Cunha reafirma que não tem contas na Suíça e diz que trustes são “transparentes”

Presidente afastado depõe no Conselho de Ética e nega que tenha mentido na CPI da Petrobras, pois é apenas “beneficiário” e não “detentor” do patrimônio

Eduardo Cunha e o advogado durante a sessão | Foto: Lúcio Bernardo Jr. / Agência Câmara

Eduardo Cunha e o advogado durante a sessão | Foto: Lúcio Bernardo Jr. / Agência Câmara

O presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmou reiteradas vezes no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar que não possui contas bancárias no exterior nem investimentos não declarados. Segundo ele, é apenas beneficiário de um truste na Suíça, e não proprietário de conta.

“Se eu possuísse investimentos, certamente eles estariam declarados. Eu sou beneficiário de um truste. O truste é o detentor do patrimônio, dos investimentos, dos resultados dos investimentos e das perdas, inclusive. Eu não possuo investimento não declarado. Os investimentos e o patrimônio não me pertenciam. Não há como haver prova de que eles são do truste”, atestou Cunha em resposta ao relator do caso, deputado Marcos Rogério (DEM-RO).

Logo no início da sessão, Cunha informou que só responderia a questões que tivessem relação com a natureza da representação. “Qualquer outra natureza que não seja a da representação já teve resposta de natureza pública por mim ou por meu advogado”, disse o deputado afastado. O argumento foi repetido quando o relator o questionou sobre outras contas truste existentes, além da que está na representação contra ele.

Eduardo Cunha, que responde a processo no Conselho por quebra de decoro parlamentar por supostamente ter mentido sobre a existência de contas no exterior, afirmou que teria constituído uma fundação se o seu objetivo fosse ocultar patrimônio, e não um truste, que para ele, seria uma organização “transparente”.

“Truste é transparente e por isso mesmo deveria ser elogiado. Se eu quisesse ocultar patrimônio, eu teria montado uma fundação. Não posso declarar algo que não me pertence”, respondeu ele ao deputado Nelson Marchezan (PSDB-RS).

O relator também questionou um possível crescimento de patrimônio em um ano em mais de 100%. “Durante os anos, os saldos nessas contas continuaram subindo. Eram 2,4 milhões de dólares em 2009. Como o saldo continuou a subir se não houve aporte de recurso?”, perguntou Marcos Rogério, em uma comparação com o ano anterior. Cunha respondeu que os recursos têm valorização em épocas de mercado em alta.

Ele explicou que os seus recursos advêm de atividades de comércio exterior na década de 1980 e mostrou um passaporte que comprovaria diversas viagens à África há cerca de 30 anos, antes de ingressar na vida pública: “Era um período de inflação, havia dificuldades de várias naturezas. Era um outro Brasil. Assim o fiz e assim amealhei o patrimônio que foi depois doado ao truste. Eu não detinha vida pública naquele momento.”

Cunha abriu dois passaportes e sugeriu que não existe brasileiro que tenha viajado tanto ao exterior como ele nos anos 1980.

Cunha e seus passaportes dos anos 1980 | Foto: Lúcio Bernardo Jr. / Agência Câmara

Cunha e seus passaportes dos anos 1980 | Foto: Lúcio Bernardo Jr. / Agência Câmara

CPI

Segundo Eduardo Cunha, em 2015 havia apenas um truste do qual seria beneficiário, o Netherton. Ele se recusou a responder a perguntas referentes a outros dois trustes, o Orion e o Triumph, que já não existiam quando ele compareceu à extinta CPI da Petrobras em maio de 2015.

O presidente afastado também discordou de Marcos Rogério quando o relator afirmou que o truste é uma forma de investimento e quis saber por que Cunha havia optado por essa forma. “Eu não tenho forma de investimento. Solicito que as perguntas não sejam mais feitas em forma de afirmação. É uma opção pessoal de cada um dispor de seu patrimônio. Quando você detém o patrimônio, pode fazer o que quiser: doar, gastar, investir”, afirmou Cunha.

Cunha também disse que uma conta em nome de sua mulher, Claudia Cruz, seria exclusivamente de cartão de crédito. “Minha esposa não é deputada e não deve explicação ao Conselho de Ética”, rebateu ainda

O deputado Carlos Marun (PMDB-MS) saiu em defesa do presidente afastado Eduardo Cunha, criticando o ex-relator Fausto Pinato (PP-SP) e também o próprio Supremo Tribunal Federal (STF) de ter afastado o deputado carioca do mandato. “Não podemos aceitar falar em conspiração contra o relator aqui nesta Casa. É conspirador quem segue o regimento?”, questionou. (Com informações da Agência Câmara) 

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