Com o anúncio da crise das lojas Americanas e Marisa estampado nos jornais nas últimas semanas, o drama que vive o setor varejista no Brasil veio à tona. Com a inadimplência dos consumidores, as empresas precisam se endividar pra manter o crescimento sustentável, mas tudo isso aliado às altas taxas de juros. Uma combinação infalível para o fracasso.


Como o setor é extremamente dependente do consumo das famílias, as empresas tendem a patinar na tentativa de obter lucro com uma margem baixa de lucro por conta da ampla concorrência, que ainda sofre com o golpe do crescimento do comécio online. Em meio à crise, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o comércio teve uma queda de 2,6% nas vendas em dezembro e voltou para o nível que estava ainda antes da pandemia do novo coronavírus.

O economista Matheus Rezende acredita que é complicado pensar no reaquecimento da economia a curto prazo levando em conta o endividamento das famílias. “Além disso, não há perspectiva de baixa da taxa de juros da economia, a Selic, que hoje se apresenta num patamar bem mais alto do que já foi no passado”, comentou.


Reportagem de Alexandre Garcia, do portal R7 trouxe especialistas que explicaram os motivos que levaram ao colapso. “Empresas como Marisa e Americanas têm faturamentos altíssimos, mas que não são revertidos em lucro. Com prejuízos constantes, é necessário contrair dúvidas para cobrir o buraco. Se você ganha R$ 10 e gasta R$ 11, em algum momento vai precisar se endividar ou vender seus bens”, afirma o economista Sérgio Ferreira, que reforçou ainda que a taxa de juros – que está no maior nível desde 2017 – puxa o setor ainda mais para baixo.


O economista Rodrigo Simões lembraou na mesma reportagem que outras dificuldades enfrentadas pelo setor envolvem o aumento da concorrência física e online e a situação econômica nacional. “Quando a economia do Brasil não vai bem, o setor varejista sofre, principalmente os segmentos de eletrodomésticos e a linha banca. Isso acontece porque os consumidores entram em um dilema entre pagar o básico ou quitar os boletos dessas lojas”, afirma.


Cristiano Santos, gerente da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), avaliou na matéria de Alexandre Garcia que a inflação elevada dos alimentos também ajuda a explicar o movimento ruim do ramo. “Muitos deixam de consumir outro tipo de produto para continuar comprando os itens essenciais”, afirma.