“Conjuntura atual é favorável ao PSOL, somos uma alternativa viável para mudança”

Para o candidato a prefeito de Goiânia, democracia precisa ser fortalecida e sociedade deve ser protagonista na administração pública

Candidato do PSOL diz que vai combater os grandes grupos econômicos

Candidato do PSOL diz que vai combater os grandes grupos econômicos

Fotos: Fernando Leite 

O professor Flávio Sofiati foi o escolhido da frente de esquerda na capital para disputar a prefeitura em 2016. Filiado ao PSOL, ele defende mais participação popular na administração e garante que suas políticas públicas vão privilegiar os mais pobres e os marginalizados.

Para tanto, o socialista pretende romper todos os contratos com o setor privado, em especial o do transporte coletivo — que será reestatizado. O objetivo é provar que é possível fazer uma gestão pública de qualidade, livre dos grandes grupos econômicos.

Questionado se há dificuldade em dialogar com a sociedade goianiense — onde a esquerda teria uma menor permeabilidade –, Flávio Sofiati se diz surpreso com a boa receptividade das pessoas. Para ele, em um momento em que todos os partidos e a maioria dos políticos se afundam em corrupção, o PSOL é uma alternativa viável de mudança.

Alexandre Parrode – Como está a aceitação da campanha do PSOL?

Sabemos que estamos em Goiânia e que o Brasil passa por um momento do retorno de um certo conservadorismo. Alguns setores da sociedade que antes tinha uma certa “vergonha”, agora se sentem mais confortáveis para assumir posturas próximas ao facismo. Minha surpresa foi ver o legado que o PSOL já tem na cidade.

Bruan Aidar – Mas não é só de um determinado grupo? Da universidade, por exemplo.

Dentro da universidade eu tenho plena aceitação, um espaço mais natural meu. Andei em feira, fizemos muitas feiras, fizemos rodas de conversa, debatemos com a sociedade em geral, e tive pouca rejeição. Me parece que estou isento da atual conjuntura do que está aí, as pessoas percebem isso. Porque eu também sou honesto com as pessoas, não faço promessas… Assumo alguns compromissos, claro, mas não engano as pessoas.

Alexandre Parrode – No último debate, o sr. se colocou como o “candidato do Fora, Temer”. Quando diz isso à população, em especial em Goiânia, onde a presidente Dilma Rousseff teve uma votação baixa, as pessoas recebem bem? Não atrapalha defender a volta de Dilma?

Mas eu não defendo a volta de Dilma, não.

Alexandre Parrode – Não permanentemente, mas para chamar novas eleições.

Isso. Estamos propondo que haja um plebiscito para que as pessoas decidam os rumos do País. Houve um processo de impeachment equivocado, a meu ver. Se fosse seguir ao pé da letra o que está sendo julgado no Congresso, teríamos que fazer o mesmo com a maioria dos governadores. Não achamos justo aplicar a lei para uma parte dos políticos apenas, já que é para radicalizar, apliquemos para todos. Como não vai ser assim, entendemos que foi um golpe. Por isso somos “fora, Temer”, mas desde o início somos oposição ao governo do PT, só que oposição à esquerda. A bancada do PSOL foi a única que votou completamente contra sem nenhuma negociata, tanto é que se Dilma voltar, continuaremos na oposição. A conjuntura atual é favorável ao PSOL, porque as pessoas começam a perceber que somos uma alternativa viável para mudança.

Bruna Aidar – Como foi construído isso?

Durante toda a pré-campanha desenvolvemos nossa plataforma, que não está fechada, mas conseguimos a partir do movimento “Se a Cidade Fosse Nossa” reunir formadores de opinião e diversos segmentos para discutir um projeto. E foi produtivo porque não me lembro quando conseguimos ter uma candidatura em Goiânia que uniu a esquerda. Nas outras, foram dois, três candidatos, que dialogavam entre si, mas não estavam unidos. É a primeira vez que a esquerda se unifica. Foi possível porque pensamos um programa para a cidade e meu nome foi aos poucos sendo forjado. Isso também possibilitou um diálogo mais próximo com as pessoas.

Bruna Aidar – O sr. tem uma capacidade maior de dialogar com pessoas de esquerda, ou ligadas à esquerda. Como quebrar a barreira que há em Goiânia, em especial aos grupos dominantes, que são mais conservadores?

Temos enfrentado esses grupos dentro do espírito da democracia, debatendo ideias e fazendo campanha sem baixaria. Mas, temos percebido que esses grupos têm tentado nos silenciar, em especial nos grandes grupos da mídia. Não são todos os debates que vamos poder participar… Alguns setores tentam nos coagir impondo a agenda deles, vou dar exemplo do Codese [Conselho de Desenvolvimento Econômico Sustentável e Estratégico de Goiânia], que é um conselho que propõe um projeto a médio prazo da cidade e, quando se lê as propostas, fica claro que beneficia o agronegócio e o setor imobiliário. Então, eu fui à Acieg [Associação Comercial e Industrial de Goiás] para debater e explicar o porquê que não assinarei o documento. Agora estão me convidando para ir ao hotel Castro’s dar uma palestra. Vou fazer uma contraproposta para eles, porque o espaço lá é cinco estrelas, onde nosso público não poderá ir, então não vamos a espaços onde a população geral não tenha acesso. Um hotel cinco estrelas não parece um espaço adequado para discutir política, adequado seria a Praça Cívica, a Praça Universitária ou a Praça do Trabalhador. Queremos que setores mais à direita conheçam a realidade da população, que é a bandeira que defendemos.

Alexandre Parrode – Quais são essas bandeiras?

Nosso grande diagnóstico é que precisamos devolver a cidade às pessoas. Ou seja, Goiânia foi sequestrada por grupos econômicos, que assumem serviços públicos e os prestam com qualidade duvidosa. E fazem isso ganhando dinheiro. Isso consolidou nossa cidade como a menos democrática e mais desigual da América Latina, segundo a ONU. Queremos virar o jogo. Não faz sentido o PSOL entrar na prefeitura se não for para promover mudanças radicais para inverter a lógica, mais democrática e menos desigual. Então, toda política pública que pensamos tem como ponto de partida esa conjuntura de recuperar a cidade às pessoas.

Vou dar um exemplo: o transporte coletivo. Hoje, para mim, é um contrassenso o transporte ser chamado de “público”, mas ser administrado por empresas privadas. Não é fácil resolver, mas nos propomos a fazer concretamente isso. Queremos reconduzir a cidade para uma “mobilidade humana”, isso passa pelo enfrentamento das empresas privadas de ônibus. Todos os setores de prestação de serviço público que estiver sob o comando do setor privado, se estiver bom, manteremos, se não, vamos repensá-los. Romper onde é possível, vamos para a Justiça, se necessário, porque é fundamental o serviço de qualidade. Se essas empresas não estão fazendo isso e ganhando dinheiro, não é justo. Hoje quem paga o preço é o povo. Vamos mudar isso. Empresas ficaram quatro anos sem ganhar dinheiro, como nós também.

Alexandre Parrode – As empresas do transporte dizem que são deficitárias, que estão “perdendo dinheiro” e não conseguem manter o sistema.

A questão hoje é acreditar ou desacreditar, porque eles não deixam transparente o orçamento. Por exemplo, para onde vai o dinheiro da propaganda, do chamado bus door? Acho ótimo esse discurso das empresas, porque nós vamos resolver o problema deles também. Quando reestatizarmos todo o sistema, vai ser bom para ele, pois se estão perdendo dinheiro, vamos ajudá-los. Criaremos uma empresa pública autônoma, ou tornar a CMTC operadora para fazer transporte de qualidade. De fato, tem caído o número de passageiros, mas por que? Gente, é tão sofrível para as pessoas da periferia pegar ônibus que muita gente tem preferido financiar em 60 vezes uma moto. Mas é perigoso, não podemos investir no transporte individual. Temos que ter uma política pública de mobilidade humana.

Hoje, em Goiânia, para se transportar 13 cidadãos e cidadãs são necessários dez carros. Um carro para cada 1,3 cidadãos. É inviável. Fazer viaduto como foi feito é só criar um atalho para um novo engarrafamento. Como começar a resolver o problema? Ressignificando o investimento em mobilidade. Se o transporte coletivo melhora, setores da classe média começam a acessá-lo também. Eu não preciso pegar ônibus todos os dias, mas diversifico minha locomoção, ando a pé, de táxi, de Uber, de carro… Acredito que se tiver um ônibus bom, as pessoas vão pegar ônibus. Por exemplo, o Eixo Anhanguera: de onde eu moro, é mais fácil ir para o Centro pegando o Eixo, mas minha esposa evita pegar devido aos assaltos e a insegurança. Então, temos que resolver esse problema dando exemplo. É possível ter mobilidade de qualidade financiada pelo poder público.

Repórteres do Jornal Opção entrevistam o candidato do PSOL

Repórteres do Jornal Opção entrevistam o candidato do PSOL

Bruna Aidar – Como resolver a questão de investimento?

Podemos criar um fundo com o recurso que é pago no vale transporte, melhorar a cobrança dos estacionamentos públicos nas regiões centrais. Podemos pensar várias fontes para captação de recursos e investir no transporte urbano. Mas quem tem autonomia para fazer isso? Quem nunca recebeu e não recebe recursos desses grupos privados. O PSOL tem essa vantagem.

Bruna Aidar – As novas regras eleitorais ajudam o PSOL?

Se houver fiscalização por parte do poder público sim. Vou dar um exemplo, tivemos uma atuação muito forte nas redes sociais, com auxílio de alguns canais como a página Mídia Ninja. Bem, é probido patrocinar na pré-campanha, nós nunca fizemos isso, mas todos os outros candidatos fizeram isso. Isso é desigual.

Alexandre Parrode – O sr. acredita que há uma barreira da mídia aqui em Goiânia?

Uai, vamos descobrir agora. Já tenho visto algumas, vai ter canal de TV que eu vou participar e outro não. Por que alguns me chamam e outro não?

Alexandre Parrode – A reestatização não é malvista pela sociedade em geral? Por exemplo, as notícias que têm sido veiculadas sobre a Petrobras nos últimos anos são, em sua maioria, sobre corrupção, desvios de dinheiro público… Será que a população não pode entender o movimento como uma proposta para “roubar mais”

Temos pensado muito na lógica da empresa pública autônoma, não como uma secretaria que será criada. Funcionaria como uma empresa privada, sem fins lucrativos. Temos um setor muito produtivo no Brasil que é da gestão pública, nós queremos aproveitar esses profissionais. Você falou sobre a Petrobras, gente, a Petrobras funcionou bem durante mais de 50 anos, agora, nos últimos de dez anos, que ela deu problema porque os governos atuais a corromperam. Petrobras é um exemplo de sucesso da gestão pública. Nós do PSOL, como temos selo de garantia que não nos corrompemos, demonstramos possibilidade de ter nova maneira de administrar o público, não faremos mais do mesmo. É inadmissível que uma empresa privada ganhe dinheiro com o público. Eu denunciei no último debate as Organizações Sociais, que não acreditamos que vale a pena.
Não dá para mercantilizar o público.

Alexandre Parrode – Há uma grande dificuldade na gestão pública que é a burocracia. A Lei de Licitações, por exemplo, é positiva por um lado, mas, por outro, atrapalha na solução de pequenos problemas. Por exemplo, para se trocar uma lâmpada em uma escola, é uma celeuma. Com as parcerias público-privadas, há uma maior agilidade e melhor qualidade, não?

Sim. É viável mas se a prefeitura fizer com os micro, pequenos e médios empreendedores. São esses que geram trabalho e novos negócios reais. Nossa parceria será nessa perspectiva. O grande problema é que, quem administrou a cidade até hoje, administrou voltado para os interesses dos grandes empresários. O grande empresariado tem forma de gestão que é de concentração de renda. Temos que priorizar as parcerias com os micro, pequenos e médio, na lógica de controle de qualidade. Até porque teremos um melhor contato. O grande empresariado sequestrou a cidade.

É importante destacar que, sendo muito franco, os atuais administradores da maioria das cidades do Brasil são incompetentes e estão preocupados com o interesse de quem os financiaram nas eleições. Então, o que fazem? Não prestam serviço de qualidade, criam barreiras, tornam o serviço inoperante, para ter justificativa de entregar para o setor privado, terceirizar, vender. Para mim, prefeito que fala que tem que vender áreas públicas, tem que terceirizar, é incompetente… Tem que renunciar.

Nós queremos uma gestão democrática, próxima à sociedade. Inclusive, vamos democratizar até o primeiro escalão com um esquema de lista tríplice para decidir quem serão os secretários. Queremos diversificar e tornar servidor público participante do processo. Queremos um secretariado diversificado, com LGBTs, mulheres, negros, jovens. Estamos pensando na lógica da racionalidade, se você partilha poder, tem uma sociedade mais justa.

Alexandre Parrode – Quem financia sua campanha?

As pessoas que acreditam no projeto. Elas doam tempo e, quem pode, dinheiro.

Alexandre Parrode – Fazendo as contas, temos um orçamento comprometido de quase 95%… Como fazer todos esses investimentos?

Todo esse dinheiro que você colocou aí para a saúde e educação, quando se tira o volume que vai para o setor privado, sobra dinheiro. Percebe que a desprivatização economiza? Outra coisa, nós vamos fazer um governo bom para a cidade inteira, mas temos a opção de administrar para os empobrecidos e os marginalizados. Toda política pública será voltada para esse grupo. Vai melhorar a cidade porque vai diminuir a criminalidade, o desemprego, vai ser uma cidade melhor para se viver. Mas, os ricos vão ter que pagar mais. Faremos um projeto de iniciativa popular, debater com a sociedade para equalizar a cobrança de IPTU. Os ricos vão pagar mais para financiar a infraestrutura dos bairros que estão aí há 20, 30, 40 anos sem equipamentos adequados.

Alexandre Parrode – Bairros que eles criaram, na verdade, para especulação imobiliária. Vale destacar que já tentaram aprovar um projeto desses e não conseguiram. O próprio Paulo Garcia (PT) quase foi sacrificado porque fez uma correção do IPTU de alguns bairros.

Essas pessoas que têm compromisso com os grandes grupos econômicos não conseguem fazer a mudança. Nós não temos isso, eu fui à Acieg avisar que não assinaria o protocolo do Codese… Eles sabem que não vamos administrar para eles. Cidade não pode crescer onde os especuladores querem. Isso é ruim para as pessoas.

Nós, do Se a Cidade Fosse Nossa, fizemos um movimento no começo do ano de ocupar o Jardim Botânico e ajudamos a sociedade civil a barrar a Operação Urbana Consorciada que queriam implantar.

Alexandre Parrode – Nós também. O Jornal Opção é o único que enfrenta o setor imobiliário.

Jornal Opção está de parabéns porque não dá para acontecer mais o que aconteceu no Parque Flamboyant, por exemplo. Favorecer o desenvolvimento de uma classe social, inclusive, retirando as pessoas pobres que moravam ali.

Queremos que o Jardim Botânico seja melhorado, claro que sim, mas para as pessoas que já estão lá, que construiu o bairro, não aos especuladores.

Alexandre Parrode – O grande problema é que o setor imobiliário domina a prefeitura.

Não vai haver ligação com o setor imobiliário. Os servidores públicos estão escanteados, no nosso governo, serão valorizados. Goiânia exporta profissionais qualificados, temos que mantê-los aqui e levar para a administração. Eu, que sou da unversidade, acredito que precisamos de parcerias com as universidades. Meu, existem tantas pessoas qualificadas na universidade que são subaproveitadas… Sabe por que? Porque são, na maioria, honestas e sem compromisso com o grande capital. Vamos fazer uma ampla aliança com a sociedade priorizando as instituições públicas. Quero fazer alianças com integrantes do setor privado que se comprometem com o desenvolvimento mais equânime da cidade.

flavio sofiati montagemBruna Aidar – Os vereadores, hoje, representam alguns grupos econômicos e religiosos. Como fazer para que essas discussões avancem na Câmara?

Estamos falando de uma conjuntura em que Flávio Sofiati, do PSOL, da Frente de Esquerda, será eleito prefeito. Isso significa um novo cenário, uma nova conjuntura. Ser eleito sem o apoio do poder econômico vai configurar uma nova governabilidade, que passa pelo diálogo direto com a sociedade civil. Então, não é o Flávio que está propondo o projeto de readequação do IPTU, é um projeto de lei popular, articulado pelos setores da sociedade.

Com relação à igreja, a base tem sensibilidade aos temas sociais, o grande problema é que há lideranças que, a maioria delas, não são seguidores de Jesus Cristo e sim dos fariseus. Mas a base cristã em Goiânia e eu circulo muito nesse segmento, conheço bem, os fieis são seguidores de Jesus Cristo. E sabe o que isso significa? Sensibilidade com o social. Muitas das lideranças que acabam assumindo cargos públicos não pensam assim.

Alexandre Parrode – Mas se você for olhar, nas redes sociais mesmo, essas lideranças recebem grande apoio.

Te trago um dado na área das Ciências Sociais de que pesquisas mostram que os políticos religiosos não têm esse total e amplo apoio de suas bases. Eles, inclusive, são questionados em vários temas, o sexo fora do casamento, uso de camisinha e anticoncepcionais, por exemplo. Tem um setor que não dá muita bola para o que eles dizem. Então, penso que haverá um novo contexto de Legislativo também. Nós vamos ditar o tom da política.

Outra coisa, não vai ser o Flávio Sofiati que vai apresentar o projeto, eu vou levá-lo, entregar nas mãos do presidente da Câmara e os vereadores vão decidir. Mas vai ter a Câmara lotada de lideranças populares fiscalizando. Eles vão pagar um preço.

Alexandre Parrode – Vai ser igual ao Uber, né? Os vereadores começaram defendendo os taxistas e mudaram rapidinho.

Eu acredito demais na participação popular. Hoje, a democracia está em crise porque nós, na Constituição de 1988, temos previsto democracia representativa e participativa, mas não é isso que aconteceu, isso ficou em segundo plano. PSOL defende isso, quer democracia direta.

Bruna Aidar – Então, a forma do PSOL garantir a gornabilidade é inserir a participação popular nos debates.

Exatamente. Criar mecanismos para participação da sociedade.

Bruna Aidar – O sr. acredita que falta maior participação popular no poder público? Um exemplo, o Nexus Shopping & Business, nós verificamos que as pessoas que moram na região não sabiam que seria sequer construído. Não falta um pouco de engajamento?

Sim, falta. Mas é preciso reconhecer que a cidade foi sequestrada. Hoje, a prefeitura é uma caixa preta, se nós tivéssemos feito nosso plano de governo com os dados que são fornecidos, seria uma lástima. A sorte é que temos as pesquisas e boa parte dos pesquisadores que têm o diagnóstico. Então, a mobilização passa um pouco pela informação, o que queremos estimular é a participação. Prefeito não tem que tutelar a sociedade civil, ele tem que criar condições para a sociedade ocupar os espaços públicos.

Eu defendo que temos que revitalizar todas as praças de Goiânia e criar mais na periferia para que as pessoas possam ocupar os espaços públicos. E digo mais, em todas as praças têm que tem um pit-dog, porque o pit-dog é geração de sociabilidade, economia e é cultura da cidade.

Alexandre Parrode – Como o sr. avalia a quantidade de candidatos ligados à segurança pública, ou na cabeça ou na vice?

Fiquei muito preocupado no debate que participei porque todos os candidatos propuseram “resolver o problema da criminalidade” com mais ação violenta por parte da polícia. Olha, toda pesquisa feita em várias realidades sociais do Brasil e do mundo demonstram que a repressão não tem resolvido a violência nem a criminalidade. Não resolve. A situação de insegurança que temos hoje favorecem os políticos violentos, que fazem política com ódio, mas nós do PSOL fazemos política com racionalidade.

Para nós a questão da violência não se resolve reprimindo ou encarcerando a população. Aliás, eu fiquei surpreso com esse dado, mas pesquisas mostram que políticas públicas de iluminação é mais eficiente para reduzir criminalidade do que a polícia.

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