Comoção marca protesto contra mortes de mulheres em Goiânia; veja fotos

*Com a colaboração de Walacy Neto

Familiares e amigos da maior parte das vítimas de crimes praticados por motoqueiros desde janeiro de 2014 estiveram no local. PM contabilizou cerca 2 mil pessoas

 

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A manifestação contra o assassinato de mulheres em Goiânia foi marcada pela comoção de familiares e amigos das vítimas de homicídios semelhantes na capital. O ato começou às 16h30 deste sábado (9/8) na Praça Cívica, no Centro, e contou com cerca de 2 mil pessoas, segundo a Polícia Militar.

Familiares das mulheres vitimadas em circunstâncias semelhantes usaram faixas, cartazes e um carro de som para pedirem às autoridades a elucidação dos casos.  “Pedimos que as autoridades façam alguma coisa. Pedimos que eles tomem essas vítimas como se fossem seus filhos”, dizia um familiar ao microfone. Os parentes também pediam para que se evitassem a divulgação de boatos, a fim de não dificultar as investigações.

Com os olhos molhados, Lorena Eterna, irmã de Beatriz Cristina, uma das vítimas, reforçou ao Jornal Opção Online a vontade de justiça e também o medo que vive, palavra repetida várias vezes durante o ato. “Se a gente não pedir justiça não vamos conseguir chegar ao fim disso tudo e resolver esse crime”, afirmou.

Já Janete Dias Gomes, avó de Ana Lídia Gomes, de 14 anos, morta há uma semana em ponto de ônibus no Setor Conjunto Morada Nova, disse emocionada que o protesto é importante para mobilizar a população e os governantes. “Minha neta não tinha envolvimento com o crime”, relatou.

A família acredita que o suspeito preso pela polícia na sexta-feira (8) não seja o mesmo que tirou a vida da jovem. “O preso tem perfil de assassino, não de ladrão, pois nada [de bem material] foi levado.”

A Polícia Civil contabilizou 45 assassinatos de mulheres em Goiânia de janeiro até agora — em 2013 foram 46. Pessoas ligadas a outras vítimas, como Lilia Sissi, Isadora Aparecida Cândida dos Reis, Ana Maria Duarte e outras das 13 mulheres também estiveram no protesto.

O filho do cronista Valério Luiz, morto em julho de 2012 em frente à Rádio 820 AM, atual Bandeirantes, Valério Luiz Filho alertou para que os parentes não deixem os crimes caírem no esquecimento.

A manifestação durou até as 19h, aproximadamente, e se concentrou apenas na Praça Cívica. Os organizadores preferiram não fazer nenhum percurso. O próximo ato está marcado para o dia 30 deste mês e foi chamado de “Goiás Quer Paz”.

Políticos presentes

A presença de candidatos a cargos eletivos no evento não agradou os manifestantes. A reportagem conferiu a presença da vereadora Tatiana Lemos (que tenta cadeira na Câmara dos Deputados) e da mãe dela, a deputada estadual Isaura Lemos (que disputa a reeleição), ambas do PCdoB. As duas saíram do local antes do fim do protesto.

Outro político visto foi o presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Estado de Goiás (Sinpol), Silveira Alves, do PSB, que disputa uma vaga na Assembleia Legislativa.

Desde o início do ato, os familiares das vítimas alertaram que o ato não tinha cunho político.

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Mario Borges

A dor dos familiares foi sim usada como “artefato” político , e todos que acompanham a política sabe de onde partiu a “ideia” deste movimento , é uma pena, chegou realmente ao fundo do poço.

DANIEL MARQUES

MAS SÓ ASSIM PARA QUE OS POLÍTICOS RESPONSÁVEIS PELA NOSSA SEGURANÇA TOME ATITUDES, PRA QUE OUTRAS PESSOAS FAMÍLIAS NÃO PASSEM PELO MESMO ACONTECIMENTO…