CPI ouve sócio da Belcher, empresa que ofereceu vacina chinesa ao Ministério da Saúde

A empresa atuou como intermediária do laboratório chinês CanSino na negociação de 60 milhões de doses da vacina Convidecia ao custo de R$ 5 bilhões

Emanuel Catori | Foto: reprodução

A Comissão Parlamentar de Inquérito, conhecida como CPI da Covid ouve nesta terça-feira, 24, o empresário Emanuel Catori, diretor-presidente da Belcher Farmacêutica. A empresa atuou como intermediária do laboratório chinês CanSino na negociação com o Ministério da Saúde pelo fornecimento de 60 milhões de doses da vacina Convidecia ao custo de R$ 5 bilhões.

A CPI já aprovou a quebra de sigilo fiscal, bancária, telefônica e telemática de Catori. Na segunda-feira, 23, ele obteve no Supremo Tribunal Federal (STF), o direito de não responder a perguntas que possam incriminá-lo.

A convocação é mais um desdobramento sobre a atuação de empresas intermediárias nas tratativas com o Ministério da Saúde, uma das principais linhas de apuração da CPI. A Comissão investiga ainda se há relação entre a Belcher com empresários bolsonaristas e com o líder do governo Bolsonaro, na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR). A empresa tem sede em Maringá, reduto político do parlamentar.

Negociações suspeitas

O secretário de Vigilância em Saúde da pasta, Arnaldo Correia de Medeiros, assinou em junho uma carta de intenção de compra de 60 milhões de doses do imunizante chinês. A Belcher atuaria como a intermediária da venda.

Conforme a carta de intenção, a dose da Convidecia custaria US$ 17 e a dosagem do imunizante prevê uma única aplicação, o mesmo que acontece com a vacina da Janssen. O cronograma determinava entregas da vacina para o terceiro e o quarto semestre deste ano.

A aquisição da Convidecia não foi concretizada. A empresa foi alvo da operação Falso Negativo, que investiga fraudes em compras de testes rápidos –, o laboratório CanSino rompeu o contrato com a empresa brasileira logo após a assinatura da carta de intenção de compra e desautorizou a Belcher a atuar em nome da fabricante.

Na sequência, a CanSino informou à Anvisa que estava em busca de um novo parceiro no Brasil. A agência brasileira, no entanto, encerrou o processo de autorização temporária de uso emergencial da Convidecia por perda de legitimidade da Belcher.

*Com informações do G1

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