A relação entre Goiás e o governo do presidente Lula da Silva (PT) voltou à tona ao longo da campanha eleitoral e, conforme sinalizado por Daniel Vilela (MDB), não está nada boa. Candidato à reeleição, o emedebista acusa a União de não cumprir compromissos assumidos com o Estado e diz que projetos apresentados como prioritários ao Novo PAC avançaram sem os investimentos federais esperados. “O governo Lula falhou com Goiás”, afirma.

A cobrança remonta ao início de 2023, quando Lula, em seu primeiro ano do terceiro mandato, pediu aos governadores que apresentassem projetos considerados estratégicos para inclusão no Novo PAC. À época, o então governador Ronaldo Caiado (PSD), hoje candidato a presidente da República, listou três prioridades: o Complexo Oncológico de Referência do Estado de Goiás (Cora), o Projeto de Fruticultura Irrigada do Vão do Paranã e o BRT entre Santa Maria, no Distrito Federal, e Luziânia.

No entanto, quase quatro anos depois, Daniel argumenta que a União não deu o retorno esperado às principais demandas apresentadas por Goiás. Segundo ele, parte dos projetos acabou sendo assumida pelo próprio governo estadual, enquanto o BRT, cuja execução é de responsabilidade federal, ainda não chegou à fase de obras.

De acordo com o governador, “são iniciativas que, se dependessem do governo Lula, não teriam saído do papel”.

Vale destacar que o embate entre Goiás e o Palácio do Planalto em torno dos investimentos federais não é novidade. Em 2025, Caiado acusou o governo Lula de retaliar o Estado e afirmou que os projetos prioritários apresentados ao Novo PAC não haviam recebido recursos federais.

“Os pleitos do Estado não andam. Nenhuma das obras prioritárias elencadas no Novo PAC recebeu sequer um centavo do governo federal”, declarou na ocasião. Na época, Caiado também acusou Lula de colocar “a pauta política acima dos interesses legítimos da população” e falou em “perseguição federal”.

Agora, em meio à disputa pela reeleição, Daniel retomou as críticas. Para o governador, as divergências políticas de sua gestão e da administração anterior com Lula acabaram contaminando a relação institucional entre Goiás e a União. “O Palácio do Planalto não soube diferenciar as diferenças políticas das questões administrativas, que é o que se espera de um governo republicano”, afirma.

CORA
Segundo Daniel, Hospital Cora foi construído apenas com recursos estaduais após ser ignorado pelo governo federal | Foto: Reprodução

Entre os projetos citados pelo emedebista está justamente o Cora. Apesar de ter sido apresentado ao governo federal como prioridade, o complexo foi construído pelo governo estadual, com investimento de R$ 255,9 milhões, e inaugurado em setembro de 2025. A unidade é especializada no tratamento oncológico infantojuvenil.

De acordo com Daniel, mais de 34,7 mil atendimentos foram realizados desde a inauguração. O governador destaca ainda que o intervalo entre o diagnóstico e o início do tratamento é inferior a 72 horas. “Celebramos, no último dia 25, um ano de inauguração, de cuidado e de transformação na assistência oncológica de Goiás. Já são mais de 34,7 mil atendimentos realizados. O Cora também trouxe eficiência ao SUS: após o diagnóstico, leva menos de 72 horas para o início do tratamento”, diz.

Situação semelhante ocorreu com o Projeto de Fruticultura Irrigada do Vão do Paranã. A previsão inicial era de R$ 300 milhões em recursos federais para implantação do sistema, atendimento a assentamentos e instalação de agroindústrias. Sem o aporte esperado, o Estado passou a tocar o projeto em parceria com instituições de ensino e pesquisa.

Atualmente, a iniciativa reúne 82 produtores e alcança 164 hectares irrigados no Nordeste goiano. “Goiás não ficou esperando”, afirma o governador.

Já o BRT entre Santa Maria e Luziânia continua sem entrar na fase de execução. Projetado para atender cerca de 224 mil moradores do Entorno do Distrito Federal, o empreendimento está entre as prioridades apresentadas à União em 2023. Neste ano, os governos de Goiás e do Distrito Federal assinaram um termo de cooperação para elaborar, consolidar e validar os estudos e projetos necessários para viabilizar o sistema.

As críticas de Daniel ao governo federal também incluem o financiamento da saúde. Em outubro de 2025, Goiás acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) para questionar o volume e os critérios de distribuição dos repasses da União destinados à média e alta complexidade do Sistema Único de Saúde (SUS).

Na ação, o governo estadual calculou prejuízo superior a R$ 1,2 bilhão em três anos decorrente da insuficiência dos repasses federais. “Na saúde, como nas obras, Goiás está fazendo a sua parte. O que cobramos é que a União também faça a dela”, disse.

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