados.
“É uma investigação muito grande. Já prendemos integrantes da organização em Goiás e Balneário Camboriú. Houve apreensão de Porsche, BMW e outros bens. A investigação deve ter novos desdobramentos.” Conforme o delegado, Ellen foi identificada durante a apuração como uma das pessoas responsáveis por operacionalizar o esquema fraudulento.
“A investigação identificou ela como uma das operadoras que alimentavam o sistema utilizado nas fraudes, manipulando CPFs e outros dados. Por isso foi representada a prisão preventiva, que teve parecer favorável do Ministério Público e autorização da Justiça.”
Ele ressaltou que, nesta fase do processo, Ellen é considerada suspeita. “Neste momento ela é investigada. Depois poderá ser indiciada, o Ministério Público poderá oferecer denúncia e, ao final do processo, ela poderá ser condenada ou absolvida. Mas hoje ela é suspeita dentro da investigação.”
O delegado afirmou ainda que a Polícia Civil tem evitado comentar o caso para não comprometer as investigações, mas decidiu se manifestar após a divulgação de informações que, segundo ele, não correspondem ao teor da conversa mantida com o advogado.
“A gente procura não falar justamente para não atrapalhar uma investigação dessa dimensão. Mas quando colocam meu nome dizendo que eu reconheci um erro que nunca reconheci, isso prejudica a investigação e a própria instituição.”
Segundo Breno Esteves, a organização criminosa investigada é suspeita de aplicar golpes relacionados ao pagamento de boletos da concessionária Equatorial Energia, com mais de 300 vítimas somente no Amapá. A Polícia Civil também apura se o mesmo esquema foi utilizado em outros estados onde a empresa atua, como Goiás.
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