Corretor diz que Nexus não está embargado e que decisão judicial é para “políticos aparecerem”

Jornal Opção apurou que empreendimento continua sendo vendido como se não houvesse ação do MPGO e liminar impedindo construção do gigante

Liminar determina a suspensão do Alvará de Construção do Nexus, mas presidente da Amma disse entender que os requisito das obra foram atendidos na análise técnica do órgão | Foto: Renan Accioly

Então estande do Nexus antes da decisão judicial| Foto: Renan Accioly

Desde o dia 13 de junho de 2016, as obras do gigantesco Nexus Shopping & Business estão paradas por força de uma decisão judicial.

Após o Jornal Opção denunciar, com exclusividade, uma série de irregularidades desde a concepção do projeto até uma possível falsificação de assinaturas, o juiz Fabiano Aragão Fernandes acatou o pedido do Ministério Público de Goiás para suspensão do alvará de construção até que estudos sejam refeitos e a população seja, de fato, consultada sobre a instalação do megaempreendimento.

Com o julgamento, as empresas Consciente Construtora e JFG Incorporações deverão, entre várias exigências, apresentar um novo Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV), um Estudo de Impacto de Trânsito (EIT), e realizar audiências públicas para averiguar a viabilidade do Nexus. Só após uma nova análise por parte da prefeitura de Goiânia e dos órgãos competentes que as obras poderão ser retomadas.

No entanto, tal realidade parece ser desconhecida por parte dos corretores da empresa. Depois de reiterados alertas de leitores, o Jornal Opção entrou em contato com o telefone disponibilizado no site oficial do empreendimento para apurar como as ações na Justiça estavam sendo tratadas pelas empresas.

Em duas ligações, funcionários diferentes deram informações similiares à reportagem: não há qualquer problema aparente com o Nexus. Surpreendentemente, um deles chegou a dizer que os problemas judiciais se tratavam apenas de ação política.

“Como estamos em ano de eleição, vamos ver muito isso. Não é só o Nexus que está acontecendo alguma coisa, tem outros empreendimentos no mercado goiano, sabemos que é algo que é para atrapalhar para algumas pessoas no meio político se destacarem, ou aparecer na mídia”, desconversou. Durante a ligação, o corretor garante que está tudo “100% legal” e que se trata de algo “passageiro”. Questionamos: “Então não há problema nenhum na Justiça?”, ele responde: “Não tem problema nenhum.”

Para justificar sua tese, o corretor garante que, se o empreendimento estivesse mesmo embargado (como está), não poderiam vendê-lo. “Estamos vendendo, está normal. É algo que o pessoal coloca na mídia para poder aparecer alguns nomes políticos”, insiste e completa: “Outro detalhe que o pessoal comenta é que o estande saiu de lá. Mas saiu porque a área está sendo preparada. Já começaram as obras. Temos toda maquete, projeto, na sede da Consciente Construtora.”

É preciso reiterar que, na decisão do juiz Fabiano Aragão Fernandes, não há explicitamente a proibição das vendas do Nexus Shopping & Business. Como o que foi suspenso é o Alvará de Construção — e não é necessário tê-lo para dar início à venda –, as empresas responsáveis podem argumentar que, embora embargado, o empreendimento pode continuar a ser vendido.

Contudo, chama a atenção a maneira como o corretor minimiza e até desqualifica a liminar concedida à ação proposta pelo promotor Juliano de Barros Aráujo, da 15ª Promotoria de Justiça de Goiânia. Nenhuma alerta ou informação sobre o embargo da obra é fornecido ao potencial consumidor. Pelo contrário, ao que parece, não há nenhuma pendência judicial. “Pessoal está trabalhando, está em obras, e o cronograma segue normal. A obra não foi parada hora nenhuma”, afirmou o funcionário da JFG Consciente.

Crime

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Delegado Webert Leonardo | Foto: reprodução

Em entrevista ao Jornal Opção, o delegado da Delegacia de Crimes Contra o Consumidor (Decon), Webert Leonardo Lopes Santos, explicou que, embora precise investigar o caso, os corretores não poderiam negar que haja ações contra o Nexus na Justiça e, acima de tudo, que as obras estão embargadas.

“A verdade dos fatos deve sempre prevalecer. O consumidor tem direito e acesso a informação clara e precisa sobre produto anunciado, não tem discussão sobre isso. Depois do registro da denúncia, vamos averiguar porque se está deturpando a verdade. Entendemos que só o fato de estar falando que se trata de uma questão política, no mínimo está sendo negligente com a informação que está fornecendo”, analisou.

Para o titular da Decon, independentemente de alguém ter comprado, ou não, o produto, só o fato de se anunciar configuraria o crime de publicidade enganosa (art. 37 do Código de Defesa do Consumidor). “Precisamos que a denúncia seja feita para que formalizemos o procedimento criminal e investiguemos se estamos frente a uma imprudência, negligência ou dolo por parte da empresa”, completou.

Outro lado

Na semana passada, a reportagem encaminhou os seguintes questionamentos à assessoria de imprensa da Consciente Construtora mas, até a publicação desta reportagem, não obtivemos retorno.

Veja:

Qual a orientação que a Consciente Construtora deu para seus corretores sobre o embargo pela Justiça da obra do Nexus?

A Consciente Construtora informa seus clientes que a obra do Nexus tem pendências judiciais?

Quando um cliente liga para a Consciente Construtora para obter informações sobre o Nexus, este é informado de que as obras estão paradas e há decisão judicial impedindo a construção?

As obras do Nexus estão paradas?

Equipe do Jornal Opção

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