Cooperativa goiana lança app de delivery com taxa menor e promete dobrar valor pago por km
26 setembro 2026 às 08h34

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A disputa pelo mercado de delivery em Goiás ganhou uma nova plataforma com uma proposta diferente das grandes empresas do setor. Criado pela Cooperativa para o Fortalecimento da Classe dos Trabalhadores por Aplicativos (CoopGo), o CoopFood pretende cobrar dos estabelecimentos uma taxa de 6% sobre as vendas e elevar para R$ 2,50 o valor pago aos entregadores por quilômetro rodado.
O aplicativo foi lançado na sexta-feira, 25, na sede do Sistema OCB/GO. A proposta é reunir entregadores, restaurantes e consumidores em uma plataforma baseada no modelo cooperativista, com a promessa de reduzir os custos para os comerciantes e melhorar a remuneração dos profissionais responsáveis pelas entregas.
Segundo o presidente da CoopGo, Marcelo Conrado, o projeto surgiu a partir da avaliação de que o atual modelo do mercado de delivery provoca insatisfação nos dois lados da operação: estabelecimentos que arcam com taxas elevadas e trabalhadores que consideram baixa a remuneração recebida pelas corridas.
“Hoje, percebemos uma grande insatisfação tanto por parte dos comerciantes quanto dos entregadores. Atualmente, os estabelecimentos pagam taxas que chegam a 26% sobre o valor do produto às plataformas dominantes, enquanto os entregadores recebem uma remuneração muito baixa, muitas vezes próxima de R$ 1 por quilômetro rodado”, afirmou.
No CoopFood, conforme a cooperativa, a taxa prevista para os comerciantes é de 6%. A entidade afirma que pretende destinar os recursos arrecadados com essa cobrança à divulgação da plataforma para ampliar a base de consumidores.
“Nossa proposta é oferecer uma plataforma tecnológica de intermediação em que o comerciante paga uma taxa de apenas 6%. Nosso compromisso é investir esse valor integralmente em mídia para atrair o consumidor final. Paralelamente, garantimos ao entregador uma remuneração significativamente superior à praticada hoje”, explicou Conrado.
Remuneração dos entregadores
Uma das principais apostas para conquistar trabalhadores para a plataforma está justamente no pagamento pelas entregas. Segundo a CoopGo, a intenção é elevar a remuneração por quilômetro de cerca de R$ 1,20 para R$ 2,50.
O presidente da Associação dos Entregadores de Aplicativos de Goiás, Marcione Luiz Araújo Silva, afirma que o modelo atende a uma reivindicação antiga da categoria. Entre as demandas defendidas pelos profissionais estão o pagamento mínimo de R$ 10 por entrega e o valor de R$ 2,50 por quilômetro percorrido.
“A proposta tem gerado expectativa positiva entre os profissionais, que veem na cooperativa uma oportunidade de melhorar seus ganhos, ao mesmo tempo em que pode reduzir os custos dos comerciantes, hoje pressionados pelas taxas cobradas pelas plataformas de delivery”, disse.
A plataforma está pronta para operar, segundo a CoopGo. A próxima etapa será aumentar a quantidade de estabelecimentos e entregadores cadastrados, considerada pela própria cooperativa um dos principais desafios para que o aplicativo consiga ganhar escala.
O CoopFood faz parte de uma estratégia mais ampla da CoopGo para disputar o mercado de serviços intermediados por aplicativos. A cooperativa já possui uma plataforma voltada ao transporte de passageiros e agora amplia a atuação para o segmento de entrega de alimentos.
A CoopGo foi incubada no Sistema OCB/GO por meio do programa IncubaCoop. Para o presidente da entidade, Luís Alberto Pereira, a adoção do cooperativismo nesse mercado pode fazer com que uma parcela maior dos recursos movimentados pelos aplicativos permaneça na economia local.
“Esperamos que a população abrace a cooperativa e os seus aplicativos porque os recursos vão ficar aqui na nossa cidade e os motoristas vão ter uma remuneração mais justa”, afirmou.
Crédito para compra de motocicletas
Além do lançamento do aplicativo, a CoopGo apresentou uma proposta para facilitar o acesso de entregadores ao financiamento de motocicletas.
A iniciativa envolve uma parceria com o Sicoob, apoio do Fundo Garantidor de Goiás e a possibilidade de equalização de juros pelo Governo de Goiás, por meio da GoiásFomento. De acordo com a cooperativa, a combinação dos mecanismos poderá resultar em uma taxa de juros de 1,39% ao mês.
“A grande dificuldade do entregador hoje é o acesso ao crédito. Com a parceria com o Sicoob Crediadag, o Fundo Garantidor de Goiás e com uma possível equalização de juros pelo governo, ofereceremos crédito com taxas reduzidas”, explicou Conrado.
A intenção, segundo ele, é permitir que profissionais que normalmente encontram dificuldades para conseguir financiamento no sistema bancário tenham acesso ao crédito. A cooperativa afirma que a possibilidade pode alcançar inclusive trabalhadores negativados, desde que atuem dentro da CoopGo. As condições, no entanto, dependem da análise e das regras das instituições envolvidas na operação.
Primeiros carros elétricos são entregues
O evento também marcou a entrega simbólica dos primeiros veículos elétricos e híbridos financiados para cooperados da CoopGo. Foram apresentados 14 carros de um total de 100 financiamentos previstos para a primeira etapa da iniciativa.
Os financiamentos são resultado de uma articulação entre o Sistema OCB/GO, Governo de Goiás, Sicoob Crediadag e instituições estaduais envolvidas no programa.
Os veículos contemplados podem custar até R$ 140 mil cada. Segundo as informações apresentadas durante o evento, os modelos possuem garantia de fábrica de oito anos e autonomia média de aproximadamente 300 quilômetros por carga.
A entrega física dos automóveis será realizada posteriormente. Após a cerimônia simbólica, cada cooperado deverá agendar individualmente a retirada do veículo na concessionária.
A medida busca reduzir um dos principais custos de quem trabalha diariamente com transporte por aplicativo: o combustível. A adoção de veículos elétricos também acompanha a estratégia da cooperativa de oferecer alternativas de financiamento aos profissionais vinculados à plataforma.
Modelo cooperativista
A criação do CoopFood ocorre em um mercado dominado por grandes plataformas digitais e tenta transferir parte da lógica do cooperativismo para um setor no qual trabalhadores e estabelecimentos dependem da intermediação tecnológica para chegar aos consumidores.
Diferentemente de uma empresa convencional de aplicativos, uma cooperativa é formada pelos próprios associados, que participam da estrutura da organização e de suas decisões. No caso da CoopGo, a estratégia é utilizar esse modelo para ampliar a participação dos trabalhadores no negócio e manter uma parcela maior da receita gerada pelas operações dentro da própria rede.
O Sistema OCB/GO, onde ocorreu o lançamento, reúne a Organização das Cooperativas Brasileiras no Estado de Goiás (OCB/GO) e o Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo no Estado de Goiás (Sescoop/GO).
A OCB/GO atua na representação institucional do setor e no apoio às cooperativas, enquanto o Sescoop/GO é responsável por ações de formação, capacitação profissional e acompanhamento das organizações cooperativistas no Estado.
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