Defesa aguarda liberação de Marconi para esta quinta-feira (11)

Ex-governador, suspeito de receber R$ 12 milhões em propina pela Odebrecht, passou a 1ª noite preso em sala na sede da Polícia Federal, em Goiânia

Polícia Federal – Superintendência Regional no Estado de Goiás | Foto: Nathan Sampaio

O ex-governador de Goiás Marconi Perillo (PSDB), preso preventivamente nesta quarta-feira (10/10) enquanto prestava depoimento sobre a Operação Cash Delivery, na Superintendência Regional da Polícia Federal no Estado, passou a primeira noite preso em uma sala, e não cela, em virtude do cargo que ocupou no últimos quatro anos. A polícia apura pagamento de R$ 12 milhões de propina pela Odebrecht ao tucano para campanhas políticas.

Em entrevista ao Jornal Opção, o advogado de Marconi, Antônio Carlos Almeida (Kakay), informou que aguarda a liberação do ex-governador ainda nesta quinta-feira (11). O tucano é o único investigado na Operação Cash Delivery que segue preso. Na última noite, a Justiça Federal concedeu habeas corpus para o motorista do ex-presidente da Agência Goianas de Transporte e Obras (Agetop), Jayme Rincón, detido no último dia 28.

A defesa de Marconi entrou com pedido de habeas corpus momentos após a prisão do ex-governador no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), mas o processo tramita em segredo de Justiça, o que impede que mais informações sejam divulgadas. Kakay disse que “não há absolutamente nenhum fato novo que justifique o decreto do ex-governador Marconi Perillo” (Veja posicionamento dele na íntegra ao fim da reportagem).

Segundo o advogado, todas as doações às campanhas políticas das quais o político participou foram legais. “Evidentemente, o juiz que tivesse dado a prisão preventiva, do meu ponto de vista ilegal, desfundamentada e injusta, ele não ia soltar o Marconi na audiência de custódia, então nós fizemos isso para preservar a imagem dele. Evidentemente ele concordou com isto, a delegada concordou, nós fizemos um pedido, o juiz deferiu”, disse.

A operação deflagrada no último que mês apura os repasses de valores indevidos pela Odebrecht nas campanhas estaduais de 2010 e 2014 de Marconi, foi deflagrada no último dia 28. A operação ocorreu em decorrência de delações da Odebrecht na Operação Lava Jato.

Nota da defesa na íntegra desta quarta-feira (10)

Marconi Perillo acaba de prestar longo depoimento enfrentando absolutamente todos os pontos que a Polícia Federal indagou. Ele estava na sede da PF para prestar depoimento quando foi surpreendido com o decreto de prisão. Nenhum fato novo surgiu que justificasse esta prisão. A Policia Federal agiu com serenidade e profissionalismo e os direitos do Marconi foram preservados. Ele se encontra na sede da Polícia Federal.Mesmo considerando injusta a prisão, ele resolveu prosseguir no depoimento pois tem certeza de que não praticou nenhum ato ilícito. Entende a defesa técnica que tudo foi satisfatoriamente esclarecido. É evidente que toda e qualquer pessoa pode ser investigada, ninguém esta acima da lei, mas a prisão por fatos pretensamente ocorridos em 2010 e 2014 é teratológica, não encontra amparo na jurisprudência do Supremo Tribunal. Vivemos um momento punitivo e de criminalização da atividade política. Esta tensão desnecessária não faz bem para a estabilidade democrática. A Defesa acredita que, assim como o TRF ja concedeu liberdade a outros investigados, afastando o equivocado argumento de necessidade de prisão nesse momento, a defesa acredita na altivez e independência do tribunal, para que a Justiça seja resgatada. Kakay

A reportagem aguarda também, desde que o fato ocorreu, um posicionamento da Polícia Federal sobre o caso. Até agora o órgão não emitiu nenhuma informação.

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