Coreia do Norte afirma ter detonado bomba de hidrogênio

Se confirmado, teste indica que desenvolvimento nuclear do país atingiu novo patamar. Conselho de Segurança da ONU convoca reunião de emergência apesar do ceticismo

Líder norte-coreano Kim Jong-un | Foto: KCNA / KNS República da Coreia / Via AFP Photo

Líder norte-coreano Kim Jong-un | Foto: KCNA / KNS República da Coreia / Via AFP Photo

Após a divulgação de suposta detonação de uma bomba de hidrogênio pela Coreia do Norte, que tem potência muito maior do que uma bomba nuclear comum, cujo teste teria causado um terremoto de magnitude 5.1, o Conselho de Segurança das Nações Unidas convocou uma reunião de emergência a pedido dos Estados Unidos e do Japão.

Se a Coreia do Norte tiver de fato realizado um teste bem sucedido de uma bomba de hidrogênio – que é substancialmente mais potente do que a bomba de Hiroshima – isso demonstraria um significativo avanço militar e tecnológico para o País, que está sob sanção internacional desde seu primeiro teste de uma bomba atômica, em 2006.

A Coreia do Norte que é governada por um regime comunista dinástico, é o País mais fechado do mundo. Não há liberdade e muito menos imprensa livre. É recorrente casos de crises de natureza alimentar que leva milhares de cidadãos a passarem fome. Enquanto isso, o governo ao norte da península coreana, gasta grande parte de seu parco orçamento com defesa, sustentando um enorme exército de 2.2 milhões de soldados — mal armados e subnutridos, diga-se da passagem.

A Coreia do Norte e do Sul estão há 60 anos em estado de guerra. A fronteira entre os dois países que, antes da Guerra da Coreia (1950-1953) formavam uma única nação, é zona mais militarizada do mundo. Enquanto a Coreia do Sul é uma das economias mais pujantes do mundo, a do Norte, está parada no tempo e estagnada economicamente, após o colapso da União Soviética, sua antiga fiadora.

Bomba pela “soberania”
O teste, que surpreendeu a comunidade internacional, foi ordenado pessoalmente pelo chefe de Estado Kim Jong-un, dois dias após seu aniversário. Em dezembro, Kim indicou pela primeira vez que seu País possuía uma bomba de hidrogênio.

O ditador norte-coreano declarou a nação e ao mundo, por meio da agência estatal KCNA, que a Coreia do Norte “é uma potência nuclear disposta a detonar uma bomba nuclear e uma bomba de hidrogênio para defender sua soberania”. Bravata ou não, as provocações do ditador norte-coreano tem causado desconforto com países vizinhos, como a Coreia do Sul, Japão e a aliada China.

O governo japonês declarou que testes nucleares não serão tolerados, e disse que as ações da Coreia do Norte ameaçam também a segurança do Japão e pedem a uma resposta clara. Aparentemente, os Estados Unidos duvidam que a Coreia do Norte tenha mesmo uma bomba de hidrogênio. Segundo o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional dos EUA, Ned Price, as informações estão sendo analisadas.

A China enfatizou, em comunicado divulgado pela agência de notícias estatal Xinhua, que o teste contraria o objetivo do desarmamento nuclear.

Bomba mais potente
O programa nuclear da Coreia do Norte preocupa a comunidade internacional há anos. Em fevereiro de 2005, o regime comunista de Pyongyang anunciou oficialmente pela primeira vez possuir armas nucleares. Um ano e meio depois, o país isolado realizou seu primeiro teste subterrâneo. Como reação, as Nações Unidas impuseram sanções contra a Coreia do Norte, as quais foram sendo endurecidas com testes seguintes.

Em maio de 2009, a Coreia do Norte realizou um segundo teste nuclear, que, segundo as estimativas de Seul (capital da Coreia do Sul), tinha potência de duas a seis quilotoneladas de TNT. O terceiro teste veio em fevereiro de 2013, e o Ministério da Defesa da Coreia do Sul falou em uma força explosiva de seis a sete quilotoneladas.

Arma apocalíptica
Numa bomba de hidrogênio, uma grande parte da sua energia é obtida por meio da fusão dos núcleos dos seus átomos – reações que imitam o que se passa no interior das estrelas, como o nosso Sol, onde os átomos de hidrogênio se fundem, dando origem a átomos de hélio e liberando gigantescas quantidades de energia.

Mas para que os átomos de hidrogênio se fundam nesta bomba, também conhecida como bomba H ou bomba termonuclear, primeiro tem de haver outro tipo de reações nucleares. Mais exatamente, reações de fissão nuclear, ou cisão nuclear.

Neste caso, o núcleo dos átomos (de urânio e plutônio) é partido, em vez de fundido, e é a energia libertada nestas primeiras reações nucleares que permite depois desencadear as reações de fusão dos núcleos de hidrogênio. Resumindo, primeiro há reações de fissão nuclear e em seguida de fusão nuclear.

O resultado é uma bomba nuclear muito mais poderosa do que as bombas unicamente de fissão nuclear, como aquelas que foram lançadas pelos Estados Unidos sobre as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki em 1945, no término da Segunda Guerra Mundial.

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