CPI Covid terá como primeiro foco entender as falhas do governo federal na aquisição de vacinas

Ex-ministros do governo Bolsonaro serão convocados para que suas ações durante exercício do cargo sejam avaliadas

Plenário do Senado Federal, em Brasília. | Foto: Senado

Foi definido, pelos senadores oposicionistas e independentes da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, que o primeiro foco da atuação será o questionamento de falhas no processo de aquisição de vacinas pelo governo federal e na aposta em medicamentos sem comprovação científica, como a cloroquina. A CPI deve ser instalada no próximo dia 22 ou no dia 27 de abril.

Para isso, processos de compra de vacinas contra o novo coronavírus devem ser levantados, com o objetivo de identificar aqueles em que o governo recusou ou demorou a firmar contratos. Também serão inspecionados de dados sobre a compra do chamado “kit covid”, para verificar a quantia gasta com determinados medicamentos, como a cloroquina, o teor de contratos com farmacêuticas para a aquisição dos remédios e por que o Exército foi envolvido nessas ações.

Já os repasses feitos a estados e municípios e possíveis desvios na aplicação desses recursos são a prioridade dos parlamentares governistas. Um dos principais alvos é o Consórcio do Nordeste.

Além de entender a atuação dos ex-ministros da Saúde do governo de Jair Bolsonaro (sem partido), em especial o general Eduardo Pazuello, que comandou o Ministério das Relações Exteriores, um dos principais focos da oposição é convocar Ernesto Araújo.

O ex-chanceler foi apontado como responsável por prejudicar a atuação do Brasil na aquisição de imunizantes contra a Covid-19 no exterior, em razão de sua conduta quanto a manutenção da relação do Brasil com China. Araújo perdeu o cargo após pressão do Senado.

O atual ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, também poderá ser convocado.

O que será tentado provar, com tais ações, é a participação do Governo Federal no estímulo a comportamentos contrários à prevenção da doença, de modo a agir deliberadamente contra entes federativos e instituições na contenção da pandemia.

A justificativa é a argumentação de que a gestão do atual presidente teria apostado na tese da imunidade de rebanho para agir. Para comprovação dessa teoria, por exemplo, será utilizado boletim desenvolvido pela Universidade de São Paulo (USP), em janeiro de 2021, que explica que o negacionismo do governo teve grande influência negativa no combate à pandemia.

Para sustentação dos argumentos, será realizada busca material no Ministério Público Federal (MPF) e no Tribunal de Contas da União (TCU) para compreensão da atuação do Governo Federal quanto ao enfrentamento da pandemia no país.

Informações de O Globo e Yahoo! Notícias

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