Coronel Edson lamenta decisão do STF: “SIMVE é uma solução para o Brasil”

Idealizador do projeto explica que policiais temporários não substituem concursados e que jovens e sociedade são beneficiados

Ex-comandante-geral da PM: "Temporário não se conflita e não se pode misturar com concurso" | Foto: Fernando Leite / Jornal Opção

Ex-comandante-geral da PM: “Temporário não se conflita e não se pode misturar com concurso” | Foto: Fernando Leite / Jornal Opção

Após o Supremo Tribunal Federal (STF) julgar o Serviço de Interesse Militar Voluntário Estadual (SIMVE) de Goiás inconstitucional, um dos idealizadores do projeto, Coronel Edson Costa afirmou em entrevista ao Jornal Opção Online que tal decisão é uma perda para a sociedade goiana, e brasileira.

Atualmente na Superintendência Executiva da Administração Prisional (Seap), o militar defende que o serviço é a única solução para o problema da segurança pública no Brasil: “É imperativo viabilizar uma alternativa para aumentar o quantitativo de policiais nas ruas”.

Com experiência de mais de dois anos no Ministério da Justiça, o coronel conta que conheceu a maioria das polícias do Brasil e nenhuma delas consegue ter o efetivo pleno necessário para realizar um policiamento ostensivo e preventivo de maneira adequada.

“Nem São Paulo, que tem PIB maior do que muitos países, possui o número de homens necessários. Hoje deve estar em torno de 100 mil, mas o ideal seria 140 mil. É um problema sistêmico… Nenhum Estado tem condição de arcar sozinho”, explica ele.

Coronel Edson esteva à frente do comando-geral da PM à época da implantação do SIMVE, que, para ele, nasceu, acima de tudo, como um programa social. “É uma oportunidade para esses jovens que deixam o Exército e têm a chance de servir o Estado. Todos são qualificados e preparados”, justifica. Como a atividade realizada pelos voluntários são consideradas “básicas”, o ex-comandante lembra que o trabalho poderia ser feito até desarmado.

“É uma tendência das polícias do mundo de agir de maneira mais comunitária, sem armas de fogo. Eles performam ações básicas da PM, de rua, policiamento ostensivo. Um exemplo, fazem a segurança de jogos de futebol em estádios ou de uma exposição agropecuária. 60% do quantitativo poderia estar sem armamento”, sugere.

Curiosamente, policiais do SIMVE protagonizaram uma cena controversa justamente em um estádio de futebol. No dia 2 de fevereiro de 2014, três integrantes do programa espancaram um torcedor do Vila Nova no banheiro do Serra Dourada. Sobre o caso, o coronel reconhece que foi uma atitude não compatível com os preceitos do serviço militar, mas alerta que, independete de vínculo com o Estado, “esse tipo de coisa acontece”.

“Qual a organização, grupo de trabalho, da sociedade que não tem problemas? Olha a guarda municipal, por exemplo, sempre tem isso… E não é só com gente humilde não. Tem juiz se apropriando de carros… A verdade é que sempre vão existir falhas”, rebate.

Programa social
"O SIMVE é um programa social" | Foto: Eduardo Ferreira

“O SIMVE é um programa social” | Foto: Eduardo Ferreira

Durante toda a entrevista o ex-comandante frisou um ponto que não foi levado em consideração pelo STF: o cunho social. “Ao mesmo tempo que o Brasil sofre com a falta de policiais nas ruas, temos uma enorme quantidade de jovens devolvidos do serviço militar que, por vezes, não encontra oportunidade de trabalho”, relata. E é aí que, segundo Edson, entra o serviço voluntário.

Mesmo que os jovens fiquem por um período determinado de tempo, a experiência é “crucial” para a formação deles. O coronel acredita que é uma maneira de inserí-los na sociedade e evitar que entrem para o mundo do crime, por exemplo: “No Rio de Janeiro, eles viram verdadeiros ‘soldados do tráfico’. Foi comprovado, não sou eu quem estou dizendo”.

“Poderiam estar cometendo delitos, traficando, enfim, prejudicando a sociedade. Mas estão fazendo justamente o oposto… Defendendo a população, prestando um excelente serviço”, lamenta.

Legalidade

Ao tratar da legalidade da lei, o coronel reconhece que a decisão do STF está correta, mas que este não é o fim do SIMVE. “O deputado federal João Campos (PSDB) tem uma proposta para transformar o programa em lei federal. O que precisamos agora é de encontrar outro caminho para implantar o projeto. É uma ideia inovadora e muito boa. O que precisamos é de uma lei que atenda a expectativa da sociedade”, reconhece o coronel.

Um dos grandes entraves e motivos de críticas do SIMVE é de que os voluntários estariam “tomando” o lugar dos concursados. “Não é verdade. O trabalho do concursado não pode ser feito pelo temporário. Este só pode exercer atividades básicas, mais simples. Não pode fazer nada dentro da corporação… Não ocupa lugar do servidor de carreira”, rebate ele.

Para Edson, há uma pressão por meio daqueles que não conseguiram ser aprovados no concurso para que o governo os convoque. “O concurso tem regras, tem limites de vagas. Cadastro reserva é cadastro reserva. Eles pressionaram o governador [Marconi Perillo (PSDB)] à época e muitos conseguiram ser convocados. Mas não pode ser assim. Não se pode passar por cima do Estado”, explica o coronel, que arremata: “Temporário não se conflita e não se pode misturar com concurso”.

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Lucas Martins

Esse cara é um brincante… O que se ver e o pessoal do serviço voluntário fazendo serviço de alto risco. Já teve ate troca de tiros e um comerciante foi morto em aparecida de Goiânia em uma dessas… Se é pra ter o serviço voluntário, que esse serviço seja na parte interna e administrativa. Em Anápolis um desses atirou pelas costas de um abordado que estava desarmado. Outra situação é que o CMT geral determinou que todos os soldados simves retirem a abreviação “SV” dos nomes, onde lia-se (SD SV João) agora ler se ( SD João) . isso é… Leia mais

Mauro

Os jovens que estão entrando na PM como Simve não são só reservistas também entra os dispensados e mulheres, jovens sem nenhuma experiência. Pessoas como muita força de vontade que não conseguiram passar no concurso para ser efetivo agora entraram por essa porta. Brincam de segurança pública.

w.david

O que tem de ser discutido falado.comentado sei la o que ;tem que ser daquilo que ele entende, de PM,porque citar o nome guarda municipal como exemplo de desacertos..ja esta falando de PM,que nao fuja do assunto;nao fomos nos,GCMs que tentou roubar banco nao.. nao fomos nos que espancamos ninguem em banheiro de estadio na.. dentre muitos outros fatos nao so de PMs temporarios.. e demonstra bastande desinformaçao pois.em goiania ja nao ha mais guarda municipal.. agora tem a GUARDA CIVIL METROPOLITANA.aparelhada e armada, pronta a servir a sociedade naquilo que lhe compete.DAR SEGURANÇA.
Cumprindo a lei ,armada legalmente.

Rogr Ferreira

Compara simve com GCM e no mínimo ser mal informado. Um GCM é concursado, passa por curso de formação que tem toda grade curricular definida pelo ministério da justiça. O GCM em termos de qualificação profissional o GCM é tão preparado quanto o pm concursado se não for mais, pois o gcm tem treinamento dobrado. Um exempl é o curso de armamento e tiro: pro policial de outras forças o curso dura X, pro GCM dura 2X.

Tiago

Vcs não são policiais seu falador. Quer comparar a policia com vcs? Deve estar de brincadeira ou não sabe oque está falando. Vcs são civis, não venha se comparar a militares. Por um acaso vc foi tomar tiro no morro do alemão? Tinha guarda civil lá? Sabe quantos militares morrem cumprindo missão aqui no Haiti e por todo mundo? vou te responder; Não sabe. Então não venha falar de preparo e formação militar.

gcm

a minha formação mano infelizmente foi dentro da sua casa,não me venha falar de capacitação quantos tiros vc deu quando formou 30 ,40 quantas horas foi o uso seletivo da força leia a lei federal 13022

Virerine

É só diminuir a quantidade de coronel na PM e diminuir o soldo destes coronéis. Na época do regime militar não tinha coronel na PM, só tenente coronel.

marcio maia

( “Qual a organização, grupo de trabalho, da sociedade que não tem problemas? Olha a guarda municipal, por exemplo, sempre tem isso…). Não entendo o porque do coronel dizer uma coisa dessa da Guarda Municipal, pois na instituição dele acontece muitos mais erros que na Guarda. Agora querer defender algo que fere a lei maior do país iludindo pessoas a trabalhar de modo ILEGAL, pois os voluntários estavam trabalhando ” armados e fazendo o serviço fim”, da policia militar, que deve ser feito por pessoas concursadas,tentando denegrir ou desqualificar os agentes da GCM, isso é vergonhoso. A CF/1988 no art.… Leia mais

Caio Maior

Concurso público. Esta é a ÚNICA forma de ingresso no serviço de segurança pública. A mera leitura da Constituição brasileira esclarece e afasta dúvidas a respeito. Defender uma forma “alternativa’ é, no mínimo, um desrespeito à cidadania. A singular “linha de raciocínio” do coronel permite a outro desavisado sugerir a contratação de “promotores voluntários”, “juízes voluntários” – e por aí a fora! A propósito, o argumento impeditivo do STF é constitucional. Logo, a referência a um projeto de lei da lavra do deputado João Campos – mais conhecido pela inusitada defesa da “cura gay” – revela desconhecimento de ambos da… Leia mais

Erik Pablo Jubé

A falta de noção e dos gestores da segurança publica do Estado de Goiás não pode ser mensurada, independente de ter um viés social ou não o programa teria que respeitar a lei e ponto final! Não se burla os dispositivos constitucionais simplesmente pelo fato de se vender um beneficio social que ninguém consegue enxergar… Segurança publica não é para amadores ou temporários! O repórter que conduziu a entrevista deveria ter perguntado o óbvio: É saudável do ponto de vista institucional um dos mais respeitados profissionais da PM goiana defender um programa que o STF unanimemente percebeu frágil, ideológico e… Leia mais

Tiago

Lucas, eu acho q você não sabe é de nada. A realidade é outra, pois quando criam-se leis e projetos imundos, insignificantes e depravados, ninguém se manifesta contra. Porem quando são proveitosos e somam positivamente todo mundo quer procurar um erro. Não sei se você é militar, mas eu sou a favor do SIMVE, que por a pesar de alguns deslizes que todos cometem, seja efetivo ou não, somam para a segurança pública.

carlos

Thiago na fale bobagem. Independentemente se estava sendo proveitoso pela sociedade, este serviço voluntario é INCONSTITUCIONAL. Se vc quer entrar para a PMGO estuda, estuda, estuda….só por concurso público, como determina a CF/88. Sou bombeiro do goias e o comandante ja estava planejando implantar esta anomalia na nossa corporação….

renner flavio

Simve para os coronéis também!!!