Comissão dos EUA diz que petroquímica da Odebrecht pagou US$ 250 milhões em propina

Dinheiro era destinado a partidos políticos, congressistas e funcionários públicos, que viabilizavam contratos da empresa com a Petrobras

A Comissão de Títulos e Câmbio (SEC, na sigla em inglês) do Governo dos Estados Unidos soltou um documento em que afirma que a Braskem, petroquímica do grupo Odebrecht, pagou US$ 4,3 milhões em propina para apenas um congressista brasileiro e um chefe da Petrobras. O valor que, convertido, chega a R$ 14 milhões visava viabilizar parceria entre a empresa e a Petrobras para construção de uma unidade de produção de polipropileno em Paulínea (SP).

Para esconder os pagamentos, a Braskem registrou os valores como pagamento de comissões e como custos ou despesas de negócios legítimos. Originalmente, o previsto era que a petroquímica tivesse controle de 60% da empresa mas, em 2007, um novo acordo deu 100% do controle da unidade para a empresa, enquanto a Petrobras ficava com 25% do capital da Braskem.

O documento foi enviado à Justiça dos EUA para integrar acordo de leniência firmado pela Odebrecht naquele país. Ainda de acordo com as informações apuradas pela SEC, a Braskem pagou cerca de US$ 250 milhões a partidos políticos, congressistas e funcionários públicos entre 2006 e 2014.

A empresa terá que ressarcir a SEC em US$ 325 milhões, que seriam os lucros decorrentes dos contratos em que houve pagamento de propina. Entre eles, estão, por exemplo, um acordo de US$ 20 milhões para o fornecimento de nafta para a Petrobras; outros dois de US$ 1,74 milhão em 2013 e US$ 29 milhões a partir de 2006 para aprovação de leis que os beneficiassem em questões tributárias.

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