Conversas mostram que Dominghetti negociava muito mais que vacinas contra a Covid-19

A troca de mensagens eram feitas pelo WhatsApp e Skype, em diálogos privados e em grupos temáticos criados para tratativas específicas de produtos ou serviços

Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Segundo reportagem do Uol, mensagens no celular do policial militar mineiro Luiz Paulo Dominghetti mostram que ele negociava muito mais do que vacinas com o Ministério da Saúde. Conversas mostram que ele atuava em conjunto com outros intermediários na oferta de medicamentos, equipamentos hospitalares, peixes, esmeraldas e até nióbio.

Após coleta de dados feita pela CPI da Covid, os diálogos apontam que a margem de lucro da rede de intermediação era dividida entre os participantes por meio de percentuais de “comissionamento”. A troca de mensagens eram feitas pelo WhatsApp e Skype, em diálogos privados e em grupos temáticos criados para tratativas específicas de produtos ou serviços. Em cada negociação, o policial e os parceiros estipulavam o valor que seria cobrado acima do preço original.

Venda de vacinas e muito mais

Com intuito de vender a vacina AstraZeneca para o Ministério da Saúde, o grupo de negociantes planejava inserir um “over” de cerca de 2% sobre o valor de US$ 7, ou seja, custo para duas doses do imunizante. De acordo com os cálculos feitos nos diálogos do grupo, havia expectativa de gerar uma comissão de R$ 18 mil para cada 1 milhão de unidades comercializadas. Porém, Dominghetti descobriu que não seria possível aplicar o percentual de sobrepreço nas negociações com o Ministério da Saúde, supostamente devido a vetos impostos pela Davati e pela AstraZeneca. (Com informações do Uol).

Ainda segundo as mensagens no celular de Dominghetti os intermediários utilizavam empresas como “barriga de aluguel”. Na prática, os intermediários usavam a empresa de um terceiro, não necessariamente envolvido na negociação, mas com o consentimento e algum lucro, para conseguir concretizar a venda.

As negociações iam além, sobre remédios como amoxicilina e diazepam, quanto outros de uso mais restrito ao ambiente hospitalar, como propofol e polimixina B. Além de ivermectina e hidroxicloroquina. As conversas levavam ainda a aquisição de respiradores, luvas, máscaras e aventais.  As vendas eram combinadas até mesmo para o exterior.

E não para por aí. As negociações incluíam a revenda de esmeraldas e diamantes. Há mensagens que indicam a negociação de pedras preciosas em troca de aeronaves e frigoríficos para terceiros. Até para tentar vender 25 toneladas de nióbio, que é um mineral usado em ligas, principalmente em aço, Dominghetti é procurado e busca um comprador. Porém, parece não ter obtido sucesso.

*Com informações do UOL

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