As denúncias de irregularidades que se renovam coincidem com o alto interesse pela nova votação presidencial exposto nas pesquisas de tendências

O ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa entrega o esquema de corrupção que favoreceu o PT e aliados / Foto: Luis-Macedo
O ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa entrega o esquema de corrupção que favoreceu o PT e aliados / Foto: Luis-Macedo

A.C. Scartezini

A duas semanas do encontro final com as urnas presidenciais, as denúncias de corrupção no governo se impõem como tema eleitoral no mano a mano da disputa entre o desafiante Aécio Neves (PSDB) e a reeleição da presidente Dilma. Emparelhados, mas o tucano com ligeira vantagem e em ascensão.

A novidade é que o ímpeto de resposta de Dilma se calou no primeiro momento depois que a televisão exibiu a gravação da voz da confissão de dois dos principais agentes do roubo de dinheiro público na Petrobrás, o ex-diretor Paulo Ro­berto Costa e o doleiro Alberto Youssef. Ambos em depoimento à Justiça Federal em Curitiba, como delação premiada.

Mais tarde, Dilma convocou coletiva, assustada com as falas de Yousef e Costa. “Acho muito estranho e muito estarrecedor que, no meio de uma campanha eleitoral, façam esse tipo de divulgação”. Repetiu — ou melhor, reafirmou — o discurso de que não aceita corrupção em seu governo:

— Queria reafirmar que tenho tolerância zero com a corrupção ou com qualquer outro tipo de irregularidade.

Há uma impaciência petista que revela fadiga diante de acusações que não se interrompem. “Não pode ser colocada na conta do PT”, antecipou-se o presidente do partido, Rui Falcão, a repórteres sobre aquele jatinho que pousou em Brasília e caiu nas mãos da Polícia Federal porque levava R$ 116 mil em dinheiro vivo no momento em que se iniciou o segundo turno.
Mas de quem é a grana e por que voou de Belo Horizonte a Brasília nas mãos de petistas? “Não conheço”, escafedeu-se o recém-eleito governador de Minas pelo PT, Fernando Pimentel, sobre os dois companheiros que acompanhavam o piloto. Supõe-se que seja sobra da campanha de Pimentel que decolou em busca de outro destino porque ele foi eleito no primeiro turno.

O PT deseja que se investigue outra tentativa de voo com dinheiro, uma semana antes do primeiro turno. Em São Paulo, ao embarcar rumo ao interior, Mario Welber foi interceptado com R$ 102 mil em dinheiro vivo, mais cheques. Seria caixa dois da campanha a deputado federal de Bruno Covas, de quem Welber foi assessor. O neto de Mário Covas foi eleito.
Além da corrupção, a crise na e­conomia age contra Dilma. “O bra­sileiro tem uma série de outros pro­dutos substitutos para a carne, como frangos e ovos”, sugeriu o se­cretário de Política Econômica, Márcio Holland, no Ministério da Fa­zenda, a troca de dieta contra a alta da carne. Mas Dilma assegura que os reajustes do salário mínimo e os programas sociais elevam a renda.

Nesse ambiente, a campanha presidencial volta às ruas com o equilíbrio entre Aécio e Dilma re­velado nas pesquisas do Datafolha e do Ibope divulgadas na quinta-feira. Os números vitais de ambas coincidem na apuração de tendência dos eleitores, com ligeira vantagem ao desafiante tucano, que pela primeira vez se iguala ao apoio à reeleição.

Coletadas na primeira metade da semana, as pesquisas atribuem a Aécio 46% dos votos, contra os 44 pontos concedidos a Dilma. Como a margem de erro é de dois pontos para cima ou abaixo, os candidatos estão com empate técnico. Porém, Aécio deu um salto e Dilma caiu.
No último Datafolha antes do primeiro turno há uma semana, o desafiante tinha 42% das preferencias. Agora escalou quatro degraus sem Marina na jogada. A reeleição ostentava 48%. Escor­regou quatro pontos.

A última pesquisa do Ibope antes de domingo passado, atribuiu a Aécio 42%. Agora, subiu no­ve degraus inéditos a ele. Dilma exibia 45% e voltou a escorregar, mas apenas um ponto dessa vez.

Também se repetem nas pesquisas dos dois institutos os números dos votos válidos, descontados os brancos ou nulos, mais os indecisos. Neles, Aécio tem 51% contra 49 de Dilma, em mais um empate técnico.

Essas três categorias de atitude do eleitor apresentam resultados baixos e coincidentes nas duas pesquisas. Os brancos ou nulos são 6%. Os indecisos, 4%. Por­tan­to, em cada 10 eleitores, so­mente um dispensaria a sua opção entre Aécio e Dilma, o que comprova o alto interesse pela eleição.

Atrativo que tende a incrementar-se e a repercutir na audiência do horário eleitoral da televisão com o duelo de ataque e defesa em torno das denúncias. Embate mano a mano que promete marcar a frenética sucessão presidencial deste 2014, depois de um primeiro turno presidencial inflacionado por dez candidatos. Entre os quais apenas três interessavam.